28 abril 2007

Um pouco de História:


De tempos em tempos, ressurge o debate sobre os salários de nossos deputados, senadores e afins. Sempre que se fala em aumenta-los, uma parcela da sociedade reage contra tal prática, afinal, é um disparate a diferença entre o que ganha um parlamentar e o que ganha um trabalhador.

Mas nesta discussão, foge-nos o processo histórico acerca do tema. No começo do Parlamento Europeu, os representantes não recebiam nenhuma contraprestação, logo, somente os ricos participavam pois dispunham de outras fontes de renda. A remuneração foi uma reivindicação dos operários, para assim poderem organizar-se e participar do parlamento e conseguir sobreviver.

No entanto, segundo o “pai Marx”, esta relação assalariada do operário com o parlamento, retira daquele o seu caráter revolucionário e vai gradativamente o aburguesando, e o distanciando cada dia mais das causas que o levaram ao posto de Parlamentar. Tomemos o exemplo de Luiz Marinho, Paulinho da Força Sindical, e porque não de Lula.

Se pegarmos os atuais parlamentares, poderemos perceber que a grande maioria dos que lá estão, pouco ligam para o valor do salário, afinal, já são grandes empresários, latifundiários e afins. Na verdade tais pessoas estão no Congresso pelo simples motivo de que é lá que decidem-se as leis e os rumos da nação. Como já disse em outros textos, repito a pergunta: Será que estes mega-empresários e latifundiários estão comprometidos com a causa do povo ou somente com os próprios interesses? Ao votarmos, devemos tem em mente a luta de classes e saber quem representam quem!

26 abril 2007

Invasão Cultural:


Tenho duas camisetas que quando as utilizo sempre geram um pouco de polêmica. Uma possui o desenho ao lado, a outra contem a seguinte frase: “Halloween é o cacete! Viva a cultura nacional!”.

Muitas pessoas me perguntam o significado e o porque de utilizar tais camisetas, alguns apenas soltam piadinha preconceituosas e desqualificadas, já ouvi até quem dissera algo do tipo: “_Ah! Então vamos voltar a ser tudo Índio”, é claro seguido de uma boa gargalhada. Pobres coitados, não conseguem enxergar muito além do próprio nariz.

Não sou contra a diversidade cultural, muito menos o seu intercâmbio, ao contrário. Mas tais camisetas dedicam-se a refletir sobre a “Invasão Cultural Norte-Americana”, à “Política da boa-vizinhança” que tem sido feita de forma escancarada pelos nossos “irmãos do norte”, visando justamente à monopolizar o pensamento ocidental.

Desde o início da guerra fria, somos bombardeados com produtos culturais estadunidenses, são as revista em quadrinhos, com heróis que não são nossos; são os desenhos animados sempre os mostrando como bons amigos, inclusive inventaram um certo “Zé Carioca” para isso; sem falar nas séries de TV e nos filmes, que exaltam a dignidade, ética e democracia yankee, onde todos são felizes e etc...

Portanto, o que temos de contestar é esta invasão, que destrói os produtos e a cultura genuinamente nacionais, afinal, Halloween é no mesmo dia do Saci Pererê e você nunca viu um desenho animado da Turma da Mônica em detrimento da turma do Mickey. Aliás, o sonho de nove entre dez crianças é ir para a Disney, não que isto seja ruim, mas o sonho não é delas, mas sim exterior a elas, ou seja, foi-lhes incutido na mente. Por quem? Pela lavagem cerebral feita pela “Política da boa-vizinhança”.

21 abril 2007

O Álcool Combustível é o Futuro!!! Será???


Posso estar completamente enganado, e espero que esteja mesmo, mas tenho sinceras dúvidas acerca da potencialidade do Álcool Combustível como matriz energética para veículos automotores. Primeiro, já manifestei aqui minha ressalva quanto a ser o Álcool totalmente ecológico, mas a preocupação aqui é outra.

Estamos apostando todas as nossas fichas no Álcool derivado da cana-de-açúcar, na esperança de ser o “Petróleo do Futuro” e com isso o Brasil tornar-se o maior produtor e exportador deste produto essencial à vida nos próximos cinqüenta anos.

Mas acontece que na Europa já existem carros movidos a Energia Elétrica, e com a grande vantagem de não poluírem absolutamente nada. Os carros possuem uma bateria e podem ser recarregados na tomada da sua casa. Paises como Suécia e Inglaterra já possuem em fase de testes, tomadas em postes das ruas para recarregar tais carros.

Ora, fica a dúvida, será que dentro de cinqüenta anos os carros serão todos movidos a Álcool ou a Energia Elétrica? Acho melhor investirmos na exportação de cachaça, é mais garantido!

17 abril 2007

Pseudo-revolucionário:

Estou cansado de ser chamado por este nome, mas o que ele significa? Vamos ao nosso eterno companheiro dicionário:
Pseudo – Palavra não encontrada no dicionário, mas que podemos conceituar como “falso” ou então como “aquele que pensa que é...”
Revolucionário – Aquele que provoca revoluções, rebelde.
Assim, utiliza-se o termo pseudo-revolucionário para qualificar algum falso revolucionário, ou aquele que se diz revolucionário, mas que não tem atitudes condizentes como tal.

Pois bem, mas o que é Revolução? Segundo o dicionário é: Sublevação; mudança violenta da forma de um governo. Pois bem, durante os séculos, muitos jovens pelo mundo a fora pegaram em armas para enfrentar diversos tipos de governo. Houve um tempo até que a burguesia foi revolucionária, ao acabar com o absolutismo, outras vezes, os camponeses foram revolucionários ao destruir governos despóticos. Se ser revolucionário é pegar em armas, não sou revolucionário.

Mas estamos no século XXI, e o que é ser revolucionário no mundo ocidental neste tempo? Claro que pegar em armas e embrenhar-se no meio do mato não trará o resultado satisfatório, aja vista a tecnologia dos exércitos. Então o que?

Para ser revolucionário hoje é preciso ler Gramsci, ou seja, precisamos entender que o Estado se ampliou, que não existe somente a sociedade política (polícia e exércitos) mas também a sociedade civil (mídia, partidos, associações, igrejas, etc...) então, devemos entender que para tomar-se o poder político é preciso antes de tudo tomar o poder civil. Tal, somente se dará em uma constante guerra de posições, liderada pelos Intelectuais Orgânicos, aqueles que estão no meio do povo e do povo surgem.

Posso ser um pseudo-revolucionário do século XIX e XX, mas tenho certeza que não sou um pseudo-revolucionário no contexto do século XXI, mas aqueles que me acusam acho que não entenderam o texto e muito menos leram Gramsci, então vão continuar a me rotular.

14 abril 2007

Esquerda e Democracia:


“A Esquerda não gosta da Democracia!”. Mais uma frase para a coleção de pré-conceitos do senso comum, ou então de doutrinação de massas feita pela Direita/Burguesia/Mídia. A frase acima está impregnada, mesmo que de forma dissimulada em muitos telejornais e revistas semanais. O problema é que as pessoas a repetem, sem mesmo saber o que é Esquerda e o que é Democracia.

Para muitos, Esquerda é sinônimo de Comunismo, e Comunistas que comem criancinhas, que por sua vez adoram um populismo e uma ditadura. Tudo bem que muitos governos Comunistas cometeram atrocidades, mas também governos de preceitos liberais o fizeram, como por exemplo as ditaduras do Chile e do Brasil, sem falar que o baluarte do Liberalismo e da Democracia mantém a Base de Guantánamo e bancou diversos golpes militares anti-democráticos pela América. E Democracia, para estas mesmas pessoas resume-se tão somente ao direito de votar e ser votado e à liberdade de expressão. Saliente-se que liberdade de expressão é a liberdade deles expressarem em seus jornais o que entendem por verdade, a nós, cabe votarmos nos seus candidatos.

Mas voltemos ao tema. Nos EUA, a Esquerda é Democrata, já no Brasil, os “Democratas” são ex-ditadores, vai entender!

A Esquerda não gosta mesmo da Democracia, pelo menos não na forma com que a Direita prega a Democracia. Para esta pessoas, a Democracia é apenas representativa, já para a Esquerda ela deve ser participativa. Para a Direita, a Democracia deve ser apenas de Direito, já para a Esquerda ela deve ser de Fato.


A Esquerda não quer apenas uma Democracia de papel. Queremos a democratização dos meios de comunicação; a democratização dos meios de produção; a democratização do acesso à terra; a democratização do acesso à água potável, à comida, ao saneamento básico, à escola, à saúde, ao transporte, à moradia, etc... Enfim, não queremos apenas a democratização das migalhas, se é para ser Democracia, que seja plena!

12 abril 2007

Maquiavel não foi maquiavélico!

Reza o senso comum, que uma atitude maquiavélica está ligada à ação inescrupulosa, oportunista, feita de forma ardil e dissimulada, ou seja, totalmente sem ética. Tal conceito é baseado no livro O Príncipe de Maquiavel. Mas você já leu o livro? Eu também não, mas meu inconsciente está impregnado com esta interpretação que não é minha. Por isso, tentarei explicar a visão de Antonio Gramsci sobre a obra de Maquiavel.

Segundo Gramsci: “Maquiavel não traçou regras políticas que estivessem em contradição com o seu tempo e que passassem, desde então, a ser germes de corrupção ou incentivos ao absolutismo, como seus adversários quiseram fazer crer; limitou-se a registrar dados de fato, normas empíricas de conduta que explicavam no passado e no presente os êxitos e fracassos políticos”.

O texto de Maquiavel é ambíguo, ou seja, capaz de diversas interpretações, e na visão de Gramsci, O Príncipe dedica-se ao povo e não aos tiranos, isto é, o livro desmascara os mecanismos do exercício do poder, mostra “o que se faz mas não se diz”, na tentativa de abrir os olhos da burguesia para a forma com que os Reis governam.

Portanto, como diria Leonardo Boff: “Todo ponto de vista é visto de um ponto. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”, logo, o livro de Maquiavel pode ter uma outra interpretação além daquela já enraizada em nosso subconsciente.

Fonte: SCHLESENER, Anita Helena. Hegemonia e cultura: Gramsci. Curitiba: Ed. da UFPR, 1992.

09 abril 2007

O Muro da Vergonha III – desafio final???


Parece nome de filme hollywoodiano, mas não é, apesar de que nos três episódios, os estadunidenses foram os grandes financiadores de tamanha vergonha.

Primeiro foi o Muro de Berlin, que dividiu a cidade alemã entre comunistas e capitalistas, sem importar-se com as famílias que foram divididas, por simples capricho dos poderosos, e que não mais puderam se ver durante algumas gerações. Mas com os olhares da época é compreensível tal atitude, afinal vivia-se a guerra fria.

O segundo episódio já é mais recente, Israel, com apoio da Casa Branca, construiu um muro gigantesco para impedir que os Palestinos entrassem em seu território. A argumentação é de que estavam se protegendo de atentados terroristas. Esta afirmação é apenas a parte da verdade que interessa aos judeus...

O terceiro é mais contemporâneo, os yankes agora resolveram blindar as suas fronteiras com o México, para proteger-se de uma “invasão dos povos latinos ao melhor país do mundo para se viver”. Logo eles, que teoricamente pregam os ideais da democracia, liberdade e afins. Ora, com tanta propaganda pelo mundo afora dizendo que lá é o paraíso na terra, quem não vai querer ir lá ganhar a vida?

Mas porque um muro para isolar o “país mais democrático do mundo”? Será que é porque eles não são tão democráticos assim? Têm medo do que? De quem? Mas não podemos esquecer que lá também existe o muro dos subsídios agrícolas, dos produtos culturais, do monopólio da grande tecnologia, e etc...

07 abril 2007

Baseado em Gramsci:

O pensador Italiano Antonio Gramsci, que padeceu no cárcere de Mussolini, é um dos expoentes na revisão e adaptação das formulações marxistas ao século XX, é dele conceitos como “Estado Ampliado”, “Hegemonia e Contra-Hegemonia”, “Guerra de Posição” e muitos outros. Mas o presente texto, baseia-se no conceito gramsciano de “Intelectual”.

Existem dois tipos de Intelectuais: os “Tradicionais” e os “Orgânicos”. Os Tradicionais são aqueles que vivem em seus palácios acarpetados e arcondicionados, com um belo conhecimento teórico mas sem muita praticidade, preferem os discursos à ação. Já os Orgânicos, apesar de muitas vezes não deterem tanto conhecimento teórico, vivem no meio do povo, e muitas vezes surgem nos conflitos, faça chuva ou faça sol, estão ouvindo e organizando as massas em favor das suas reivindicações.

De uma forma simplista, podemos pegar emprestado tal conceito de Intelectuais e adaptarmos ao caso concreto, na questão de dirigentes/lideres. Em outras palavras, os Dirigentes Tradicionais são a elite, que ao tentar liderar a massa pensam mais ou menos assim: “Nós somos mais capacitados, mais inteligentes e estudados, logo, nós sabemos a melhor solução para os problemas que atingem a todos. Assim, vocês devem seguir incondicionalmente todas as nossa ordens, manifestando-se quando nós mandamos ou autorizamos, e da forma ordeira que queremos. Tal direito ao protesto serve apenas para pacificar vocês, enquanto nós continuamos a decidir o rumo que será melhor para todos”.

Já os Dirigentes Orgânicos pensam justamente o contrário, adoram um debate e uma reunião, querem que as massas sejam informadas de todos os pormenores da questão no intuído da tomada de conscientização e uma luta verdadeira e justa.

Os Orgânicos podem não saber exatamente as etapas do processo, e muitas vezes trocam os pés pelas mãos, mas sempre estão no meio do povo. Agora, olhe para as suas lideranças e veja em qual dos conceitos ela se enquadra. Reflita sobre a questão!

05 abril 2007

“Vamos festejar e os amigos receber...”


Hoje, este Blog completa 1 ano de existência, justamente no momento mais crítico da minha vida, o Blog tem sido o canal ideal para que eu possa me expressar melhor e praticar a escrita...

Sempre quis ter um veículo de comunicação na tentativa de criar uma contra-hegemonia, mesmo sem conhecer Gramsci, mas jornal é muito caro, então esta ferramenta democrática do Blog veio bem a calhar. Tudo começou quando a minha amiga Thaisa me mostrou seu Blog, foi amor e vontade a primeira vista, relutei ainda durante alguns meses, mas finalmente, em Abril de 2006 iniciei as atividades por aqui. Tenho muitas pessoas à agradecer, em especial os primeiros visitantes e parceiros, Júlio Moraes, Davis, Ju Mascarenhas, Geovanna e etc...

Muitas amizades blogueiras neste período, o Márcio Pimenta que é uma pessoa que admiro muito e tem um dos melhores Blog que conheço, o Catatau e o Omar idem, a Lara, Carlinha, Dorian e a Fernanda que fez meu layout...

Tive também alguns problemas com o Blog, moro em cidade pequena, então os comentários sobre os fatos locais incomodaram algumas pessoas, mesmo não citando nomes, foi a primeira censura feita ao Blog, até apaguei o texto... a segunda censura foi no post sobre o Halloween, inclusive gerando alguns atritos na Faculdade, que persistem até hoje.

Mas o saldo tem sido positivo, mais de 11 mil visitas, muitos comentários, muitas polêmicas levantadas, algumas críticas destrutivas, outras nem tanto, muitos elogios e convites para postar em outros Blog, pena que ainda não consegui tempo para tal. Mas enfim, quero deixar aqui o meu agradecimento à todos que dedicam um pouco do seu tempo para ler o que escrevo e ainda deixam seus comentários, espero que continuemos por mais alguns longos anos...

04 abril 2007

Um pouco de Futebol...


Polêmicas a parte sobre a forma de contagem feita pelo próprio Romário que pode atingir esta noite a marca de 1.000 gols, e a sua forma marrenta de ser, o baixinho merece todo o nosso respeito e homenagem.

A relação de amor e ódio do torcedor brasileiro para com ele começou nas eliminatórias para a Copa de 94, é verdade que a Seleção vinha bem, ganhando todos os jogos em casa e o Müller vinha dando conta do recado no ataque e a classificação viria sem maiores dificuldades, mas o único jogo de Romário naquela competição entrou para a história, dois gols que nos levaram aos EUA.

A Copa foi dele, claro que a Seleção é uma equipe, e que do roupeiro ao centroavante merecem homenagens, mas a participação de Romário foi fundamental, isso não podemos negar.

Também concordo que ele fala demais, mas pelo menos nos diverte, quando chamou Edmundo de bobo da corte vascaína, o Pelé de grande poeta calado, além de nunca negar que odeia treinamento, prefere um futevôlei com os amigos e que sempre levou mulheres para as concentrações.

Não é todo dia que um jogador marca 1.000 gols na carreira, ainda mais no Futebol força de hoje em dia, sem falar que Romário está com 41 anos de idade. Tudo bem, naqueles zagueiros do Campeonato Carioca até eu faço gols.

E o baixinho não nos cansa de surpreender, o destino lhe presenteou com uma filhinha portadora da Síndrome de Down, e lá está Romário demonstrando todo o seu amor pela filha e participando de campanhas contra a discriminação. Este é o gol mais importante da vida de Romário. Simplesmente, Parabéns!

02 abril 2007

O "apagão aéreo":


Confesso que não me lembro a fonte desta charge, ficarei devendo. Mas novamente vem à tona o tema do "apagão aéreo". Minha opinião já foi exaustivamente demonstrada neste Blog na outra oportunidade, e agora socorro-me desta imagem que diz por sí mesma... 90% dos brasileiros nunca andaram de avião, mas boa parte enfrenta ônibus lotado todos os dias. Mas o pior, compram a briga pela melhoria do sistema aéreo, mas não são capazes de reivindicar um transporte rodoviário de qualidade, até porque a Globo não empenha esta bandeira... e viva o Brasil!!!



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