27 outubro 2006

Indukasão... heim?

Algumas pessoas fazem discursos e mais discursos sobre a evasão escolar, sobre a falta de interesse dos alunos em aprender e que os alunos não respeitam mais os professores e etc. Pois bem, querem mais o que com uma grade curricular destas? Vamos aos argumentos:

Temos muitas disciplinas que não têm relação alguma com o dia-a-dia de uma criança, e quando o têm o ensino é muito teórico o que acaba transformando a aula em algo muito chato e maçante. Nas palavras de Gilberto Dimenstein: “O melhor que uma escola tem a fazer por uma criança é despertar o prazer pelo aprender. A escola deve ensinar a criança a pesquisar e a aplicar os dados e não ficar decorando tabela periódica, por exemplo”.

Outra coisa, a escola deve ser um lugar agradável, bem limpa e arejada, onde a criança vá não só para aprender, mas principalmente para se aprender se divertindo. Como diria o grande Rubem Alves: “Nenhuma criança evade de um parque de diversão, de um circo ou de uma sorveteria (...) o que se aprende tem que fazer algum sentido”.

Isto seria o ideal, agora, esta mudança implicaria também em uma mudança de atitude dos professores, e temos muitos que são relaxados mesmo, e vêm com aquele discurso de que “_ Eu dou aulas à vinte anos!”, claro que o incentivo financeiro também não ajuda. Não quero aqui dizer que não existam professores sérios, muito pelo contrário, admiro todos eles.

Mas como disse, chega de aprendermos as partes da raiz de uma planta, chega de decorarmos fórmulas apenas para uma prova, precisamos fazer com que a escola cumpra o seu real objetivo, o de educar para a vida e não apenas para apertar um botão em uma multinacional.

3 Comentários:

Às 28/10/06 7:47 AM , Anonymous jeferson pereira_ctba disse...

Leciono na periferia para ensino médio. Vez por outra um aluno me pergunta: "Professor, porque q tenho que estudar isso?" Minha vontade é de responder: "Para não ficar fazendo perguntas idiotas." Claro que não posso falar isso.

Professores com baixa remuneração e preparação inadequada são realmente problemas que afetam a qualidade de ensino no nosso país.

Concordo quando você diz que o ensino deve refletir o dia-a-dia dos alunos, mas não se pode desprezar os conceitos fundamentais de cada disciplina. Esta semana tive contato com o livro de Química para ensino médio do governo do Estado do Paraná. Os conceios básicos não existem no livro. Nem sequer uma tabela periódica para consulta.

Temo que aconteça com o ensino médio o mesmo que já acontece com o fundamental. Alunos chegam ao 1° ano do médio sem saber escrever e lendo com muita dificuldade. Por mais elaborada que seja uma aula se o aluno não quiser estudar...
Tenho alunos que chegam em sala, sentam e cruzam os braços só esperando a hora do intervalo para fazer mais barulho do que já fazem durantes as aulas.

A condição social destas crianças se reflete de maneirasignificativa na qualidade de ensino. Assim não bastam aulas atraentes correlacionadas com seu dia-a-dia se a escola é só um local para encontrar os amigos.

Os alunos fracos não podem ser reprovados, pois, se assim for, "eles deixarão a escola" (evasão). Deste modo ficaremos sempre com um problema: ou todos os alunos na escola sem saber ao certo o que estão fazendo; ou poucos alunos na escola mas efetivamente aprendendo algo para suas vidas.

 
Às 29/10/06 8:49 PM , Blogger Carlinha disse...

Quando você fala de evasão escolar, fica claro que trata-se de escolas públicas. Então assim exponho minha opinião:
Tive amigas que choravam ao chegar em casa e comentavam que seus alunos diziam: "Estudar pra quê? Não serei mesmo reprovado".
Este é o ponto mais dolorido deste câncer.
Os outros pontos, podemos dizer, falta de preparo dos professores (foram alunos nas mesmas condições? talvez um pouco melhores).
Mas, Cássio, a situação está de um jeito que só com uma boa politica pode-se mudar isto.
Soma-se a tudo isto a baixa remuneração e reconhecimento dos mestres, que mesmo sendo bem preparado não há animo que aguente tamanho descaso.
Hoje em dia ser professor não é honroso, sendo até de se "ter pena quando" alguém escolhe esta profissão.
O que "ferra" mais ainda é que parece que não muda tão cedo. Senão contarmos com alguns profissionais que tentam com as armas que podem lecionar bem, não podemos dizer o mesmo, ainda, da política. Investimento não dá retorno em votos, e torna o povo mais inteligente pra não colocá-los de volta ao poder.
Isto porque não mencionei que quando fiz uma matéria de normas de pesquisa e afins, na UNI9 "é dez" em SP, juntamente com um bando de mulheres da turma de letras, meus ouvidos queriam fazer com que meu corpo se matasse: "Professora, não dá para aplicar um livro mais leve?" "Eu não gosto de ler" "Este Rubem Alves tem uma leitura dificil, não poderia passar algo para nós (alunos, futuros professores!!!) algo mais leve, direcionado aos pais?".
Foi de querer morrer, realmente. Meus filhos estarão nestas mãos!!! Socorro!
E um segredo: meu ódio ao PSDB começou nos idos de 2000, quando estudava numa universidade estadual que quase foi assassinada pelo Mário Covas, mas vou deixar pra contar a história inteira no meu blog quando baixar um pouco a poeira de eleição - quase fui linchada.
Abraços!

 
Às 30/10/06 2:52 AM , Blogger Fabiano Roberto disse...

acredito que a coisa mais importante é aprender a ter prazer em aprender, as escolas tem que dispertar a curiosidade, pois nesse mundo atual que muda tão rapido parece que teremos que aprender pela vida toda.

 

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