09 julho 2007

Dependência Perigosa:


Minha Faculdade é em outra cidade, moro em Nova Londrina e estudo em Paranavaí, cerca de 75 Km de distância, o pessoal todo da cidade vai em um ônibus da prefeitura e neste longo caminho, diversos assuntos vêem à toma. Não gosto muito de falar de assuntos locais, até porque este Blog está um pouco escaldado, mas vamos aos fatos.

O debate girava em torno de um assunto que está na boca do povo: o desenvolvimento regional, como gerar mais empregos e renda para a cidade de Nova Londrina e etc... logo, um dos alunos disse que Nova Londrina precisaria em uma indústria que construísse máquinas colheitadeiras de cana-de-açúcar para serem vendidas às Usinas da Região, afinal seria uma empresa que geraria bons salários devido a alta tecnologia e também porque a região é estritamente dependente da produção de álcool.

Um despautério! Logo me insurgi contra esta idéia com o seguinte argumento: Caso a Usina de Álcool da cidade comprasse tais maquinários, mais de 50% de Nova Londrina iria à bancarrota absoluta. A reação imediata foi o argumento simplista de que não existem tantos “bóias-frias” assim na cidade.

Claro que a metade da cidade de Nova Londrina não é composta por cortadores manuais de cana de açúcar, no entanto, o que meu interlocutor não entendeu (o que aliás estranhei, por tratar-se de um aluno do curso de Administração) é que caso os “bóias-frias” de Nova Londrina percam o emprego, o barzinho da esquina não vende, o mercadinho do bairro idem, a farmácia também não, muito menos o comércio local, ou seja, uma grande bola de neve levará a falência de no mínimo 50% da população novalondrinense, afinal, quem gira dinheiro no município são os “pobres”, porque os “ricos” podem ir comprar nas grandes cidades da região...

Minha sugestão parece óbvia, Nova Londrina precisa fugir da estrita dependência agroindustrial, e investir em outros setores de produção, até porque a compra de máquina colheitadeiras de cana-de-açúcar pela Usina local é uma questão de tempo.

6 Comentários:

Às 9/7/07 11:19 AM , Anonymous catatau disse...

Olá Cassio,

Aprecio muito os teus comentários, quando percebo que você leu o post. Quanto a informar que o assunto é o mesmo, pode ficar tranquilo, pois acompanho o seu blog em RSS. E costumo ler os teus posts.

 
Às 9/7/07 1:30 PM , Blogger R.C disse...

Hmm, nessa eu fico de fora :P

abrax

RF

 
Às 10/7/07 9:38 AM , Anonymous Katia Correia disse...

Pois é, Cássio,
Eu moro em Terra Rica, onde no ano passado foi implantada uma usina de álcool. A população está dividida, onde uns apoiam e outros reprovam a usina.Mas sabemos que além dos prejuízos ambientais daqui a algum tempo vamos passar por este problema de impalntação de colheitadeiras na usina, e com isso muitos perderão os seus empregos, a aí, o que será feito para suprir esta demanda de desempregados? Esta é uma pergunta que persiste, mas que ninguém, ou melhor, que nenhum prefeito ou vereador do município possa dar uma resposta, muito pelo contrário, fazem política e ganham votos em cima dos empregos de hoje, mas e amanhã?

 
Às 11/7/07 12:34 PM , Anonymous jeferson pereira disse...

como vc sabe me formei em Engª Mecânica e por isso, até certo ponto, acho boa a industrilização da cidade. Mas é necessário, primeiro, perceber o que a cidade tem para oferecer em termos de matéria-prima. É impossível pensar em uma indústria metalúrgica ou automobilística, então nos resta a cana, o algodão, café, frutas, leite, gado... O que quero dizer é que o investimento deve ser feito na industrialização destes recursos. Se estas idéias forem implementadas, sabemos desde já, não faltará emprego e, sim, mão-de-obra qualificada, comno ocorre aqui em Curitiba.

Abraço

 
Às 11/7/07 9:38 PM , Blogger Joice disse...

Oi Cassio! gostei do seu blog!
bons textos

 
Às 13/7/07 4:16 PM , Blogger Marcilon Oliveira disse...

Cássio, Querido!!!


Essa questão da substituição da mão de obra braçal pela força tecnológica nos parece, de fato,
uma questão seguramente determinada pelos Tempos Modernos.
Entendo que não se pode chorar sobre o leite derramado, a sociedade tem que encontrar formas de reaparelhar seu mecanismo de produção por se tratar de um ciclo que não pode ser desarticulado...

Não se pode, ao certo, crer que os camponeses de ontem, por exemplo, estariam produzindo e vivendo bem num país que pouca importância dá a
quem produz - se não tivessem sido expulsos do campo desde os idos dos anos 70 com o advento do
Pró-Alcool.

Aqui em minha região, há algumas Usinas produtoras de Acool e Açúcar, algumas estão sendo vendidas para grupos estrangeiros e essa preocupação que você expõe haver nas discussões aí, cá também se dá.


Abração!

 

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