23 agosto 2007

Casablanca: Representando os medos de uma época.


Início dos anos 40, época do fim da Segunda Grande Guerra, que juntamente com a Primeira, tinha como caráter essencial ser uma “guerra de massa”, que envolveu não apenas os exércitos dos países em batalha, mas principalmente a população civil, que tornou-se alvo estratégico dos bombardeios, além de ter sido convocada para trabalhar pela guerra nas indústrias bélicas e em alguns casos ainda, de colaborar na resistência em uma “Guerra de Guerrilha” nas cidades ocupadas[1].

Logo pode-se imaginar quais os sentimentos que rodeavam a população em guerra. É neste contexto de fim da Guerra que os primeiros filmes noirs são produzidos, representando as nuanças da vida cotidiana e do imaginário popular daquela época, um visível período de medos e incertezas.

É característica fundamental dos filmes noirs, segundo palavras dos professores Alexandre Valim e Amélia Noma:

“o visual sombrio e tons escuros para uma ambientação soturna, o humor frio e sarcástico, o clima de intranqüilidade, o suspense, a ambigüidade, o desencanto e a solidão”[2].

Esta característica trazida às telas do cinema pelo filme noir, foi fundamental para permear o imaginário popular na Guerra Fria: “um mundo repleto de medos, paranóias, corrupção, personagens oportunistas, violentos e amorais, detetives particulares, policiais e marginais de toda espécie”[3].

É sob estas características que podemos encaixar o filme Casablanca, filmado pelos estúdios Warner, em Hollywood, lançado em 1942, vencedor de três Oscar (melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro), sem contar outras cinco indicações, e considerado ainda hoje como um dos melhores filmes da história do cinema.

Durante a Segunda Guerra, a cidade de Casablanca no Marrocos, ainda controlado pelos franceses, era a rota obrigatória para aqueles que estavam fugindo dos nazistas na Europa e sonhavam com a fuga definitiva para a América.

Toda espécie de gente se encontrava em Casablanca. Assassinos, ladrões, heróis, contrabandistas, falsificadores, donzelas, homens de negócios, e até mesmo nazistas, logo se pode ver que para diferenciar quem é quem, não era lá tarefa muito fácil.

O reencontro de Rick e Ilsa, depois de um romance vivido na Paris prestes a ser invadida pelos alemães é o pano de fundo do roteiro. Um reencontro traumático para ambos, afinal, Ilsa é casada com Victor Laszlo, herói da resistência e vai para Casablanca na tentativa de conseguir um visto falso e embarcar para Lisboa e de lá para a América.

O clima tenso, o medo constante, a ambigüidade dos personagens, principalmente Rick, que não podemos definir como mocinho ou bandido, e a corrupção, para citarmos alguns exemplos, estão presentes o tempo todo no filme e, principalmente, em seu surpreendente final.

[1] Para uma maior compreensão do período, ler principalmente o primeiro capítulo do livro “Era dos Extremos, o breve século XX – 1914/1991” de Eric Hobsbawm.
[2] VALIM, Alexandre Busko; NOMA, Amélia Kimiko. Filme Noir. In: SILVA, Francisco Carlos Reixeira da, et ali. Enciclopédia so século XX: Guerra & Revoluções – Eventos, idéias e instituições. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
[3] VALIM, Alexandre Busko; NOMA, Amélia Kimiko. Filme Noir. In: SILVA, Francisco Carlos Reixeira da, et ali. Enciclopédia so século XX: Guerra & Revoluções – Eventos, idéias e instituições. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

2 Comentários:

Às 24/8/07 10:58 AM , Anonymous Marcio Pimenta disse...

Adoro este filme. Um dos meus preferidos.

Abraços!

 
Às 3/10/07 4:06 PM , Blogger Janaina disse...

Olá sou Janaina Mendes....sempre houvi falar muito deste filme, e na minha escola eu e alguns colegas professores pretendíamos trabalhar algumas cenas. Porém estamos buscando há tempos este filme e não conseguimos encont´ra-lo.Já anunciamos, buscamos locadoras que trabalham filmes históricos e nada conseguimos.Venho através deste pedir alguma dica de onde e como encontrar este filme, se puder ajudar ageadeço antecipadamente...Obrigado!

 

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