04 julho 2006

"O primeiro que..."

Nos primórdios da civilização, o homem vivia em bandos, sendo desconhecida qualquer forma de organização social neste período. Estes homens, denominados pré-históricos, eram apenas coletores de alimentos e sobreviviam da caça, pesca e coleta de frutos.

Conforme salienta Rubim Santos Leão de Aquino, em sua obra História das Sociedades “à medida que começaram a cultivar plantas e a domesticar animais, tornaram-se produtores de alimentos, ou seja, passaram a ter o controle sobre o abastecimento de sua alimentação”[1], assim, o homem não ficaria mais sujeito aos percalços das coletas, causando uma verdadeira “Revolução Agrícola” como cita o referido autor. Ainda, nesse período histórico, toda a produção agrícola era um bem comum, coletivo.

Devido a essa chamada Revolução, ocorre nesse período uma reorganização econômica da sociedade, graças aos excessos produzidos na agricultura, originando também um aumento populacional, dando origem às primeiras cidades.

No entanto, já naquela época em que a humanidade engatinhava, devido à produção excedente, nas palavras de Rubim de Aquino:

“trouxe consigo a propriedade privada: alguns elementos do grupo, apropriando-se do excedente comunal, puderam também controlar o intercâmbio comercial e, aos poucos, acumular riqueza que lhes permitiu imporem-se aos demais membros da comunidade como dirigentes. [...] A propriedade privada engendrou as desigualdades sociais, ou seja, surgiram as classes sociais e um poder, teoricamente colocado acima deles, como árbitro dos antagonismos e contradições latentes, mas que, na verdade, defendia a propriedade privada e mantinha o status quo social – esse poder era o Estado”.[2]

Com isso, observa-se que a base de toda a desigualdade social existente no mundo e os conflitos pelo acesso a terra tiveram origem já nos primórdios da humanidade, pois como bem define Jean-Jacques Rousseau em seu Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens:

“o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes ‘defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém’”.[3]

[1] AQUINO, Rubim Santos Leão de. História das Sociedades, das comunidades primitivas às sociedades medievais. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1980. p. 67.
[2] AQUINO, Rubim Santos Leão de, op.cit., p.72.
[3] ROUSSEAU, Jean-Jacques. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 259.

3 Comentários:

Às 4/7/06 12:25 PM , Blogger Roger disse...

gostei do texto
um tanto didático mas mesmo assim gostei
axo q eh pq tem um quê de anarquista
=]

 
Às 4/7/06 1:54 PM , Blogger Warui disse...

Na teoria eu admiro esse tipo de pensamento. Mas infelizmente não é viável no mundo real. Uma pena.

 
Às 4/7/06 5:37 PM , Anonymous Cíntia Miyuki disse...

Parabéns pelo texto. A desigualdade social veio com a civilização sem dúvida, esse foi o preço que pagamos pra deixar de sermos nomâdes e passarmos a fixar num determinado lugar, cultivar alimentos, domesticar animais e evoluir. Resta saber se valeu a pena né?

 

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