30 outubro 2006

Segundo Turno!


Finalmente as eleições chagaram ao seu final, não a política, que é feita e construída no dia-a-dia, mas este Blog tentará ser mais apartidário, afinal de contas, quase fui linchado por alguns Burgueses e pseudo-intelectuais. Baixada a poeira, podemos refletir sobre alguns acontecimentos:

Geraldo Alckmin não conseguiu empolgar seu eleitorado, em momento algum mostrou força ou mesmo propostas que o diferenciassem com Presidente Lula, ficava sempre na mesma retórica de perguntas sobre corrupção. Suas propostas eram vazias, sem um mínimo de praticidade.

O Presidente Lula, com sua evidente capacidade ao popular, neste segundo turno soube descer do salto de demonstrar seu lado povo que andava adormecido. O que Gramsci chamou de “intelectual orgânico” foi muito bem utilizado por Lula, sua aproximação com o povo e com a massa, algo que Geraldo não conseguiu.

No Paraná, a disputa foi super apertada, apenas 0,1% de diferença entre o reeleito Requião e seu concorrente Osmar. Fica a lição por aqui também, Requião venceu nos pequenos municípios, nos mais pobres, aqueles que sentiram e sabem a diferença entre um governo mais igualitário contra um governo mais liberal. Mais uma vez, Requião deve sua vitória ao PT.

No restante do país nenhuma grande surpresa, só o PFL que ficou apenas com o governo do Distrito Federal, o PT que fez cinco governadores e o PSB que cresceu. Esta eleição ainda renderá muitos outros textos, no entanto, a proximidade do final de ano na Faculdade está-me tomando muito tempo, mas não pretendo abandonar este Blog.

27 outubro 2006

Indukasão... heim?

Algumas pessoas fazem discursos e mais discursos sobre a evasão escolar, sobre a falta de interesse dos alunos em aprender e que os alunos não respeitam mais os professores e etc. Pois bem, querem mais o que com uma grade curricular destas? Vamos aos argumentos:

Temos muitas disciplinas que não têm relação alguma com o dia-a-dia de uma criança, e quando o têm o ensino é muito teórico o que acaba transformando a aula em algo muito chato e maçante. Nas palavras de Gilberto Dimenstein: “O melhor que uma escola tem a fazer por uma criança é despertar o prazer pelo aprender. A escola deve ensinar a criança a pesquisar e a aplicar os dados e não ficar decorando tabela periódica, por exemplo”.

Outra coisa, a escola deve ser um lugar agradável, bem limpa e arejada, onde a criança vá não só para aprender, mas principalmente para se aprender se divertindo. Como diria o grande Rubem Alves: “Nenhuma criança evade de um parque de diversão, de um circo ou de uma sorveteria (...) o que se aprende tem que fazer algum sentido”.

Isto seria o ideal, agora, esta mudança implicaria também em uma mudança de atitude dos professores, e temos muitos que são relaxados mesmo, e vêm com aquele discurso de que “_ Eu dou aulas à vinte anos!”, claro que o incentivo financeiro também não ajuda. Não quero aqui dizer que não existam professores sérios, muito pelo contrário, admiro todos eles.

Mas como disse, chega de aprendermos as partes da raiz de uma planta, chega de decorarmos fórmulas apenas para uma prova, precisamos fazer com que a escola cumpra o seu real objetivo, o de educar para a vida e não apenas para apertar um botão em uma multinacional.

26 outubro 2006

Sobre comparações e partidos:

Um “amigo de orkut”, mandou um mensagem se dizendo revoltado com as comparações que são feitas em o Governo Lula e FHC, dizendo que já que Alckmin é igual FHC, Lula seria igual Palocci e Dirceu, assim, queria ele uma resposta dos petistas.

Uma coisa é comparar pessoas, FHC foi, é e sempre será um excelente sociólogo, não tenho a ousadia de negar isso. Alckmin parece uma pessoa sensata, honesta e competente. Palocci tem uma história no movimento trotskista que não pode ser apagada. Dirceu e sua militância ativa contra o regime militar então, nem se fala. Lula com seu exemplo de vida, idem. Agora, pessoas erram, todas as acima citadas cometeram muitas falhas na sua vida, você e eu também as cometemos a todo momento.

Agora o “x” da questão são os programas de governo: Primeiramente, o sujeito que levantou a questão deve procurar minimamente conhecer os princípios da Direita e da Esquerda, o que significa a Social-Democracia, o Socialismo, o Liberalismo, o Comunismo e etc, acredito que isso já bastaria para responder a sua inquietação, mas vou tentar resumir.

O Presidente não governa sozinho, é necessário uma equipe de burocratas: caso vença Alckmin, a equipe de FHC voltará a toda carga, com sua visão de mundo, o liberalismo, individualismo, a diminuição do estado, as privatizações, este é o programa de governo do PSDB. Caso Lula seja reeleito, o social continuará a ser a prioridade, o ProUni, investimentos na Agricultura Familiar, o Bolsa-Família ao invés do Bolsa-Banqueiro, as tarifas sociais da água e da luz e por aí vai, esta é uma visão mais socialista, de pensar mais na igualdade, o que está no cerne de todo governo do PT.

Outra questão, já levantada inúmeras vezes neste Blog, é que muitos brasileiros ainda votam na pessoa, no candidato, quando na realidade deveriam votar no partido, em seus programas, afinal, o candidato é apenas o produto vendido, candidato é aquele que tem mais possibilidade de ganhar e fazer com que o grupo possa governar. Por fim, ainda existem pobres que votam em ricos, achando que estes são mais capacitados e farão alguma coisa pelos pobres, ledo engano.

24 outubro 2006

Respondendo ao leitor:

Uma das grandes utilidades de se ter um Blog é a possibilidade de um debate alternativo com outras pessoas, e como este Blog tenta ser o mais democrático possível, o Omar, do “Formador de Opinião” me fez umas perguntas que tentarei responder:

Vc diz q não quer o capitalismo: mas vc ainda tem esperança de alcançar o socialismo dentro do PT?
R= O Capitalismo só poderá e está levando a sociedade ao caos, à barbárie, este sistema que gera riqueza mas não a distribui, os levantes terroristas são apenas o começo, as catástrofes naturais não são por acaso, as bombas atômicas idem.
Prefiro alcançar o Socialismo dentro do PT do que fora dele.

Vc entende q o PT busca a implantação do socialismo?
R= Estamos no século XXI, e por isso tenho que pensar como um homem deste tempo, sem estar amarrado às concepções ideológicas dos anos 50. Não sei se o PT busca o Socialismo, mas que o Governo Lula tem sido muito importante para a redução das desigualdades, isso tem.

Vc considera Lula e seus companheiro próximos socialistas?
R= Dependo do que você entende por Socialismo. Eu penso que os idéias de Esquerda, da Igualdade entre os homens tem sido minimamente respeitados por Lula e seus companheiros próximos.

Vc acha q este governo petista pode aproximar o Brasil do socialismo?
R= O Socialismo real só vem com revolução, com luta de classes, e o brasileiro é por demais pacífico ou pacificado, então, penso que este Socialismo revolucionário para a tomada do poder é impossível, temos que mudar aos poucos, distribuir renda e oportunidades, isto já seria um princípio do Socialismo.

Caso contrário, vc acha q o PT está construindo, ou pelo menos tem potencial p/ criar uma alternativa ao socialismo/capitalismo?
R= Acredito que tem demonstrado grandes possibilidades para isso, com o ProUni, Ponaf, Bolsa-Família e etc...

Vc acha q o governo petista proporciona um debate, sério, sobre o futuro?
R= Depende da sua concepção de sério. Para os tucanos o governo PT está equivocado, pois eles pretendem a diminuição do estado e mais liberdade na economia, já o governo Lula tem feito o contrário e investido mais no social. Assim, uma vez que eu comungo com esta idéia, penso que está sim contribuindo para um discussão sobre o futuro, ou pelo menos polemizando-a.

Bem, não sei se eu consegui responder, até porque tais perguntas são complexas e exigiriam respostas idem. Acho que um bate-papo de algumas horas seria bem mais proveitoso, mas espero ter contribuído para o debate.

22 outubro 2006

A verdade sobre quem produz comida neste país:

Muitos desinformados por este país, manipulados pelos grandes veículos de comunicação, bradam por aí, que o agronegócio é fundamental para a economia do país e que precisa de incentivos do governo. Pois bem, não quero negar que toda forma de produção não deva ser incentivada, no entanto alguns dados devem ser relativizados.

O agronegócio é voltado basicamente para a exportação, não produz bens de primeira necessidade, ou seja, não produzem comida que vá para a mesa do brasileiro, além de não gerar lá muitos empregos, afinal, sua produção é mecanizada.

Já a agricultura familiar sim, está basicamente voltada para a produção dos alimentos diários, básicos, que são colocados na mesa dos brasileiros diariamente. No entanto, quase nenhum incentivo é dado pelo Estado, pelo menos não era antes deste governo.

Alguns dados importantes levantados pelo professor da USP Ariovaldo Umbelino de Oliveira e organizados e publicados em 2004 pela Deputada Luci Choinacki do PT de Santa Catarina, que infelizmente não conseguiu a vaga para o senado:

Em 2003, as pequenas propriedades (menos de 200 ha) ficam com apenas 29,2% das áreas produtivas, apesar de serem mais de 91,9% de imóveis rurais, ou seja, três milhões e oitocentas mil famílias detêm apenas 122.948.252 ha. Já as grandes propriedades (mais de 2.000 ha) ficam com 31,6% das áreas produtivas, apesar de serem apenas 0,8% dos imóveis rurais, ou seja, pouco mais de trinta e dois mil proprietários, detêm cerca de 132.631.509 ha. Outrossim, a área média da pequena propriedade é de apenas 31,6 ha, já a da grande propriedade é de 4.110,8 ha.

As pequenas propriedades geram muito mais empregos, 86,6% dos trabalhadores do campo estão nestas propriedades, ou algo em torno de mais de quatorze milhões de pessoas, enquanto que na grande propriedade, apenas 2,5% ou pouco mais de quatrocentas mil pessoas. E agora?

Mas o dado mais alarmante mesmo corresponde à produtividade, veja a tabela:

Produtos Pequena Média Grande
Algodão 55,1% 29,9% 15,0%
Soja 34,4% 43,7% 21,9%
Milho 54,4% 34,4% 10,8%
Mandioca 91,9% 7,3% 0,8%
Feijão 78,5% 16,9% 4,6%
Banana 85,4% 20,8% 3,8%
Leite 71,5% 26,6% 1,9%
Arroz 38,9% 42,7% 18,4%
Tomate 76,4% 18,5% 5,1%
Trigo 60,6% 35,2% 4,2%
Uva 97,0% 3,0% ZERO
Café 70,4% 27,9% 1,7%
Laranja 51,0% 38,1% 10,9%
Suínos 87,3% 11,0% 1,7%
Bovinos 37,7% 40,5% 21,8%

Veja-se, apesar da grande propriedade possuir o maior volume de terras, além de não gerar empregos ainda não ganha na produção de alimentos em nenhum quesito, em alguns casos, até quando juntada com a média propriedade, a grande não consegue produzir mais que a pequena.

Tudo isso sem colocar os números dos empréstimos bancários, sempre mais favoráveis aos grandes proprietários e a multinacionais como a Aracruz Celulose (alguém aqui come celulose?) Cargil, Bunge, Nestlé, Monsanto e etc na época de FHC/PSDB, um pouco amenizada com as políticas em favor da agricultura familiar no governo Lula/PT.

Agora me digam, quem produz comida neste país?

21 outubro 2006

Canção do Senhor da Guerra


Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
(E já são tantas as crianças com armas na mão)
Mas lhe explicam novamente que a guerra gera emprego
E Aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria
P'rá que exportar comida
Se as armas dão mais lucro na exportação?

Existe alguém que está contando com você
P'rá lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

E belíssimas cenas de destruição
(Não teremos mais problemas com a super população)
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças

A homenagem aos 10 anos sem o poeta Renato Russo demorou, mas não falhou. Acho que alguns "líderes" deveriam ouvir esta música, ou então a população prestar mais atenção. E depois tem gente ainda com coragem de dizer que Legião Urbana é ruim.

20 outubro 2006

O Golpe está armado:

Já me referi em outro post sobre o Golpe Branco que esta direita reacionária e lacerdista vem preparando para aplicar no povo brasileiro caso o resultado das urnas seja favorável ao presidente Lula, (leiam o “Conversa Afiada”), pior mesmo é ver o ex-comuna Roberto Freire aliado com o Nazista do Jorge Borhausen, pois bem, recentemente o candidato Geraldo confirmou tal plano:

“se o Lula for reeleito (o governo) acaba antes de começar e (o país) já começa, no dia seguinte, a discutir 2010”. (Alckmin na sabatina da OAB)

Isso é um absurdo, como que um presidente, eleito democraticamente pelo povo, em um sistema republicano não irá governar?

Esta Direita existe no país não aceita que um ex-metalúrgico e retirante seja o comandante da nação, querem vê-lo de volta ao porão da fábrica. Ouvi de um colega esta semana a seguinte frase: “_ Gosto do Lula, desde que ele volte para a fábrica”.

Quem aqui se lembra de um senador do PSDB que disse que queria dar um soco no presidente? Ele falou isso da tribuna do Senado. Ah se alguém da esquerda fala isso, a imprensa já iria cair em cima dizem que é comunista e não sei mais o que.

Mamaram nas tetas do Estado durante quinhentos e dois anos, em 2002, após a vitória de Lula pensaram algo como: “vai, mata a vontade durante quatro anos, que depois a gente volta”. Parece que não vão voltar, e isso causa revolta, logo os mais “inteligentes e preparados” não vão ganhar as eleições! Eles não admitem isso.

19 outubro 2006

Desmascarando a Rede Globo!

A revista Carta Capital desta semana vem com uma excelente reportagem que desmascara o esquema armado pela Rede Globo de televisão e a campanha do PSDB/Alckmin. Seria cômico caso não fosse revoltante. Vale a pena conferir e tentar saber um pouco mais sobre como os poderosos manipulam a gente. Apenas para deixar um gostinho, a reportagem da Globo foi a primeira a chegar na PF, até aí tudo bem, mas lá chegando já estavam as Vans das campanhas de Geraldo e de Serra, coincidência?

Ontem, ao ler o Blog do Catatau, me deparei com a notícia veiculada pelo ex-global Paulo Henrique Amorim, onde o mesmo desvenda o esquema entre a Globo e o Delegado que “furtou” as fotos do dinheiro do dossiê, é um verdadeiro escândalo. Pena que a massa não sabe disso, afinal não foi manchete no Jornal Nacional desta quarta-feira. Cadê a isenção e a imparcialidade? Depois que eu falo que isso não existe tem gente que fica brava comigo.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto, além de ler a Carta Capital, o Blog do Catatau, e o Blog do Márcio Pimenta, é bom ler os livros: “Padrões de manipulação na grande imprensa” de Perseu Abramo; “A invasão cultural norte-americana” de Julia Falivene Alves. Aqueles que possuem internet mais rápida, podem tentar fazer o download do documentário “Muito além do cidadão Keane” feito pela BBC de Londres, se eu não me engano, mostrando a realidade da Rede Globo.

17 outubro 2006

União Civil entre Homossexuais:

Falei sobre a adoção, agora vou falar sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Primeiramente temos que diferenciar o que seja casamento e união civil. Casamento é o que você faz perante Deus, na frente do padre/pastor. União Civil é o que você faz perante a sociedade/direito, na frente do juiz. Acredito que só esta diferenciação já é o suficiente para encerrar o assunto. Mas vamos tentar falar um pouco mais.

Pessoas do mesmo sexo vivendo juntas já é uma realidade, e não podemos tentar “tapar o sol com a peneira”. O ordenamento jurídico brasileiro precisa se atualizar nesta questão, muitos países do mundo já aceitam a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

A União Civil não passa de um contrato, uma disposição de vontades que visa apenas a resguardar o direito aos bens do casal. Duas pessoas decidem viver juntas, constroem um patrimônio e quando decidem não mais viver juntas dividem este patrimônio, simples né? No caso dos homossexuais não.

Acredito que os homossexuais não pretendem adentrar na igreja de véu e grinalda, até porque, a igreja não é uma instituição estatal, pelo menos não no Brasil, e lei nenhuma a obrigaria a aceitar tal casamento. O que eles querem é apenas serem tratados como gente, com os mesmos direitos civis dos heterossexuais, afinal de contas, a única coisa que os diferencia de nós é que preferem fazer AMOR com pessoas do mesmo sexo.

16 outubro 2006

Adoção de crianças:

Adoro uma polêmica, e gosto ainda mais de defender os direitos das minorias, afinal, se dizem por aí que somos todos filhos do mesmo Deus e por isso iguais perante ele, porque então não nos tornamos iguais já perante os homens?

Falar sobre Homossexualismo é complicado, afinal, o pudor hipócrita de algumas pessoas impedem que o assunto venha a tona, pior mesmo são as piadinhas pré-conceituosas que ceifam o inicio de qualquer debate sério sobre o tema.

Ainda na Universidade de Direito, cogitei a possibilidade de fazer uma monografia sobre a adoção de crianças por casais homossexuais ou então a união civil entre os mesmos, no entanto, as dificuldades acima me impediram.

Primeiramente temos que diferenciar os termos homossexual de “veado/gay”, estes são os garotos de programa que ganham a vida com o sexo, aqueles, pessoas comuns, que trabalham o dia todo e passam despercebidos pela maioria da população, mas que em quatro paredes preferem carícias com um parceiro do mesmo sexo.

Pois bem, temos milhares de crianças abandonadas por aí, sem um lar, sem uma família, sem carinho, sem muitas perspectivas de um futuro melhor. E porque não deixar que casais homossexuais adotem uma criança desta?

Pensar que uma criança criada por um casal homossexual também se tornará um homossexual é um absurdo, afinal de contas, um homossexual um dia nasceu de uma relação entre heterossexuais, mas teve uma opção oposta. Quem me garante que isto também não ocorreria?

Entendo que devemos nos livrar dos pré-conceitos, afinal, já estamos em pleno século XXI e não podemos estar totalmente amarrados à visões de mundo de dois mil anos atrás.

14 outubro 2006

Resenha: O mestre engraxate:

“A principal virtude do Intelectual é a rebeldia crítica”
Florestan Fernandes

Poucas são as biografias que realmente vale a pena você ler, uma vez que os fatos da vida do personagem parecem mais de ficção, ou então o fulano não merecia tamanha porcaria produzida.

Isso não acontece com “Florestan Fernandes: vida e obra”, um livro maravilhoso que retrata com uma riqueza de detalhes impressionantes a dura realidade do maior sociólogo brasileiro, de engraxate, professor e um dos mais atuantes deputados federais pelo Partido dos Trabalhadores.

O autor, Laurez Cerqueira, um ex-assessor de gabinete nos tempos de Brasília que teve uma trajetória de vida parecida com a do mestre, por isso a sensibilidade e riqueza do texto.

Florestan teve que aprender cedo a ser gente. Nascido no ano de 1920, filho de mãe solteira, já nos primeiros anos de vida teve uma grande lição, sua mãe, empregada doméstica em casa de família abastada de São Paulo, ouviu de sua patroa/madrinha a indecorosa proposta de dar o pequeno Florestan. Dona Maria não pensou duas vezes, pegou seu filho e sumiu para bem longe.

A situação financeira da família não era fácil, e ainda criança, Florestan aceitava todo tipo de serviço por uns poucos trocados para ajudar em casa. Limpou as roupas dos fregueses de uma barbearia, ajudava as granfinas com as sacolas da feira. Chegou a passar fome, foi humilhado pedindo comida, mas nunca perdeu o brio.

A rua foi sua melhor escola, mas com certeza, seu maior desafio foi na época de engraxate, com apenas onze anos de idade, tinha que lutar pelo seu espaço na calçada e por fregueses, chegou até as vias de fato com outros meninos.

Sua mãe insistia para que Florestan aprendesse uma profissão, foi ser auxiliar de alfaiate. Como o serviço era longe de sua casa, precisava dormir na alfaiataria, até que uma noite, Dona Maria o foi visitar e viu as condições em que o menino ficava, uma quase escravidão.

Florestan foi trabalhar em bares e restaurantes, nos intervalos e horas de menor movimento adorava ler, e lia muito, e sobre tudo, o que lê permitia, entre uma atendida e outra, sempre fazer comentários pertinentes nos assuntos debatidos entre os clientes. Passou a ganhar muitos livros, e seu amigos, pois não era mais clientes, vendo o potencial daquele jovem o encorajaram a terminar os estudos.

Florestan queria ser químico, mas como o curso era ministrado em período integral, foi fazer Ciências Sociais, sorte a nossa que ganhamos um Mestre.

Os tempos de estudos na universidade foram difíceis, os professores eram em sua maioria europeus e as aulas ministradas em suas línguas de origem. Lá foi nosso guerreiro aprender de forma autodidata o francês. Trabalhava durante o dia como representante comercial, e entre um cliente e outro, Florestan aproveita para ler.

Teve aulas com grande Roger Bastide, ficou amigo de Antonio Cândido, que inclusive recheia o livro com diversas passagens desta época. Quando os professores europeus foram embora, Florestan fez concurso e ocupou seu lugar, começava ali a vida acadêmica de Florestan.

Exigia o máximo de seus alunos, e dava o exemplo dedicando-se integralmente aos estudos da sociedade, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi seu aluno.

Sempre atuou em grupos de esquerda, clandestinos à época, mas devido ao pouco tempo que dispunha, pois a universidade o exigia muito, Florestan largou a militância pois entendia que poderia dar uma maior contribuição na Academia.

Florestan publicava diversos artigos nos jornais, o que lhe rendeu o respeito e a admiração de pessoas com pensamentos contrários aos seus, como Júlio Mesquita e Gilberto Freyre.

Em 1949 publica “A Organização Social dos Tupinambá”, o que foi uma revolução na Sociologia da época, Florestan conseguiu descrever uma sociedade extinta a muitos séculos. Para Claude Leví-Strauss, uma real revolução na Antropologia.

Diversos estudos sobre as contradições sociais ainda foram feitos por Florestan e sua equipe, mas veio o Golpe Militar, e o exílio. O livro traz também diversas passagens emocionantes do período, que revelam o Florestan humano e de atos coerentes com suas palavras.

Veio a redemocratização e o convite para ingressar no Partido dos Trabalhadores, e Florestan se viu maravilhado com aquela oportunidade inédita de ajudar a construir um partido nascido da base, dos “de baixo” como gostava de dizer.

O começo na Câmara foi difícil, mas sua inteligência o ajudou a se destacar na Constituinte, a defesa dos “de baixo” lhe rendeu o respeito de todos os demais parlamentares. Era chamado pelos colegas de “Professor”. Seus discursos faziam silenciar por um instante o insistente burburinho do plenário. Todos vinham consultar-se com o Mestre. Óbvio que Florestan não ficou satisfeito com o resultado da Constituição, a considerou burguesa demais, mas o que lhe dava consolo, é que alguns avanços foram conseguidos pela pequena bancada da esquerda.

Florestan era um defensor do Brasil, amava o país e lutava sempre por mudança sociais, acreditava na nossa ciência, que infelizmente o traiu. Vítima de um erro médico no final dos anos 70, quando durante uma transfusão de sangue contraiu Hepatite C.

A vida de intensos debates na câmara debilitou ainda mais a já frágil saúde de Florestan, numa madrugada fria, teve que ir ao Hospital, seu filho, acordado pela mãe foi atrás do Pai e o encontrou no Hospital do Servidor Público, que a época estava passando por uma séria crise financeira e de equipamentos, detalhe, Florestan estava de fila, do lado de fora do Hospital, indagado pelo filho do porque não tinha ido a um Hospital melhor, o Mestre respondeu que como servidor público, aquele era seu hospital, e que estava na fila porque tinha fila.

Florestan morreu em 10 de agosto de 1995, vítima de outro erro médico, desta vez no Hospital das Clínicas, onde uma enfermeira foi displicente na colocação do soro e acabou entrando ar nas veias de Florestan.

Fica-nos o exemplo deste brasileiro, que tinha tudo para ser mais um nos filões da pobreza e do crime, mas enveredou por um caminho diferente, sua origem humilde o gabaritou para ser o maior sociólogo do Brasil, e um dos cinco mais do Mundo. Este texto é um pouco da sua vida, vale a pena conferir ainda a sua obra e seu pensamento socialista, bem retratados no livro.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

CERQUEIRA, Laurez. Florestan Fernandes: vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2004.

13 outubro 2006

Segundo turno no Paraná:

E agora Cássio, em quem votar para governador do Paraná no segundo turno?

Entendo que o governador Requião foi infinitamente melhor que seu antecessor Jaime Lerner, principalmente no que diz respeito as políticas voltadas para o interior do Estado, infra-estrutura, recapeamento de estradas. Não posso negar que odeio seu lado autoritário e populista, quase um rei, dono da verdade e que aproveitou-se de programas sociais do governo Lula, com o Luz Fraterna, o Leite das Crianças, Compra Direta e por aí vai.

Do outro lado está Osmar Dias, um tucano disfarçado, não entendo ainda o que ele está fazendo filiado ao PDT, nem mesmo apoiou seu candidato à presidência Cristóvam, suas idéias e ideais são completamente contrários ao do grande líder Leonel Brizola. É muito ligado a tudo que eu abomino na política, o liberalismo, os grandes latifundiários, etc, etc, etc...

Mas temos o problema local de Nova Londrina, aqui existem dois grandes grupos, o do prefeito, intimamente ligado ao PMDB e que já governa nossa cidade com seu coronélismo a anos, e o grupo da Cooperativa, dos grandes agricultores e porque não dizer a burguesia, ligada ao PFL. Neste contexto, a eleição de Osmar seria melhor, não que eu prefira a burguesia no poder, mas sim que já passou da hora de Nova Londrina ser realmente nova.

Neste fogo cruzado fico eu, que por ser adepto dos ideais socialista/marxista/comunista abomino tanto o coronel quanto o burguês. E agora Cássio, Requião (pensando no Estado) ou Osmar (pensando no município)?

11 outubro 2006

A mídia manipula o povo!

Um princípio basilar do Processo Penal é o de que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, ou seja, quem acusa tem o ônus/dever de comprovar aquilo que está falando, ao acusado não cabe mover uma palha.

No entanto, vivemos em um país onde a mídia achincalha uma certa pessoa, coloca em seu colo quantos cadáveres quiser, faz acusações desprovidas de muitos fundamentos e passa-se para a população a imagem de que isto é a verdade. Passa-se o tempo e nada se comprova contra o sujeito, mas o estrago já está feito e uma simples notinha no jornal não o desfaz.

Exemplo recente tivemos com o então presidente da República Fernando Collor de Mello, eu mesmo à época fui manipulado pelo movimento “espontâneo” dos caras pintadas pedindo o seu impedimento, no entanto, poucos sabem que o sr. Collor foi ABSOLVIDO de todos as acusações na justiça.

O mesmo aconteceu com o presidente Lula, colocaram sobre ele um estigma de corrupto, de sapo, de pobre, de burro, de analfabeto, de “quem nunca sabe de nada”, e estas opiniões foram compradas pelos ditos mais “intelectualizados” sem se perguntarem se tais eram verdadeiras, numa deliberada tentativa de tira-lo do poder não por seu governo, mas por pré-conceitos. Não se preocupe senhor presidente, “A História lhe absolverá!”.

08 outubro 2006

Uma visita ao Paraíso


Neste último sábado, tive a oportunidade, juntamente com alguns colegas da Faculdade de fazer um visita à COPAVI, Cooperativa dos assentados do MST na cidade de Paranacity, região Noroeste do estado do Paraná. Como diz o título, passei um dia no paraíso.

O local foi ocupado no início dos anos 90, uma terra do Incra que estava arrendada para o plantio de Cana de Açúcar. Vejam, uma terra pública que estava arrendada. Lá se começou do zero, por ser uma área de Cana, não existia uma árvore sequer, hoje a realidade é bem diferente. Fomos recebidos por um assentado que bem pode explicar a situação e tirar muitas dúvidas.

O assentamento é algo totalmente fora do padrão mercantilista que vivemos, lá não existe a palavra ´meu´, apenas a palavra ´nosso´. É isso mesmo, existem vinte e três famílias vivendo em um sistema comunal, ou seja, tudo é divido por igual entre todos.

Ao contrário de outros assentamentos onde a área desapropriada é dividida em pequenos lotes e cada família recebe um e com ele deve sobreviver, lá a área é de todos, não foi feita esta divisão, inclusive ainda permanece em nome do Incra.

A área possui cem alqueires de terra, produz a grande maioria dos alimentos destinados à subsistência de todos (carne, verduras, feijão, etc...), ainda industrializa produtos que são vendidos nos supermercados como o Leite, Açúcar Mascavo, Doces e inclusive exporta Cachaça, muito boa por sinal. Tudo é produzido de forma orgânica, ou seja, sem agredir o meio ambiente.

Mas o mais interessante é a organização do trabalho. Recebe-se por hora trabalhada, e o valor da hora é o mesmo para o pessoal da administração e do corte de cana. Incrível. Mesmo o pessoal do administrativo coloca a mão na enxada. Todos almoçam juntos, em um refeitório coletivo, as decisões todas são tomadas por assembléias, com a participação e voto dos assentados.

Pode parecer um pouco surreal e utópico, mas é a mais pura verdade. Até tive vontade de mudar para este local. Aqueles críticos da Reforma Agrária poderiam conhecer esta realidade, e não somente a que é mostrada no ´Rede Bobo` de televisão. Antes de criticar conheça!

06 outubro 2006

Resenha: A Díade Sobrevive

“Enquanto existirem conflitos, a visão dicotômica não poderá desaparecer, mesmo se, com o passar do tempo e a modificação das circunstâncias, a antítese até então principal vier a se tornar secundária e vice-versa”[1]

Mesmo após as profundas transformações operadas na sociedade mundial, com o fim da guerra fria e aparente derrota da Esquerda Comunista e vitória da Direita Capitalista, o mundo político ainda é dividido em Direita e Esquerda, apesar de muitos declararem esta díade morta. Mas porque sobrevive e o que é ser Esquerda ou Direita após este acontecimento?

É justamente a busca de tal resposta que motivou o Filósofo italiano Norberto Bobbio a escrever “Direita e Esquerda, razões e significados de uma distinção política”. Publicado no ano de 1994, no calor dos debates político-eleitorais da Itália o livro obteve grande sucesso editorial, espantando até mesmo seu autor.

A presente distinção é contestada por vários autores que argumentam: a crise das ideologias do passado; o novo e complexo sistema político da proporcionalidade que multiplica o número de agentes partidários, como no Brasil; a sociedade em contínua transformação, que apresenta aos políticos, novos e surpreendentes problemas com o nascimento de movimentos reivindicatórios que não entram no tradicional esquema da díade. Seria o Partido Verde de Direita ou de Esquerda? E as reivindicações de grupos Homossexuais?

O que seria da Direita sem a Esquerda? O que seria do Amor sem o Ódio? O que seria do São Paulo sem o Corinthians? Negar a existência de um deles é justamente admitir a morte do outro. É por isso que a díade sobrevive. A razão principal para os que sustentam o fim da mesma é de que os dois lados já não conseguem apresentar novas fórmulas para os problemas da sociedade, ou seja, tanto a Direita como a Esquerda têm as mesmas propostas de Governo.

Outro argumento daqueles que tentam ver sepultada a díade, é a simultaneidade de posições, por exemplo, o extremismo de Direita e de Esquerda, tem em comum a antidemocracia, seja pelo Nazi-fascismo como pelo Comunismo, o que também é rechaçada por Bobbio.

São tantos os argumentos no sentido de eliminar a distinção, então porque ela ainda sobrevive diuturnamente na linguagem política, televisiva e dos cidadãos? Os partidos políticos continuam a ser colocados como que em um arco, que vai da Direita para a Esquerda, ou vice-versa, uns mais ao estremo dos lados, outros mais ao centro, e por aí vai. Até mesmo no interior de diversos partidos existem correntes à Direita e a Esquerda, que o diga o PT.

Segundo Bobbio, Direita e Esquerda possuem um significado descritivo, pois não se permite que atribuam a mesma palavra dois significados e outro avaliativo, exatamente porque tais termos referem-se a uma antítese, onde a conotação positiva de um depende necessariamente da conotação negativa de outro, ou seja, o ponto de vista depende do ponto de onde é visto.

Uma vez que a díade sobrevive, necessário se faz a busca de um critério de distinção, questão sobre a qual Bobbio é insuperável, contestando e comentando a visão de diversos pensadores, como Laponce, Cofrancesco, Elisabeta Galeotti e Marco Ravelli. Igualdade e Liberdade, assim estariam divididos os ideais de Esquerda e Direita, no entender de Bobbio.

Para uma Esquerda igualitária existe uma Direita inigualitária. O primeiro parte da idéia de que as desigualdades são sociais, e portanto elimináveis, já para o segundo, tais são naturais, e portanto inelimináveis. Conclui Bobbio:

“pretendo simplesmente reafirmar minha tese de que o elemento que melhor caracteriza as doutrinas e os movimentos que se chamam de ‘esquerda’, e como tais têm sido reconhecidos, é o igualitarismo, desde que entendido, repito, não como a utopia de uma sociedade em que todos são iguais em tudo, mas como tendência, de um lado, a exaltar mais o que faz os homens iguais do que o que os faz desiguais, e de outro, em termos práticos, a favorecer as políticas que objetivam tornar mais iguais os desiguais”.
[2]

Outrossim, para uma Direita que pregue a Liberdade, existe uma Esquerda que clame pela Autoridade. E Bobbio conceitua:

“a liberdade privada dos ricos é muito mais ampla do que a liberdade privada dos pobres. A perda de liberdade golpeia naturalmente mais o rico do que o pobre, para quem a escolha do meio de transporte, o tipo de escola, o modo de se vestir, está habitualmente impedida, não por uma imposição pública, mas pela situação econômica interna à esfera privada. (...) o rico perde uma liberdade usufruída efetivamente, o pobre perde um liberdade em potencial”.
[3]

Portanto, nosso Autor entende que enquanto a Direita prega a Liberdade individual, e por conseqüência a manutenção do status quo vigente, a busca da redução das desigualdades é o principal combustível da Esquerda revolucionária, pregando a Igualdade. E conclui: “a esquerda não só não completou seu caminho como mal o começou”.
[4]

Em tempos de eleição presidencial no Brasil, obrigatória se faz a leitura deste clássico de Bobbio, afinal, alguns candidatos se preocupam mais com o social, com o povo e com a igualdade, enquanto outros propõem a não intervenção do Estado na economia pregando o liberalismo econômico. Enfim, candidatos de Esquerda e de Direita, comprovando que a díade está mais viva do que nunca, basta a nós, leitores e eleitores escolhermos o condutor da nação pelos próximos quatro anos, se queremos a volta da Direita que sempre nos governou, a continuação da esquerda moderada ou se pagamos para ver a entrada de uma suposta extrema-esquerda.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995.

[1] BOBBIO, Norberto, op.cit., p.69.
[2] BOBBIO, Norberto, op.cit., p.110.
[3] BOBBIO, Norberto, op.cit., p.113/114.
[4] BOBBIO, Norberto, op.cit., p.124.

Obs: Trabalho de Faculdade. Sei que o texto é grande, então quem ler poderia deixar um comentário?

04 outubro 2006

A mídia corrompeu sim!

O povo brasileiro tem a falsa idéia de que o Presidente da República é quem realmente dá as cartas, poderia ser assim na época dos Militares, do poder centralizado e ditatorial, no entanto, com a Constituição de 1988 foi implantado no Brasil uma espécie do que chamo de “Parlamentarismo disfarçado”.

Com a constituição, os deputados constituintes fizeram de tudo para tirar um pouco de poder das mãos do Presidente, devido aos resquícios ainda presentes do regime Militar, mas esqueceram-se de avisar isso ao povo, que ainda tem a impressão de que é o Presidente quem manda.

Tanto o povo não sabe disso, que seria o lógico quem vota no Lula votar em algum deputado do PT e quem vota no Alckmin votar em algum deputado do PSDB e aí por diante. Afinal, não adianta nada ser o Presidente e não ter maioria no Congresso, pois tudo o que o Presidente faz tem que passar por lá, é aqui que surgem os deputados comprado e cooptados, os mensaleiros.

Tudo isso para chegar onde eu quero: passou-se para o grande público a idéia de que o Lula era o corrupto a ser detido nestas eleições, muitos acreditam que era ele quem “assinava o cheque” dos mensaleiros. E ninguém se preocupou com a chegada no Legislativo de pessoas como: Maluf, Frank Aguiar, Clodovil, Enéas, Ratinho Junior e muitos outros, estes são os verdadeiros políticos a serem detidos. Os mensaleiros estão de volta. E o povo não sabe que quem dá as cartas no Brasil são os deputados e senadores.

03 outubro 2006

O voto do Brasileiro:

Que bom seria se o brasileiro votasse por ideologias/programas partidários, acho que seria muito melhor, por isso que prego que o voto deveria ser apenas na legenda e não no candidato.

Basta olharmos a lista dos Deputados mais votados, são sempre aqueles mais “populares” conhecidos do grande público, Clodovil e Frank Aguiar foram muito bem votados, agora vocês acham que seus eleitores sabem suas propostas? Sabem nada, afinal eles nem têm propostas.

Aqui no Paraná o filho do apresentador de TV Ratinho foi o segundo deputado federal mais votado, porque? Porque tem dinheiro e é filho de gente famosa, somente por isso. Quando pegamos a lista dos eleitos vemos que lá estão os nomes daqueles que mais gastaram grana, tinham mais propagandas e cabos eleitorais, é isto que atrai o eleitor. Para o Senado mesmo, Álvaro Dias venceu disparado nas cidades pequenas e perdeu nas grandes, porque? Porque as pessoas votam em quem elas já conhecem.

Repito, temos que acabar com o voto nominal para o Legislativo e incluirmos as listas fechadas, onde o eleitor vota no Partido e não mais no cara do sorriso mais bonito. E também o financiamento público de campanhas é urgente!

02 outubro 2006

Eleições 2006:

Estou sem muito tempo para maiores comentários, mas vamos a algumas surpresas grandes:

_ Fernando Collor de Mello está de volta à Brasília, será Senador;
_ o PSDB perdeu o poder no Ceará depois de vinte anos, Cid Gomes, irmão de Ciro foi eleito pelo PSB;
_ Jacques Wagner surpreendeu e levou o Governo da Bahia no primeiro turno, uma derrota surpreendente para o grupo de ACM que perdeu inclusive para o Senado;
_ No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius correu por fora e desbancou o governador Germano Rigoto do PMDB, no segundo turno ela terá a companhia de Olívio Dutra do PT;
_ O Senador Eduardo Suplicy manteve sua vaga no senado de forma apertadíssima, quase que o milinário Guilherme Affif Domingos levou a veja;
_ No Paraná o atual senador Álvaro Dias também passou apertado e quase perde sua vaga no senado para a então desconhecida Gleisi Hoffman do PT;
_ Requião corre sério risco de perder no segundo turno para Osmar Dias;
_ Flávio Arns deslanchou na reta final e acabou a disputa para o Governo do Estado do Paraná em terceiro lugar, ao contrário do que diziam as pesquisas.

Enfim, são muitas informações, e ainda não consegui fazer um balanço sobre as vagas do Legislativo, postagens posteriores tratarão do assunto.



Free counter and web stats