01 novembro 2006

Breves comentários acerca de Cuba e a questão agrária:

Cuba era uma simples ilha de férias para a elite norte-americana, governada por um fantoche colocado no poder para garantir que os investimentos americanos fossem mantidos. Quando algum presidente cubano tentava atrapalhar os interesses norte-americanos, “a velha atitude do Big Stick se repetia: os marines (fuzileiros navais) desembarcavam na ilha para ‘restaurar a normalidade democrática’”.[1]

A população já não agüentava tanta humilhação, assim em 1953 alguns jovens tentaram derrubar o governo de Fulgêncio Batista, mas acabaram presos, entre eles estava o futuro líder da Revolução de 1959, Fidel Castro.

Exilado no México, Castro e seus camaradas conheceram o então jovem argentino Ernesto Guevara de La Serna, que aceitou juntar-se ao grupo que invadiria a ilha.

Assim, em 1956, doze guerrilheiros liderados por Fidel desembarcam em Sierra Maestra e iniciam a guerrilha contra as tropas de Batista. Logo os revolucionários ganharam o apoio dos camponeses locais e em 1959 entraram vitoriosos em Havana, a capital.

Nessa época, o campo cubano era dominado pelos latifundiários produtores de açúcar, enquanto à massa de camponeses restava apenas o trabalho.

Em maio de 1959, é promulgada a Lei de Reforma Agrária.

“Todas as terras dos latifundiários foram expropriadas (tomadas pelo governo) e distribuídas para as famílias camponesas pobres. Com isso, milhares de famílias de grandes proprietários pegaram todo o dinheiro que puderam e fugiram para a Flórida”.
[2]

Assim é que segundo Pinto Ferreira:

“ampliou-se logo a área de utilização das terras, que passou de 5 milhões de acres, em 1958, a 5,2 milhões, em 1959, e a 6 milhões, em 1960, diversificando-se as culturas, e aumentando-se profundamente a produção do arroz, do trigo, do milho, do feijão, da batata, do algodão, da carne, em milhares de toneladas”.
[3]

Outras medidas importantes tomadas pelo governo foi a redução nos preços dos aluguéis, livros e remédios, além da nacionalização das empresas estrangeiras, o que acabou por dar ensejo à Invasão da Baía dos Porcos, onde “exilados cubanos, armados e treinados pela CIA e apoiados pelo presidente Kennedy, tentaram invadir Cuba para derrubar Fidel Castro”
[4], que resistiu ao ataque imperialista transformando a pequena ilha em um reduto Comunista a apenas 150 km dos Estados Unidos.

As medidas tomadas pelo novo governo trouxeram grandes avanços à ilha, conforme Mário Schmidt “em Cuba, não havia mais favelas nem mendigos. Todas as crianças iam à escola e a assistência médica era de Primeiro Mundo”.
[5]

Com o fim da parceira União Soviética e devido ao embargo econômico patrocinado pelos Estados Unidos, Cuba vive hoje uma grave crise econômica, mas como disse Fidel, em 1953 quando se defendia no tribunal antes de ser deportado: “A história me absolverá”.

Notas:
[1] SCHMIDT, Mário Furley. Nova Historio Critica. São Paulo: Editora Nova Geração, 1999, 4v. p. 214.
[2] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 216.
[3] FERREIRA, Pinto. Curso de Direito Agrário. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 96.
[4] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 216.
[5] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 217.

4 Comentários:

Às 1/11/06 11:31 AM , Blogger animal storm disse...

Bravo Cássio, estás bien informado.
Saludos

 
Às 1/11/06 7:32 PM , Blogger roberta# disse...

éé...
apesar de implantar uma ditadura,fidel ´segue o que o mundo deveria seguir...
pelo menos ao meu ver,o marxismo seria o caminho ideal para acabar com as diferenças no mundo...maldito eua!!

 
Às 2/11/06 5:20 AM , Blogger Carlinha disse...

Gostei!
Crise econômica, quem não passa?
Mas ainda assim não deve ser tão ruim.
Sei de um cubando que sobrevive com salário de 50 dólares ao mês, mas não falta educação, saúde...
A história de guerra aos EUA, como disse a Roberta aí em cima, deveria servir de exemplo a todos.

 
Às 5/11/06 1:49 PM , Anonymous Don Pascual disse...

"Com o fim da parceira União Soviética e devido ao embargo econômico patrocinado pelos Estados Unidos, Cuba vive hoje uma grave crise econômica, mas como disse Fidel, em 1953 quando se defendia no tribunal antes de ser deportado: “A história me absolverá”."


Esse "embargo" é uma das maiores piadas da História! Existe apenas juridicamente, mas, na prática, não tem efeito nenhum! É uma falácia que só serve de pretexto para o ditadorzinho moribundo e seus asseclas fazerem demagogia barata e usarem de subterfúgio para perseguir, prender, torturar e até mesmo executar quaisquer oposicionistas dentro da ilha-cárcere para manter a repressão. Eu achei nos sites do jornal cubano Granma e do cyber-panfleto esquerdista Vermelho.org notícias a respeito do crescimento do comércio com outros países além dos EUA, que continuam normalmente:

http://www.granma.cu/espanol/2006/junio/juev8/acuerdo.html
http://www.granma.cu/espanol/2006/abril/mier19/17niquel.html
http://www.granma.cu/espanol/2006/abril/mar11/firman.html
http://www.granma.cu/espanol/2006/abril/mar11/constituida.html
http://www.granma.cu/espanol/2006/enero/mier18/alimport.html
http://www.granma.cu/espanol/2005/noviembre/lun14/ron.html
http://www.granma.cu/espanol/2005/noviembre/mier2/vietnam-e.html
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=235

Estes são somente alguns exemplos de que o comércio externo cubano não é tão "prejudicado" como se imagina. Se quiser mais, acesse o Granma na sessão de economia e verá uma infinidade de outros exemplos.

Isso, logicamente, sem tocar no fato de que Cuba fez parte do COMECON, o tratado comercial do bloco socialista durante a Guerra Fria e recebeu durante quase 30 anos uma generosa ajuda de US$ 4 a US$ 6 bilhões de dólares anualmente da súcia de Moscou, o que dá, no mínimo, US$ 120 bilhões em 30 anos, colocando por terra essa babaquice de “isolamento”, sem falar que a União Soviética comprava açúcar e tabaco de Cuba a preços inflacionados e exportava para a ilhota combustível e produtos industrializados a preço de banana, o que deveria ter proporcionado a Cuba um imenso superávit comercial.

E eu me pergunto: o que Fidel fez om essa dinheirama?

 

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