21 novembro 2006

Cinema como Arte de seu tempo: (parte II)

Mas nem tudo no filme é história. A própria vida de Spartacus ainda não está muito esclarecida, afinal, não existe um documento de época que trate somente sobre o assunto, apenas menções sobre a Revolta, o que nos exige uma certa prevenção na análise, pois como sabido, os discursos romanos buscavam engrandecer o inimigo para valorizar a vitória.

Também algumas cenas do filme, e até mesmo personagens, foram introduzidas para uma maior deleite de seu público. Graco, senador apresentado no filme como concorrente de Crasso é uma criação, em uma evidente alusão aos ”irmãos Graco” que promoveram reformas em Roma. Tal personagem é retratado como o “bonzinho”, que dá a liberdade para seus escravos e ao final se mata. Também o suborno de Crasso aos piratas não é comprovado historicamente.

Por fim, Spartacus mais se parece com um Cristão dos anos cinqüenta e sessenta, do que com um escravo, provavelmente Analfabeto e que só pensava em lutar pela vida, seu caráter e romantismo são pouco prováveis para a época.

Portanto, antes de analisarmos as virtudes morais do Spartacus do Filme, precisamos ter em mente que o Cinema é uma arte voltada para o entretenimento com divulgação de ideologias, nada tem de científica e histórica, apenas baseia-se em fatos reais. E ao pensarmos que tal filme é de 1960, época de grande ebulição cultural, hippie, macartismo e guerra fria, fica mais fácil entendermos a introdução destes elementos não históricos.

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