27 abril 2006

O ingênuo Tio Patinhas:

Somos fruto do meio, nossas idéias não são nossas, mas são criadas e influenciadas pelo que vemos e assimilamos nos primeiros anos de vida, quando crianças é que formamos nossa ideologia e gostos, ainda que isso não seja consciente.

Pensando nesta lógica, os desenhos apresentados às crianças têm uma importância sem igual, principalmente quando a televisão passou a ser o educador número 1 da criança brasileira, entendendo isto, algumas pessoas manipulam os ingênuos desenhos colocando para as crianças as famosas mensagens subliminares, que posteriormente transformar-se-ão em dogmas inquestionáveis para um adulto.

Tomemos apenas um exemplo, o nosso querido Tio Patinhas. Quando criança confesso que era um dos meus desenhos favoritos, mas hoje, remoendo o passado tenho algumas considerações à fazer:

_ Não existem relações de parentesco ou mesmo afetivos no desenho, pai e mãe não existem, apenas tios e sobrinhos, nem mesmo amizades desinteressadas;
_ O Tio Patinhas não trabalha e vive a procura de aventuras em paises subdesenvolvidos na busca de tesouros a serem pilhados e apropriados, tornando-o ainda mais rico, para isso, utiliza-se de seu sobrinho Pato Donald como uma espécie de empregado, que por sinal é muito mal remunerado e não se rebela por esperar um dia herdar a fortuna do Tio como herança;
_ Os habitantes destes locais são geralmente mostrados como atrasados e facilmente corrompidos por qualquer quinquilharia;
_ Única ocupação do Tio Patinhas é nadar em sua caixa forte cheia de moedas;

Esta simples análise superficial do tema já nos dá a dimensão do problema, somos educados de que é normal e natural que o mais forte (tio Patinhas/EUA) apropriem-se das riquezas dos mais pobres (terceiro mundo); que trabalhador deve ser mesmo explorado e mal remunerado, prestando obediência ao patrão, mas sempre na utopia de ser um dia o rico da história; além de um individualismo exagerado, sem graus de amizades verdadeiras; Quem aqui não sonhou um dia em ser o Tio Patinhas?

26 abril 2006

O Orkut apelou agora...

Algumas pessoas estranham o sucesso que o Orkut fez e continua fazendo no Brasil, mas é simples, brasileiro gosta de bisbilhotar a vida alheia, e poder fazer suas fofocas, é isso mesmo! É a curiosidade anônima que incita e dá o tesão.

Todo brasileiro que cria um Perfil no Orkut, já o faz esperando ser visto, é o famoso “15 minutos de fama”, seja por uma foto provocante, um comentário desafiador ou mesmo uma bagunça feita em comunidades. E conviver com a dúvida de se estar ou não sendo vigiado é o que fascina os Orkuteiros (pronto! outra palavra inventada).

Mas agora acabou a graça, uma ferramenta nova do Orkut avisa quem visitou nosso perfil ultimamente, mas assim perde a graça! Não quero saber quem visitou minha página, o legal é a dúvida. Não posso nem mais bisbilhotar sem ser descoberto: cadê minha privacidade?

25 abril 2006

Nosso Herói: (parte III - final)

Para terminarmos com esta discussão, desnecessária para uns acomodados, mas importante para a valorização do nosso ideal de Nação, acho que tenho uma boa idéia de Feriado: “Dia do Povo Brasileiro”.

Isso mesmo, um Feriado Nacional em nossa homenagem: aos Índios massacrados, aos Negros explorados, aos Imigrantes do início do século passado, aos Nordestinos de São Paulo, aos Kandangos de Brasília, a todos que madrugam para trabalhar por um salário de fome, aos expropriados do campo, aos favelados, aos moradores de rua, aos famintos, à Policarpo Quaresma.

Um dia para nós brasileiros refletirmos sobre nosso País, nossa vida, nossa Educação, Saúde, Transporte, Segurança, Justiça, enfim, por nós esquecidos pelos Governantes e Poderosos, mas que lutamos a cada dia pela sobrevivência e sempre sonhando com dias melhores. Viva o esperançoso e alegre Povo Brasileiro!

24 abril 2006

Nosso Herói: (parte II)

Continuando a saga sobre Tiradentes e a busca do verdadeiro Herói brasileiro, temos muitos outros exemplos e candidatos em potencial à vaga.

Muitas revoltas nos deram pessoas de verdade, que realmente lutaram por ideais dignos de um feriado, seja um líder dos Tupinambás, Quilombos, Contestado, Farroupilha, Canudos, Coluna Prestes ou Guerrilha do Araguaia.

Temos artistas exemplares: Tarsila do Amaral, Vila-Lobos, Vinicius e Tom, Oswald e Mário de Andrade, Cartola, Raul, Cazuza e Renato. Nossos escritores e intelectuais: Machado de Assis, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Rui Barbosa, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, etc, etc, etc. E ainda a especialidade brasileira, o esporte com: Pelé, Garrincha, Leônidas, Telê, e para os que não gostam de Futebol: Senna, Oscar, João do Pulo. E o que dizer de nosso inventor Santos Dumond?

Pessoas que merecem um dia de Feriado em sua comemoração é o que não falta em nossa história, brasileiros de verdade, com vida e história para serem comemoradas, não precisamos inventar um Herói.

22 abril 2006

Nosso Herói:

Feriado nacional de 21 de abril, dia de Tiradentes, nosso herói republicano, será?

A Inconfidência Mineira nada mais foi do que uma revolta de alguns poderosos contra a “derrama” de Ouro cobrada por Portugal. Tiradentes, apenas mais um destes revoltosos. Não se exista um ideal forte de nação ou mesmo de Independência, apenas se contestava o prejuízo que os mais aburguesados teriam.

O culto a Tiradentes surge com a Proclamação da República, até então poucos conheciam esta figura, pois os ideólogos Positivistas daquele movimento sentiram a necessidade do Brasil ter também o seu herói. Fabricaram sua história, seu rosto e seus ideais.

Alguém já notou a semelhança de Tiradentes com o Jesus Renascentista de Michelangelo? Pura manipulação!

Tivemos muitas outras revoltas e verdadeiros heróis lutarem nelas, mas a História é geralmente contada pelos vencedores buscando pacificar a massa, e assim é com nosso Herói. Quando eu for Presidente acabo com esse Feriado de mentira!

20 abril 2006

Cadê o tal Candidato de Consenso?

Minhas leituras matinais do Diário do Noroeste (jornal de Paranavaí de circulação regional no Noroeste do Estado do Paraná) estão sendo a cada dia mais prazerosas, não que o Editor Chefe tenha deixado de ser um Direitista de primeira, muito pelo contrário, mas estão interessantes os capítulos da novela pela busca do nome de um Candidato de Consenso a Deputado Estadual pela cidade de Paranavaí.

No princípio da discussão existiam mais de 08 pré-candidatos a Deputado Estadual pela cidade, as conversas caminharam e chegou-se a um número de 04 pretensos nomes, sem contar que um deles, um ex-prefeito da cidade, caiu de pára-quedas na conversa e achando-se o Rei da Cocada.

Mas uma coisa não apercebem-se tais caciques, pensam eles que por ser Paranavaí a maior cidade da Região, o nome por eles escolhido será bem recebido pelas outras cidades, ledo engano, todos os atuais Prefeitos e mesmo os derrotados já têm seus compromissos eleitoreiros. Um candidato regional não se faz em três meses de campanha, é necessário que o nome tenha sido antes bem trabalhado e divulgado na região, só dinheiro não basta.

O que sobra para Paranavaí é torcer para que os poderosos deixem as vaidades de lado consigam mesmo este nome de consenso, para que a aquela cidade toda abrace a candidatura e volte a ter um Representante na Assembléia Legislativa. Caso não exista o chamado consenso, resta as lideranças liberar todos aqueles que querem ser candidatos e dividir os votos da cidade não elegendo ninguém. O futuro de Paranavaí está nas mãos daqueles senhores!

19 abril 2006

A Malhação me Irrita!

É isso mesmo, a Globo faz um desserviço para a população brasileira ao mostrar aquela novelinha que nada condiz com a realidade e parece uma ficção cientifica que só tem por objetivo mesmo ser uma “escolinha” para novos atores globais.

Primeiro que nenhum ator ali aparenta ter menos de 18 anos, sem contar que são todos fortes, bem arrumados e saudáveis, ninguém bebe cerveja, fuma ou mesmo usa drogas, nem refrigerantes! Só sanduíche natural e suco, que por sinal nunca é terminado. Que planeta será que vive aquele povo?

Sem falar nas modinhas, ano passado era uma banda, este ano é o Skate. As filmagens em salas de aula são apenas desculpas para as conversas paralelas, sem contar que só tem umas 03 matérias e o povo sempre passa no vestibular, mas você nunca viu alguém passar a tarde toda estudando. E o pior de tudo é que sempre eles dão um jeito nos problemas, sempre alguém tem uma super idéia para tudo, é impressionante a criatividade daquelas pessoas, sem falar que o Bem sempre vence né? Acho que a Malhação se passa na Suíça!

17 abril 2006

Voto Nulo?

Outro dia me questionaram sobre a validade constitucional do voto nulo, sobre o que aconteceria se o Nulo vencesse as eleições, pois bem, não sei a resposta e muito menos tive interesse de pesquisar sobre o assunto, mas o que me intrigou foi o porque votar nulo?

Os defensores do Voto Nulo argumentam que é uma forma de Desobediência Civil e que não adianta votar em qualquer dos candidatos que lá estão porque nada mudaria, ou seja, são todos ladrões, corruptos e mentirosos.

Mas apesar destes argumentos, não consigo entender o que levaria um cidadão a votar Nulo. Penso que o voto Nulo seria um voto de covardia ou infantilidade perante a situação, ou seja, “lavo minhas mãos”. É abrir mão da escolha dos nossos governantes e deixar que os outros o escolham.

Votar no menos pior? Talvez seja isso sim, mas pelo menos eu estarei escolhendo um candidato, e comparando-o com os demais. Não abro mão de participar desta escolha, somente o voto consciente muda o país, e votar Nulo é deixar que as formas de perpetuação de poder, o coronélismo e os votos de cabrestos continuem por muito tempo. Votar Nulo não resolve o problema, muito pelo contrário, apenas o agrava ainda mais, quem é consciente não vota Nulo!

13 abril 2006

Porque salvar a Varig?

Pois é, também não sei. Alegam que seria mais de onze mil desempregados caso a empresa venha a fechar. O que ninguém gostaria que acontecesse. Mas qual a solução?

Algumas pessoas querem que o Governo intervenha no caso e coloque dinheiro público para salva a empresa, e o Governo vem relutando contra a idéia, diga-se, acertadamente.

Há algum tempo atrás, o Governo FHC aplicou milhões para salvar Bancos falidos, e o resultado? Os Bancos faliram e o Povo ficou no prejuízo.

Todos sabem que não concordo com a lógica capitalista, mas já que vivemos neste sistema, não cabe ao Governo Federal utilizar o dinheiro do Povo para salvar uma Empresa Privada da falência. Pois caso isso ocorra, cria-se um precedente perigoso: quantas empresas não vão chorar as dívidas no Palácio do Planalto? A Varig não é a primeira, nem será a última grande Empresa a passar por dificuldades financeiras. É a infeliz lógica sangrenta do Capitalismo, que exige dinâmica e competitividade, ou você se adapta, ou você é engolido. É cômico ver os Liberais lutando pela Varig.

12 abril 2006

O Funk Carioca e a Cultura...

Mas o que é Cultura senão o modo de vida e de luta de uma determinada pessoa ou comunidade? Cultura é toda forma de produção de conhecimento. É hipocrisia querer padronizar a Cultura, como se esta fosse algo que só se encontra nos Teatros, Óperas, Concertos ou no Chico Buarque.

Pensar Cultura como algo padronizado é ser por demais elitista e reprodutor de pensamentos. Ora, quem define os padrões senão os detentores do poder? É clarividente a intenção por parte da Elite Burguesa em desqualificar as formas de expressão que não lhe agradam ou que não provêem de seu meio como “desprovidas de cultura”.

Se o Funk Carioca é bom ou ruim não terei a ousadia de classifica-lo, mas trata-se de uma forma de expressão daquela comunidade predominantemente negra, pobre e excluída, que deve ser respeitada. Se você não gosta da música, desligue o rádio ou a TV e vá ler um livro ou procurar outra estação ou canal de TV que lhe agrade mais.

Além do mais, o Samba já foi marginalizado, Caetano, Gil e a Tropicália já foram ridicularizados, agora é a vez do Funk...

10 abril 2006

E Marx salvou o Capitalismo:

Pode soar estranho aos ouvidos e mentes dos mais desavisados, mas na prática é isso mesmo que aconteceu, Karl Marx, considerado o Pai do Comunismo salvou o sistema Capitalista da ruína, não é a toa, que Marx foi considerado pelos Europeus como o homem do Século XIX.

Marx não pretendia prever o futuro do mundo, muito pelo contrário, o que fez foi apenas analisar o sistema capitalista em que vivia, no qual as desigualdades existentes entre burgueses e proletários levaria à ruína do Capitalismo.

Mas acontece que suas obras foram mais bem lidas pelos Capitalistas do que pelos Socialistas. Ora, os burgueses entenderam a mensagem e os perigos que seu sistema de produção gerava e passaram a conceder certas “regalias” aos trabalhadores, diminuindo a jornada de trabalho de 13 para 12 horas diárias, cooptando operários corruptos e principalmente vendendo o sonho Capitalista de riqueza ao alcance de todos, ou seja, o proletário passou a sonhar ser um dia burguês, uma utopia.

Assim a burguesia virou o jogo, o proletariado deixou de protestar pela venda de seu trabalho e passou a questionar somente o valor desta venda. O operariado deixou de ter um caráter revolucionário como previa Marx, para vir a ser o principal sustentador do capitalismo.
Capitalistas dos mundo uni-vos em torno de Marx!

07 abril 2006

E o seu Exemplo?

Muitas pessoas escandalizam-se com os desvios de verbas feitos por nossos representantes eleitos, reclamam e atiram muitas pedras. Pois bem, e durante o nosso dia-a-dia de cidade do interior?

Reclamamos de um certo Marcos Valério que supostamente desviou dinheiro público, mas e quando nós “suplicamos” ao Policial para que ele não nos multe, também não estamos desviando dinheiro público? Ora, o valor da multa que você ia levar por desrespeitar uma lei seria para o Estado reverter em favor de toda a coletividade.

É muito fácil jogar pedras em nossos representantes e querer que eles sejam éticos se na base da sociedade, nós cá em baixo não somos nada éticos ou honestos. É querer que os homens lá em cima não hajam como homens. A corrupção está no gene do ser humano, não adianta querermos “tapar o sol com a peneira” e exigir dos outros o que nós não exigimos de nós. Ah! Você pede Nota Fiscal nas suas compras? Então...

06 abril 2006

O Analfabeto Político:

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

Bertold Brecht

05 abril 2006

A indenização na Desapropriação:

O instrumento utilizado pelo Estado para a Realização da Reforma Agrária e conseqüente construção de uma sociedade livre, justa e igualitária é o da Desapropriação por interesse social.

No entanto, a forma como esta é feita acaba por premiar, de certa forma, aquele que não cumpre a Função Social da Propriedade, uma vez que o Estado, com dinheiro público, paga aquele que não utiliza a terra da forma que deveria, ou seja, em proveito de toda a coletividade.

Nesse sentido, assevera Fábio Konder Comparato:

“Ora, essa espécie de expropriação não representa o sacrifício de um direito individual às exigências de necessidade ou utilidade pública-patrimonial. Ela constitui, na verdade, a imposição administrativa de uma sanção, pelo descumprimento do dever, que incumbe a todo proprietário, de dar a certos e determinados bens uma destinação social”.

Por esse motivo, continua o referido autor “é antijurídico atribuir ao expropriado, em tal caso, uma indenização completa, correspondente ao valor venal do bem, mais juros compensatórios, como se não tivesse havido abuso do direito de propriedade”.

É esse o principal motivo que nos leva a acreditar, ser a indenização pela Desapropriação da Propriedade que não cumpre sua Função Social, como um afronto a justiça social e um estímulo àqueles que utilizam a propriedade apenas como forma de especulação imobiliária, esperando pelo dia de ter a sua propriedade declarada como de interesse social para fins de Reforma Agrária e assim, receber o valor da Indenização.

Para finalizar, “ressarcir integralmente aquele que descumpre o seu dever fundamental de proprietário é proceder com manifesta injustiça, premiando o abuso”.



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