30 novembro 2006

O que Aristóteles entende por amizade?

Para Aristóteles, a amizade é acima de tudo uma virtude, ou pelo menos implica em atitudes virtuosas, não é apenas necessária, mas principalmente é nobre. As principais características de uma amizade verdadeira são o convívio, semelhança, tempo e intimidade. Vários são os exemplos de amizade dados pelo nosso Autor no decorrer de sua obra “Ética a Nicômaco”.

Mesmo os mais ricos necessitam de amigos para viver, por outro lado, Aristóteles afirma que é na pobreza que os homens descobrem quem realmente os quer bem.

A Amizade pode ter em vista o bem, o prazer ou ainda à utilidade. “Os que amam pelo que é bom para eles mesmos, e os que amam por causa do prazer, amam em virtude do que é agradável a eles, e não na medida em que o outro é a pessoa amada, mas na medida em que é útil ou agradável”.[1]

Assim, a amizade calcada no prazer existe apenas enquanto proporcionar algum prazer à pessoa, quando tal encerra, cessa-se também a amizade, logo, esta não é uma amizade verdadeira, mas sim tão somente por interesse prazeroso. Idêntico ocorre quando a amizade é calcada pela utilidade, acabando esta, cessa também a amizade.

Exemplos podemos citar: na amizade por prazer temos a dos jovens que se apaixonam e desapaixonam com muita velocidade; na amizade por utilidade, podemos observa-la nos bandidos que tornam-se amigos para um determinado fim ou mesmo vantagem. “Amizade que se baseia na utilidade é própria das pessoas de espírito mercantil”.[2] Ainda, uma amizade baseada na utilidade o amigo usa o outro em seu próprio benefício, surgindo as queixas e censuras unicamente nesta forma de ligação.

Mas como dito, para Aristóteles “a amizade perfeita é a dos homens que são bons e afins na virtude, pois esses desejam igualmente bem um ao outro enquanto bons, e são bons em si mesmos”.[3] Estes agem assim em virtude de sua própria natureza, sem exigir qualquer coisa em troca, logo, tal amizade será duradoura. Não se pode negar aqui que uma amizade baseada neste princípio não será prazerosa ou mesmo útil, no entanto esta não é a intenção principal.

Uma amizade verdadeira pressupõe convívio, familiaridade, intimidade, pois a convivência contínua faz bem para ambos, e estar sempre perto de pessoas assim eleva a alegria e a felicidade do homem, “nada é mais característico dos amigos do que o convívio”[4]. Outrossim, a distância nunca cessará uma amizade, no máximo a interromperá.

Aristóteles entende que somente os bons podem possuir uma amizade verdadeira, pois o convívio entre tais é sempre agradável. Já os maus ou mesmo os acrimoniosos têm mais dificuldades em fazer amizades pois o convívio com uma pessoa desta não é prazeroso.

Entre iguais, é mais um requisito para uma real amizade segundo Aristóteles, pois somente dois homens em pé de igualdade possuem os mesmo interesses e trejeitos, quando a amizade é entre superior e inferior, seja lá qual o conceito de Aristóteles para tais termos, a afeição não será verdadeira nem permanente.

Os amigos repartem tudo, sejam os bens, sejam as cumplicidades. Toda amizade envolve uma associação, os amigos tornam-se companheiros de viagem. O amigo é para Aristóteles uma espécie de outro “eu”.

Mas uma amizade verdadeira calcada na bondade também acaba? Aristóteles responde que sim, quando nosso amigo se revela mau, pois só se pode amar o que é bom.

Portanto, resumidamente Aristóteles reconhece que existem amizades por prazer ou utilidade, e todos nós a temos e devemos ter, pois vivemos em sociedade de dependemos de serviços prestados por outras pessoas. No entanto, a verdadeira amizade é baseada na cumplicidade e benevolência entre os amigos, sem querer nada em troca, apenas pelo prazer da companhia, e somente esta amizade é duradoura.

[1] ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. p.181.
[2] ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. p. 185.
[3] ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. p. 181.
[4] ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. p. 184.

28 novembro 2006

Sobre torcidas no Paraná


Sou paranaense de nascimento e de coração, mas torço por um time do estado de São Paulo, algo normal, afinal, somos antes de tudo brasileiros e livres, mas muitos curitibanos revoltam-se contra os paranaenses que torcem para times de outros estados.

Moro no Extremo Noroeste do Estado, divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul, local colonizado nos anos 50, e até hoje a região sofre grande influência do estado Paulista, nossas gírias e sotaque que o digam. Então, aqui torcemos para Palmeiras, Santos, São Paulo ou Corinthians, salvo raras exceções.

A Região do Oeste e do Sul do estado do Paraná foi colonizada principalmente por Gaúchos, quem conhece a região sente o sotaque e a cultura gauchesca presente, lá, a maioria torce pelo Internacional ou pelo Grêmio.

Para os revoltosos curitibanos que não se conformam com nossa escolha futebolística, basta conhecerem um pouco da história do nosso Estado, mas, como a maioria da população da capital pensa estar na Europa, acredito que estão mais interessados em continuar tratando o interior como simples colônia da capital, cheia de “jeca-tatu”, que devem apenas dizer “amém”. Que o digam diversos governadores.

Mas, não é porque torço para o São Paulo Futebol Club, que isso me impede de ter certa simpatia pelo Atlético Paranaense, inclusive, as vezes que estive na Capital sempre fiz uma forcinha para acompanhar os jogos da equipe, até tenho uma camisa do Clube e uma da Torcida Organizada. Também torço para que os demais times do Estado se dêem bem nas competições, fiquei frustrado com o Coritiba não ter subido para a primeira, bem como estou torcendo para o Paraná chegar à Libertadores.

Obs: Post inspirado em texto do “Formador de Opinião”.

26 novembro 2006

Eu já visitei a Câmara dos Deputados

Em outubro de 2004, tive a oportunidade de passar uma semana na Câmara dos Deputados, participando do programa de “Estágio Visita de Curta Duração”, assim, cada Deputado por indicar dois universitários por ano para participar deste programa, que tem como objetivo o de aproximar da população os trabalhos legislativos.

Lá foi uma semana dentro da Câmara dos Deputados, seus infinitos corredores, salas, burburinho, repórteres, e a gente com livre acesso à tudo. Foram diversas palestras sobre o funcionamento da casa, além dos debates, é claro, os organizadores do Estágio disseram que a nossa tinha sido a melhor turma até então.

Legal é que petista se encontra fácil, montamos até uma bancada lá, sempre sentávamos juntos, os únicos politizados. Eram uns cinqüenta participantes, de todos os cantos do Brasil, o intercâmbio cultural foi excelente, algo inesquecível, até fiz verdadeiras amizades por lá. Pena que alguns lá estavam para fazer turismo, escolhidos sabe-se lá como pelos deputados.

Mas o mais intrigante é que deputado trabalha sim, e muito, pelo menos alguns que estão lá para isso. Quando a Globo mostra o plenário vazio, não mostra as comissões cheias, onde realmente acontece o processo legislativo, as audiências públicas. Assistam à TV Câmara que entenderão o que estou falando.

23 novembro 2006

Sobre os aeroportos:

Estive um pouco ausente estes dias, muita correria por aqui, postei trabalhos da Faculdade, que infelizmente não foram muito comentados, mas como as coisas estão se acalmando, acho que já dá pra voltar à ativa. Como o assunto da vez é a “crise dos aeroportos”, lá vamos nós, arriscar a comentar o assunto.

A mídia tem dispensado enorme atenção ao assunto, inúmeras reportagens sobre os perigos que correm nossos passageiros, as péssimas condições de trabalho dos controladores e etc... Comungo desta preocupação, até porque vidas humanas estão em risco, mas o estardalhaço está demais.

Porque ninguém se preocupa com as péssimas condições de trabalho dos cobradores e motoristas de ônibus, que rodam o dia inteiro em um trânsito caótico? Porque ninguém se preocupa com a estrutura das rodoviárias deste país, sem segurança e sem conforto? (salvo raras matérias espalhadas e oportunistas) É simples, na rodoviária tem retirante/pobre, e no aeroporto tem turista/empresários/rico. (tudo bem, estou generalizando, mas é esta a intenção)

São incríveis aquelas cenas de “riquinhos” dormindo no chão arcapetado e com ar condicionado dos aeroportos, mas mais incrível ainda, são as cenas de crianças abandonadas dormindo ao relando numa calçada de grande cidade, e cadê a indignação? Lógico que um problema não justifica o outro, mas...

Quantos milhões em investimentos os aeroportos receberam e recebem? E quanto as estradas e rodoviárias têm? Façamos o cálculo pelo número de pessoas que utiliza o transporte aéreo e o número que utiliza o rodoviário, a diferença é gritante. Reafirmo aqui, sou solidário à questão dos aeroportos, o que estou criticando é o oportunismo com que tem sido tratada a questão.

22 novembro 2006

Decodificando Spartacus no século XXI: (parte III - Final)

Como princípio da Escola de Frankfurt, a mídia, no caso o Cinema, não passa de uma codificação voltada para incutir idéias e pensamentos uma verdadeira “indústria cultural”. Mas tentemos fazer um esforço, no sentido de decodificar o filme Spartacus no contexto do século XXI, mesmo correndo o sério risco de entrarmos em um anacronismo sem fim.

Primeiramente, será que ainda existe um grande Império e os seus colonizados? Quem seria o grande Império opressor e quem seriam os escravizados? As contradições daquela época ainda são existentes hoje? E as revoltas? Etc.

As respostas são óbvias. O filme é um alerta para a situação em que vivemos, um grande Império hegemônico ainda domina o mundo, seja militar econômica ou ideologicamente, causando diversas contradições, alguns muito ricos e outros muito pobres e explorados.

Estas contradições geram revoltas não somente contra o Império, mas também contra seus aliados locais e de conveniência. A corrida armamentista nuclear, os movimentos sociais em diversos países e os “ataques” terroristas são apenas efeito desta política Imperial do século XXI.

21 novembro 2006

Cinema como Arte de seu tempo: (parte II)

Mas nem tudo no filme é história. A própria vida de Spartacus ainda não está muito esclarecida, afinal, não existe um documento de época que trate somente sobre o assunto, apenas menções sobre a Revolta, o que nos exige uma certa prevenção na análise, pois como sabido, os discursos romanos buscavam engrandecer o inimigo para valorizar a vitória.

Também algumas cenas do filme, e até mesmo personagens, foram introduzidas para uma maior deleite de seu público. Graco, senador apresentado no filme como concorrente de Crasso é uma criação, em uma evidente alusão aos ”irmãos Graco” que promoveram reformas em Roma. Tal personagem é retratado como o “bonzinho”, que dá a liberdade para seus escravos e ao final se mata. Também o suborno de Crasso aos piratas não é comprovado historicamente.

Por fim, Spartacus mais se parece com um Cristão dos anos cinqüenta e sessenta, do que com um escravo, provavelmente Analfabeto e que só pensava em lutar pela vida, seu caráter e romantismo são pouco prováveis para a época.

Portanto, antes de analisarmos as virtudes morais do Spartacus do Filme, precisamos ter em mente que o Cinema é uma arte voltada para o entretenimento com divulgação de ideologias, nada tem de científica e histórica, apenas baseia-se em fatos reais. E ao pensarmos que tal filme é de 1960, época de grande ebulição cultural, hippie, macartismo e guerra fria, fica mais fácil entendermos a introdução destes elementos não históricos.

20 novembro 2006

Spartacus e Roma Antiga: (parte I)

O Filme Spartacus, de Stanley Kubrick, pode-nos trazer uma boa idéia do sistema Romano, sua república corrompida, as lutas desleais pelo poder, além é claro das grandes contradições sociais de seu tempo. A sociedade romana é mostrada nua, isto é, as traições sexuais, morais e políticas são bem retratadas, os escravos apenas como objeto, sem dignidade alguma também mereceram destaque no filme.

A República já decadente daquela época, século II a.C., pode ser friamente analisada, figuras históricas como Pompeu, Crasso e Júlio César nos trazem a dimensão da disputa pelo poder, o primeiro Triunvirato Romano, que deu início à derrocada do sistema republicano e a ascensão da figura do Imperador.

Os escravos, mal tratados e sem direitos, famintos e sem esperanças, enquanto os senhores banhavam-se em enormes banquetes. Mas existia a política do “Pão e Circo”, também retratada no Filme, seus gladiadores batalhando até a morte para divertir a população, mas principalmente seus senhores. A vida do escravo não valia muita coisa. Tal contradição desembocou em diversas rebeliões de escravos, cujas principais são as da Sicília e esta liderada pelo escravo Spartacus.

16 novembro 2006

O povo sabe votar?

Assunto que sempre vem a tona em períodos eleitorais é se o povo sabe votar, e nesta eleição presidencial o tema foi recorrente, os eleitores de Alckmin acusavam os de Lula de burros e por conseqüência não saberem votar.

Sempre se fala para não “trocar” o voto por uma Cesta Básica, por um emprego, uma consulta no hospital, não votar naquele deputado que “apenas” trouxe uma ambulância nova ou ajudou a liberar uma verba para a reforma da escola e etc. Pois bem, concordo com tudo isso.

Mas é muito fácil para os “intelectuais” deste país, os “formadores de opinião” que ficam em suas salas com ar condicionado, “pensando” e escrevendo para os jornais. Seus filhos estão em escola particular, não precisam do transporte público e possuem plano de saúde.

Agora, o povão mesmo não ta nem aí para o que uma “elite letrada” fala, afinal, não sentem na pele o que estes sentem. O povo vota de acordo com as suas necessidades, será que isso é errado? Vota em quem trouxe uma ambulância nova para a cidadezinha do interior, afinal, é ele quem vai precisar da ambulância nova e não o “intelectual”. O voto do pobre neste sentido é muito coerente, votaram no Lula porque foi o primeiro a pelo menos lhes dar de comer, claro que é pouco e não resolve o problema.

Acho que esta idéia de que o povo não sabe votar tem que ser melhor problematizada. O que você acha?

14 novembro 2006

Globo x Record

Acho que a Globo não está com esta moral toda, mas sempre aparece neste Blog, já é o terceiro post seguido, mas vamos ao assunto. Nunca fui simpático ao Milton “Merchan” Neves, mas hoje, em seu programa esportivo do meio-dia, que mais parece um sitcom, falou algumas verdades que estão engasgadas na garganta de muitos torcedores brasileiros, conseguiu até me prender na frente da TV.

A Rede Globo há muito tempo detêm o monopólio das transmissões esportivas deste país, e vem com isso destruindo a vontade do brasileiro em acompanhar futebol, só passa jogo do Corinthians, Flamengo e afins, isso quando não rola um clássico como Juventude x Botafogo, São Caetano x Fluminense ou então Ponte Preta x Vasco da Gama.

Bons tempos eram aqueles de transmissões da Bandeirantes, o canal do Esporte, quem não se lembra dos clássicos paulistas, o dia todo de cobertura, a saída dos ônibus da concentração, entrevistas dos torcedores na porta dos estádios e depois a cobertura dos vestiários, saudosismo puro!

Mas hoje a coisa é bem diferente, a Rede Globo compra os direitos de transmissão dos Campeonatos, vende um pedaço para a Record (só pra ajudar nas despesas) e força a emissora concorrente a passar o mesmo jogo seu. Ora, é chamar o telespectador de idiota, porque duas emissoras transmitem o mesmo jogo? Cadê a democratização do acesso e da informação? Eu escolho o Presidente da República e não posso escolher o jogo que vou assistir no domingo a tarde?

Mas hoje o circo pegou fogo de vez, a Record cansou de ser coadjuvante, ofereceu R$ 70 milhões de reais pelos direitos de transmissão do Paulistão 2007, quase o dobro do que a Globo ofereceu, e ainda se propõe a transmitir jogos na quarta-feira às 8:00 da noite, o que diga-se, já era hora. Reunião às pressas foi convocada na Federação Paulista, às portas fechadas reuniram-se os dirigentes, São Paulo e Santos são favoráveis à Record, os restantes ainda não se manifestaram, talvez medo da toda poderosa.

Aguardemos os próximos capítulos desta novela, e espero que o bandido, ou seria o mocinho Record vença. Ah! E sou a favor de que as TVs Educativas dos Estados transmitam seus campeonatos regionais, de graça, imaginem, Paulista, Carioca, Paranaense, Mineiro, Cearense, Baiano, etc, etc, etc... tudo na sua TV, a um clique do controle remoto. E viva a liberdade de escolha!

13 novembro 2006

Periferia na Globo:


Pois é, a Rede Globo tem muitos erros, mas também quando acerta merece o nosso elogio, aquele programa da Regina Casé que mostra as periferias do Brasil é excelente.

Neste último domingo me deliciei com a história de um professor de Surf em uma periferia de Fortaleza, simplesmente o máximo, serviu pelo menos para levantar o astral neste início de semana, ah se toda comunidade tivesse pessoas com este compromisso de tirar as crianças das ruelas da vida e lhes transformar não apenas em esportistas, mas principalmente em seres humanos.

A periferia de Moçambique então, uma das melhores reportagens que já vi, não importa onde, periferia é sempre periferia e também tem muita cultura. Regina Casé é excelente na condução das matérias, ela é do povo, parece gostar do que faz, não como um certo Pedro Bial que cruzou o país dentro de um ônibus/casa, falando em revoadas de pássaros, e ninguém mais lembra disso, afinal, não teve importância alguma aquela coisa.

Mas o “Minha Periferia” tem mostrado uma periferia que o Brasil não conhecia, isto é, não é somente bandidos e drogas, há também música, esporte, arte, pessoas que trabalham em prol do bem comum e na busca de uma vida melhor para as pessoas da comunidade, enfim, periferia também é cultura!

11 novembro 2006

Requião faz Globo passar vergonha:

Já me referi aqui neste Blog sobre a figura do Governador Roberto Requião, seu estilo populista e “dono da verdade”, mas quando ele acerta merece o nosso elogio.

Nesta semana, o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre os Portos brasileiros, mostrando a situação de cada um, o que tem dado certo e o que tem dado errado no entender da emissora. Pois bem, terça-feira falou-se sobre o Porto de Paranaguá, imagens com filas intermináveis e críticas por parte do repórter Ernesto Paglia.

Na quarta-feira, em seu canal estatal, Requião repudiou a reportagens, disse que desde 2004 o Porto não enfrenta mais problemas de fila quilométricas, que Paranaguá foi o Porto que mais recebeu investimento público em todo o País, chamou o repórter de mentiroso e perguntou quais os interesses que estariam por trás da reportagem da rede Globo.

Ontem, nosso querido Willian Bonner retratou-se em cadeia nacional, com uma cara de péssimos amigos, reconheceu que o que dito por Requião, pediu desculpas pelo erro e salientou que a fila de caminhões mostrada na reportagem era por causa do protesto dos agricultores (Golpe Branco) e para hoje ainda é prometida mais uma reportagem mostrando os avanços do Porto no Governo Requião.

Ora, talvez você esteja pensando que a Globo é humilde por pedir desculpas e reconhecer o erro, ledo engano, tal retratação só veio após o pronunciamento do Governador Requião e à mais de dez cartas enviadas à emissora por empresas que atuam no Porto. Como dito já em outros textos deste Blog, as pessoas insistem em confundir com notícia aquilo que vêem na TV.

10 novembro 2006

“Alguma coisa acontece no meu coração...”


No fim de semana do segundo turno, fiz uma visita, juntamente com o pessoal da minha turma de História ao centro velho de São Paulo. Já conhecia aquelas praças, aquele lugar, mas com um guia como meu professor, o passeio foi ainda melhor.

Começamos pelo Pátio do Colégio, onde se iniciou a cidade de São Paulo, ô lugar cheio de histórias! Foi lá que os jesuítas se fixaram. Após, Catedral da Sé, sua opulência, e imponência, contrastando com diversos mendigos e alcoólatras (vítimas do sistema) que lotam a sua praça.

Andamos bastante pelos calçadões, o que ao mesmo tempo é lindo e histórico, é triste em ver tanta sujeira e ambulantes (apenas ganhando a vida). Precisa-se urgente de um programa de restauração, retirar aquelas placas e fios que deixam o lugar muito feio. Deveria-se apostar no turismo!

Fomos ao Teatro Municipal, lindo por fora, mesmo com seus mendigos, e mais lindo ainda por dentro. Lugar construído pela elite e para a elite, com suas colunas e detalhes banhados a ouro. Só conseguimos entrar depois de muita insistência e um discurso “marxista” por parte de meu professor. Tivemos a grata oportunidade de ainda acompanharmos a apresentação de uma Orquestra Sinfônica.

Por fim, a Hospedaria do Imigrante, como o próprio nome já diz, o local onde os imigrantes recém chegados de diversas partes do mundo ficavam antes de serem levados às fazendas de Café. Para eu, o ápice da visita, um lugar cheio de histórias e que sabe preserva-la, para quem não conhece, vale a pena uma visita.

09 novembro 2006

Os dois melhores Clubes do Brasil:

Depois de muito tempo, o assunto volta a ser futebol, o último post sobre o tema foi próximo às finais da Libertadores entre São Paulo e Internacional, tentei demonstrar a competência dos dois clubes e seu planejamento que culminou com aqueles excelente final. Pois bem, passado algum tempo, São Paulo e Internacional voltam a decidir um campeonato, agora o Brasileiro, nada mais justo.

O São Paulo sempre teve um excelente planejamento, quem não se lembra dos “Menudos do Morumbi”, depois a “Era Telê”, as Libertadores e Mundiais, e agora, no início deste novo século, sempre no topo da classificação de todos os campeonatos disputados. Este ano mesmo, o SP teve três vice-campeonatos e agora está no caminho do título brasileiro.

O Internacional, depois do susto do quase rebaixamento no brasileiro a algum tempo atrás, sacudiu a poeira e fez uma limpeza na casa, os resultados vieram. Campeão moral do Brasileiro do ano passada, Campeão da Libertadores deste ano e o único que tem chances de impedir o triunfo Tricolor no Brasileiro 2006.

Os dois não são apenas times de futebol, são mais que isso, são Clubes. Comprar argentinos e trocar de técnicos é fácil, é só ter dinheiro, agora planejamento, competência e boa administração já é mais complicado. Um bom time pode dar resultados imediatos, agora um grande Clube terá resultados mais duradouros. Que vença o melhor, entre SP e Inter o título ficará em boa mãos.

07 novembro 2006

Não confunda com notícia, aquilo que você lê no Jornal:

Você conhece os principais Padrões de Manipulação utilizados pela Mídia? A seguir os principais e mais utilizados:

_ Ocultação, que se refere justamente à decisão sobre o que será e o que não será notícia;
_ Fragmentação, uma vez superada a primeira fase, é feita uma fragmentação da realidade, expondo-se apenas o que for interessante segunda a lógica do emissor;
_ Inversão, a destruição da realidade original e a criação de uma nova;
_ Indução, o leitor acaba induzido a ver o fato noticiado não como ele é, mas sim como o apresentam;
_ Personificação, visando a criação de bodes expiatórios;
_ Maniqueísmo, que tenta dividir a questão em certa ou errada, bom ou mal.

Agora, quando você ver/ler uma notícia, tenha em mente estes padrões e Manipulação. A Mídia nunca mais será a mesma para você.

04 novembro 2006

Cartas de Amor... Ridículas!!!

Para provar que os comunistas também amam, um pouco de Poesia neste Blog, até porque estou sem tempo para escrever textos.

"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade e que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que sãoRidículas

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
Fernando Pessoa

Que atire a primeira pedra quem nunca escreveu cartas de amor. Eu já escrivi, e muitas, mas todos, ridículas, até porque, eram de amor.

02 novembro 2006

Sobre Halloween e Dia de Finados:


Esta semana comemoramos o Halloween, ou melhor, algumas pessoas comemoraram esta festa. Não sou contra o intercâmbio cultural, muito pelo contrário, o que sou contra é a “aculturação”. Uma festa como o Halloween, nascida na Irlanda e levada para os Estados Unidos pelos colonizadores e hoje trazida até nós pelo Imperialismo, não tem nada a ver com a Cultura brasileira.

No folclore já é rico por demais, com suas lendas belíssimas. A Mula sem Cabeça, o Boitatá, sem falar que no mesmo dia do Halloween, comemoramos o dia do Saci Pererê, alguém sabia? Alguém lembrou? Alguém comemorou? Alguma escola? Pouco provável.

Pior mesmo foi na Faculdade, o curso de Letras promoveu uma festa em sua classe, decorada, com músicas “estranhas” e todos vestidos à caráter e distribuindo doces, muito bons por sinal. O pior mesmo foi quando visitaram a minha turma de História justamente durante uma aula de “História Cultural”, onde debatíamos as questões de manipulação, hegemonia e contra-hegemonia. Matando a sua curiosidade, ninguém fez piadinhas com os pobres [CENSURADO].

Hoje, dia dois de novembro, é feriado nacional, Dia de Finados. Alguns bradam contra esta comemoração, julgando-a pagã, uma vez que estariam, principalmente os católicos, cultuando os seus mortos. Não vejo desta forma, mas sim como um dia especial para lembrarmos dos nossos antepassados, lhes prestarmos homenagens e refletirmos um pouco sobre a vida, afinal de contas, um dia todos nós estaremos no mesmo lugar, o cemitério, mas até lá, temos muito o que fazer, mas será que estamos fazendo correto/bem?

01 novembro 2006

Breves comentários acerca de Cuba e a questão agrária:

Cuba era uma simples ilha de férias para a elite norte-americana, governada por um fantoche colocado no poder para garantir que os investimentos americanos fossem mantidos. Quando algum presidente cubano tentava atrapalhar os interesses norte-americanos, “a velha atitude do Big Stick se repetia: os marines (fuzileiros navais) desembarcavam na ilha para ‘restaurar a normalidade democrática’”.[1]

A população já não agüentava tanta humilhação, assim em 1953 alguns jovens tentaram derrubar o governo de Fulgêncio Batista, mas acabaram presos, entre eles estava o futuro líder da Revolução de 1959, Fidel Castro.

Exilado no México, Castro e seus camaradas conheceram o então jovem argentino Ernesto Guevara de La Serna, que aceitou juntar-se ao grupo que invadiria a ilha.

Assim, em 1956, doze guerrilheiros liderados por Fidel desembarcam em Sierra Maestra e iniciam a guerrilha contra as tropas de Batista. Logo os revolucionários ganharam o apoio dos camponeses locais e em 1959 entraram vitoriosos em Havana, a capital.

Nessa época, o campo cubano era dominado pelos latifundiários produtores de açúcar, enquanto à massa de camponeses restava apenas o trabalho.

Em maio de 1959, é promulgada a Lei de Reforma Agrária.

“Todas as terras dos latifundiários foram expropriadas (tomadas pelo governo) e distribuídas para as famílias camponesas pobres. Com isso, milhares de famílias de grandes proprietários pegaram todo o dinheiro que puderam e fugiram para a Flórida”.
[2]

Assim é que segundo Pinto Ferreira:

“ampliou-se logo a área de utilização das terras, que passou de 5 milhões de acres, em 1958, a 5,2 milhões, em 1959, e a 6 milhões, em 1960, diversificando-se as culturas, e aumentando-se profundamente a produção do arroz, do trigo, do milho, do feijão, da batata, do algodão, da carne, em milhares de toneladas”.
[3]

Outras medidas importantes tomadas pelo governo foi a redução nos preços dos aluguéis, livros e remédios, além da nacionalização das empresas estrangeiras, o que acabou por dar ensejo à Invasão da Baía dos Porcos, onde “exilados cubanos, armados e treinados pela CIA e apoiados pelo presidente Kennedy, tentaram invadir Cuba para derrubar Fidel Castro”
[4], que resistiu ao ataque imperialista transformando a pequena ilha em um reduto Comunista a apenas 150 km dos Estados Unidos.

As medidas tomadas pelo novo governo trouxeram grandes avanços à ilha, conforme Mário Schmidt “em Cuba, não havia mais favelas nem mendigos. Todas as crianças iam à escola e a assistência médica era de Primeiro Mundo”.
[5]

Com o fim da parceira União Soviética e devido ao embargo econômico patrocinado pelos Estados Unidos, Cuba vive hoje uma grave crise econômica, mas como disse Fidel, em 1953 quando se defendia no tribunal antes de ser deportado: “A história me absolverá”.

Notas:
[1] SCHMIDT, Mário Furley. Nova Historio Critica. São Paulo: Editora Nova Geração, 1999, 4v. p. 214.
[2] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 216.
[3] FERREIRA, Pinto. Curso de Direito Agrário. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 96.
[4] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 216.
[5] SCHMIDT, Mário Furley. op. cit. p. 217.



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