15 setembro 2006

Caio Prado, ontem, hoje e sempre!

A Revolução/Golpe de 1930, que trouxe ao poder o gaúcho Getúlio Vargas, foi o marco de uma década de grandes transformações na sociedade brasileira. A derrubada da República Velha do café-com-leite e o impulso dado pelo estado à industrialização, visando com isso a diminuição da dependência brasileira em relação a agricultura exportadora, serviu também para abrir espaço a novas propostas para entender o Brasil. Dentre os grandes pensadores, um trio se destaca: Sérgio Buarque de Holanda, com seu clássico “Raízes do Brasil”; Gilberto Freyre com seu quase-romance “Casa Grande & Senzala”; e Caio Prado Júnior com o épico “Formação do Brasil Contemporâneo”, cujo livro é objeto de nosso estudo.

Caio Prado Júnior nasceu no seio de uma família da elite Paulista, no entanto, enredou por caminhos diferentes, apoiando a revolução de 1930 e posteriormente ingressando ativamente no Partido Comunista Brasileiro, com apenas 24 anos.

Em 1942, publica sua primeira obra, que pode ser considerada um marco na historiografia brasileira, onde se destacam: a interdisciplinaridade de sua obra, em constante diálogo com a geografia, economia e com a sociologia; a vasta documentação utilizada, inclusive com relatos de viajantes; e o mais importante, a primeira análise Marxista bem feita sobre o processo de colonização do Brasil.

Nesta análise, Caio Prado visa relacionar o atraso não só econômico, como também social do Brasil naquela época ao modo pelo qual foi colonizado, ou seja, sempre fomos um país produtor de bens, nada além disto. Vários são os motivos apontados pelo autor, dentre os quais podemos destacar o desinteresse português por estas terras logo após os “descobrimento” e nossa agricultura de ciclos (Açúcar/Ouro/Algodão/Café e etc), sempre voltada para o mercado europeu e não para os interesses e necessidades dos habitantes destas terras.

Para Caio Prado, nunca no Brasil existiu um sentido de “construção de uma Nação”, inclusive ele compara a colonização brasileira com a norte-americana. A falta desta consciência, acabou por dar espaço ao surgimento dos senhores oligárquicos, donos do público e do privado.

Quanto ao assunto Escravos, Prado Júnior não estava muito interessado na questão humanística, para ele, o mais importante a se observar, é que este contingente de Negros aqui despejados e subjugados, com uma cultura diferente ajudou na falta de unidade dita acima, e quando da “libertação”, não existiu qualquer política pública de socialização desta gente, culminando com o crescimento dos centros urbanos e da violência, além é claro dos primeiros miseráveis.

“Formação” completou a pouco 60 anos de sua publicação, mas parece que estamos falando do Brasil de hoje. A colonização explica o nosso atraso, e no pensamento de Caio Prado, só quando entendermos este problema e conseguirmos nos libertar deste ciclo agro-exportador é que o Brasil será melhor e mais justo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: colônia. São Paulo: Brasiliense/Publifolha, 2000.

2 Comentários:

Às 15/9/06 10:45 AM , Anonymous Renata disse...

Cássio!
Encontrei seu blog por acaso na comunidade do blogspot naquele tópico de avaliar o blog acima, coincidência pq eu tb faço História. Gostei mto do blog,tanto que não consegui ler um post só hehehehe

mto bom msm!

 
Às 17/9/06 3:14 PM , Blogger Cristiano Contreiras disse...

Seu blog é altamente conceitual! e bem organizado, parabéns!

 

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