28 janeiro 2007

Discurso da Revista Veja sobre o Agronegócio e o MST:

A revista Veja, em todas as suas reportagens, deixa implícita a idéia de que somente o Agronegócio é bom para a economia do país. Relaciona-se a agricultura familiar ao atraso, a um ideal romântico, mas já superado pelo mundo globalizado. Assim, desqualifica-se a pretensão do MST.

Enche-se as páginas da revista com número e mais números acerca das vantagens do Agronegócio, sua suposta produtividade e geração de emprego e renda[1], mas não se deixa que o MST fale sobre a questão, aliás, não se deixa que o movimento fale nunca, apenas quando a fala interessa para satanizá-lo.

O Ápice se dá na reportagem de Alexandre Secco, publicada em agosto de 2003, sob o sugestivo título de “O Brasil da solução... e o Brasil do problema”.

“Parece incrível, mas o MST se posiciona contra o nivelamento por cima dos dois brasis existentes no campo. O exército de João Pedro Stédile condena o atual modelo do agronegócio, que emprega, gera receitas e movimenta a economia e não demonstra nenhuma preocupação com o lucro nem com a produtividade quer (e tem conseguido) cada vez mais verbas para sustentar seu modelo duvidoso de reforma agrária”.[2]

Após uma exposição das vantagens do agronegócio para o Brasil, a Revista me sai com o comentário acima, em uma visível tentativa de formar a opinião de seu leitor segundo o seu interesse, ou seja, a solução é o agronegócio e o problema é o MST. O discurso visual também é contrastante, enquanto o agronegócio é mostrado com uma colheitadeira em uma grande plantação de soja, detalhe, não aparece nenhum trabalhador na foto, o MST é colocado em uma foto menor, de uma de suas marchas acompanhada de perto pela polícia.

[1] Ver os estudos realizados pela Deputada Luci Choinacki e publicados pela Câmara dos Deputados: “Desmascarando o latifúndio” e “As vulnerabilidades externas da economia brasileira, o agronegócio e o latifúndio improdutivo”.
[2] SECCO, Alexandre. O Brasil da solução e o Brasil do problema. Veja, São Paulo, ano 36, nº 31, p. 48-49, 06/08/2003. p.49

Obs: Parte integrante de um trabalho feito para a Faculdade sobre o Discurso da revista Veja em relação ao MST no primeiro Governo Lula/PT.

5 Comentários:

Às 29/1/07 12:03 AM , Anonymous catatau disse...

Hmmm, muito interessante, Cássio!

Não sei se você assistiu, mas no programa Brasil Nação, algumas semanas atrás, foi exatamente esse o tema. César Benjamin estava na mesa, e citou exatamente o mesmo exemplo que você, dos "2 brasis". O debate foi muito bom!

Excelentes também as referências q vc mandou... procurarei saber mais a respeito. Qto ao teu post, vc poderia até mesmo colocar a figura dos '2 brasis' para mostrar a discrepãncia, muito interessante o q vc elencou!

abração,

 
Às 29/1/07 11:35 AM , Anonymous Vinícius disse...

Cássio, descobri seu blog por meio da comunidade do Orkut "Caio Prado Jr". Além de um estilo blogueiro (texto curto e claro), você bem observou uma temática que jamais deve escapar do nosso foco: a hostilidade com o MST e a consequente criminalização dos movimentos sociais. Meu blog ainda não está propnto, mas dá uma olhada depois: http://marxismoedireito.blogspot.com/Até mais. Vinícius

 
Às 29/1/07 2:39 PM , Blogger Valenciano disse...

Apenas pra dizer q passei por aqui e inclui, finalmente, seu link no meu blog.

Obs: Por ser do pt, seu blog AZUL TUCANO tá show!

 
Às 1/2/07 1:41 PM , Blogger Dorian disse...

Cássio,

O MST não reivindica terra para trabalhar. O MST tem uma visão ultrapassada de mundo, onde, travestido de movimento social tenta instalar o socialismo no Brasil. Seus meios são bastante questionáveis. Seus líderes são verdadeiros manipuladores da miséria e da desilusão de pessoas que não tem senso crítico suficiente para entender no que se transformaram.

 
Às 1/2/07 6:16 PM , Anonymous Márcio Pimenta disse...

A revista Veja pratica o jornalismo burro mesmo para quem quer possui uma linha de pensamento liberal e elitizado. Mas o pior foi aquela capa com o Pedro Stédile pintado como o diabo.

Abraços!

 

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