É comum que, embriagados pelo momento de eufonia diante de uma importante conquista nossa ou de nossos pares, acabemos por falar/escrever análises equivocadas sobre o tema. Por exemplo, outro dia li que: “eu te ajudo, você me ajuda. Simples assim. Política, é isso”.
Ora, a política rasteira, suja, que visa apenas os próprios interesses pessoais, politiqueiros e econômicos, pode até ser assim. Alguns grupos políticos sobrevivem e se reproduzem a anos nas pequenas cidades do interior na base do “eu te ajudo, você me ajuda” e o povo que se f*.
Podemos compreender este sentimento por parte de alguns políticos. Para eles, a “coisa pública”, que deveria servir a todos, simplesmente não existe. Pensam estes “senhores do regresso”, que a política deve estar apenas a serviço dos seus próprios interesses. É assim faz tempo. Por estas terras, o público e o privado se confundem desde sempre. Não entendeu? Leia ao menos a conclusão do clássico “Os Donos do Poder” do jurista Raymundo Faoro e conheça o sentimento patrimonialista que alguns “coronéis” costumam ter. A política que queremos para Nova Londrina deve ser diferente.
Nossa cidade precisa de políticos que se comprometam com o povo e não com seus correligionários/chupins ou deputados interessados em futuros votos, na base do “você me apóia, eu te apóio, arrumo um emprego ou uma licitação”. Precisamos de representantes que tenham uma visão diferente do que é administrar, governar, que entendam o significado do termo “participação popular”.
Ouvimos todos os dias nos nossos meios de comunicação, que a política é suja e os políticos não passam de uma corja de corruptos. Ora, a política e os políticos que vivem na base do “eu te ajudo, você me ajuda” podem ser tudo isso mesmo. No entanto, existem algumas boas exceções a este modo de fazer política. Estas exceções pautam suas relações políticas com a população e não com outros “políticos profissionais”.
Falta um ano para as eleições municipais, mas não se fala em outra coisa em nossa cidade. Pré-candidatos a prefeito e vereador temos aos montes. Caberá a nós, eleitores, escolhermos entre as possibilidades que nos apresentam: o político comprometido com interesses escusos ou o político comprometido única e exclusivamente com a população de Nova Londrina.
No clássico “A Divina Comédia”, Dante Alighieri assim se expressa: “os lugares mais quentes do inferno são destinados aos que, em tempo de grandes crises, mantém-se neutros”. Pois bem, nunca fui de me manter neutro, então depois de ouvir muita coisa, me posiciono A FAVOR DO AUMENTO NO NÚMERO DE VEREADORES EM MARINGÁ.
Diz um amigo, que quando juntam-se do mesmo lado para lutar por uma causa os empresários, a igreja e a mídia de massa, devemos escolher o lado oposto, que provavelmente estaremos com a razão. Acho que serve para o caso.
A campanha feita em Maringá, com muita verba pra fazer adesivos e comprar outdoors (de onde vem o dinheiro? Dos associados da ACIM? Do dízimo?), diz que aumentar o números de vereadores é ruim, pois além de aumentar os gastos, serão mais vereadores para “não fazer nada”. Ora, vamos aos argumentos.
Primeiro que não importa o número de vereadores, a Câmara de Maringá receberá o mesmo valor do orçamento municipal. Leiam o artigo 29-A da Constituição Federal do Brasil (você encontra no Google). Quem diz que mais vereadores é sinônimo de mais gastos público, É MENTIROSO!
Segundo, estamos a priori achando que todos os vereadores são corruptos ou preguiçosos. Prefiro acreditar que não é assim. No caso, estamos julgando o bom, tendo como base o mau vereador. Penso que deveria ser justamente o contrário.
Acho bacana a população protestar, reivindicar, etc. No entanto, tenho para mim que, a grande maioria das pessoas que colaram adesivos nos carros ou estão apoiando esta campanha, NUNCA foram na Câmara de Vereadores, não sabem o nome nem de três vereadores ou então, já se esqueceram em quem votaram na eleição passada. Protestar de dentro do carro ou nas redes sociais é fácil, fazer a sua parte de cidadão atuante, que cobra os representantes, dá muito trabalho, é melhor ficar falando genericamente sobre a classe política.
Dizer que vereador não faz nada mesmo, então não precisam de muitos, é assinar ATESTADO DE BURRICE, afinal, quem colocou eles lá, senão fomos nós, cidadãos, através do voto? Se eles são ruins, nós somos piores, pois os escolhemos. Vai me dizer que a ACIM, igreja e mídia não tem os seus “políticos preferenciais”?
Mais vereadores, penso que é mais representatividade para a população. É mais gente para cobrarmos, procurarmos, conversarmos e debatermos as propostas para a melhoria da nossa cidade. Os movimentos sociais, os bairros, as classe podem ser mais bem representadas na Câmara.
Mais vereadores, penso que seja mais difícil para alguns interesses escusos conseguirem a maioria na votação que desejam. Falando o português correto, é mais difícil subornar ou pressionar os vereadores quando o número é maior.
Mais vereadores, penso sejam mais pessoas para fiscalizar o Executivo municipal, prestar atenção nas contas e na execução dos Projetos.
Infelizmente, como costumo dizer, a melhor forma de vencer um debate é, não debatendo. No caso, é justamente isso que os empresários locais, igreja e imprensa têm feito. Não há debate, pois as opiniões contrárias não são mostradas. Fazem um desserviço à cidadania e a melhoria da vida pública em Maringá, mas a história nos ensina que estes trem segmentos, costumam agir assim mesmo. Quando eles protestam, é um movimento cívico e justo, mas quando a classe trabalhadora ou os estudantes protestam, são baderneiros e caso de polícia.
O processo excludente ora em voga em Nova Londrina para determinadas mídias não começou agora.
Começou lá atrás, por volta da primeira quinzena de junho de 2009, no dia em que assumi o microfone da Rádio Rainha no horário do meio-dia.
\Minhas lutas políticas na Marilena me capacitaram a não acreditar em nada que venha dos pequenos políticos locais que não tenham atrás de si uma história pessoal na política municipal. Cidadãos que momentaneamente obtém o Poder, à custa na maior parte das vezes de mentiras e compra desavergonhada de votos, ou como figuras de proa de grupos locais, estes sim conhecedores da Política, encarnam, assim que adentram o Paço, o Estado.
Julgando-se acima das leis e dos outros mortais, como se fossem semi-deuses bafejados pela sorte, encaram toda espécie de crítica como ofensas pessoais e as tratam como tais: na barra dos tribunais ou em lugares ainda piores.
Assim que cheguei e assumi o meu trabalho já fui etiquetado, rotulado e carimbado: É mais um pau mandado do Arlindo!
E não houve forma de romper o preconceito, pois se trata disso mesmo, que os atuais detentores provisórios do poder local tem à respeito tanto do Arlindo como da Rainha FM.
Um governo que passou dois anos reclamando da herança maldita, que, se realmente a fosse, e em apenas dois anos, e na crise em que estamos, não conseguiriam debelá-la, e, que em sua representação na Câmara justifica os erros atuais por serem os mesmos que acusam o Arlindo de ter feito, não pode mais usar esta tal herança como desculpa para sua própria imprevidência.
O que se pode esperar de um grupo destes?
Mais do que já se tem.
Quando no início, fazia o périplo das secretarias tentando levantar material jornalístico, tentava conversar com secretários ou outras autoridades sobre os problemas ou as soluções, só encontrava avisos: - Não se meta! Você não é daqui! Cuidado! Que tens com isso! E o indefectível: Nós é que sabemos!
Discurso típico dos despreparados, que medrosamente se escondem atrás da autoridade para não terem suas decisões contestadas, pois se julgam ‘os caras’.
E não adiantaram meus protestos de independência intelectual e política, minhas juras de tratamento equânime.
O dia-a-dia me mostrava cada vez mais o fechamento do governo à Rádio Rainha e à qualquer um que de lá proviesse.
Que fazer? Enfiar a viola no saco e voltar para Marilena? Vender minha consciência?Peitar estes presunçosos? Enfrentar estas hidras?
Passei então a me concentrar em documentos. Diários Oficiais, projetos, sessões da Câmara, jornaizinhos de propaganda institucional, imprensa impressa bem paga e vendida na cara dura.
E a pensar e tentar fazer os outros pensarem sobre estas coisas.
Este é o trabalho que se tornou diário: desvendar o por detrás da discurseira, desvelar o embutido nas entrelinhas dos projetos, desmascarar qualquer tentativa de enrolação pública. Preto é preto, branco é branco. E ponto final.
Ao desmitificar perante a população a aura de santidade e competência que, vendida à população como campanha política, acabou se tornando a mantra interna do grupo, de uma forma que eles mesmos acreditam no próprio discurso vazio, me tornei ‘o inimigo’.
Fiz e faço a minha parte. Não me escondo no anonimato, não uso da figura do Arlindo para obter vantagem alguma, não falo nem em nome da Rádio Rainha. Falo e escrevo com meu nome, em nome das convicções que ainda me restam.
E chegamos ao ponto de, na linguajem jornalística, pautarmos os trabalhos de outras mídias e da própria Câmara, em alguns momentos.
A cúpula, indignada com minha audácia, formou seu próprio exército midiático: sites, jornais, rádio. O uso exclusivo da Pontal, inclusive apoiando direta e indiretamente sua luta jurídica contra a Rádio Rainha e contra mim nos tribunais, demonstra à perfeição meu argumento, e contra a evidência não há desmentido possível.
Agora, como última manobra, criam comentários pelas ruas de que quero ser vereador por ‘me achar’ alguma coisa. Nunca perguntaram a mim, se o quero ser. Quantas pessoas ouvem a sessão da Câmara pela Rádio Pontal todas as segundas feiras à noite?E quantas ouvem a sinopse crítica que faço às quartas, num horário apertado de almoço? A resposta está ai.
Tentam colocar-me sob jugo e fica fácil: a cidade está dividida: ou se é Arlindo, ou se é contra o Arlindo. Toda vitória minha é creditada a ele e toda derrota minha fica sendo também uma derrota dele.Espertamente, os partidários da chamada terceira via, o Robertismo, só lucram com essa divisão. Ao nunca descerem para a arena do debate e praticamente fazerem uma política só de bastidores, eles acabam se beneficiando do duelo entre os dois maiores grupamentosficando numa posição por si só vantajosa: sempre tem o mote da União para usarem, e sempre representam uma aliança contra um lado ou outro, sendo o Tertius perfeito em qualquer esquema político que se possa imaginar. Claro que a hora da decisão também para estes está chegando.
Ser de Oposição em Nova Londrina hoje é o que?
Ser contra tudo e contra todos? Meter o pau no Arlindo, que a Situação diz já estar morto? Denunciar os erros desta mesma Situação e ser então, mais um pau mandado do Arlindo? Fuxicar sobre o Roberto para ficar de bem com os dois lados?
Eu particularmente acho que existe uma quarta via, que necessariamente não rotula como de oposição ou de situação, mas explicita o viés crítico que toda boa imprensa tem de ter.
E esta é o Povo.
Sacrificado no péssimo sistema de saúde local, injuriado nas repartições por conta de chefetes de segunda categoria em cargos comissionados, escorchado nos impostos taxas e emolumentos, esquecido nos grandes festerês caríssimos, comprado na bacia das almas na época da Política.
Povo que só quer pouca coisa: um lugarzinho para morar com dignidade com uma infraestrutura mínima que não comprometa muito sua renda, um sistema de saúde que realmente funcione; ser tratado com respeito por qualquerum, ver o fruto de seus impostos sendo bem aplicados, poder se divertir com o pouco ganho que tem, enfim, não precisar se vender por qualquer coisa nas campanhas.
Como cunha, entre a administração e o povo, fica o funcionalismo. Usado como massa de manobra na Câmara por conta dos salários em atraso da última administração, mas nesta administração,sendo colocado de lado nas terceirizações do serviço, desprestigiado nas negociações que envolvem seus bens como classe, desaparecido nas inúmeras comissões que integram hoje o círculo decisório, ganhando ainda mal, por conta de uma folha engordada só nas gratificações para poucos e escolhidos e nos cargos comissionados.
Talvez minha ‘filosofia de buteco’ não seja do agrado de todos. Talvez não seja do agrado de ninguém. Mas, é como digo sempre: estou velho demais, cansado demais, sábio demais. Não dá para mudar agora.
Meu IBOPE em Nova Londrina, é excelente. Sei da importância e da penetração que o programa Rainha em Foco obteve dentro dos lares dos novalondrinenses. Sei do respeito com que sempre tratei o ‘meu público’. Sei do carinho que este mesmo público me dedica. A maioria, sem ao menos conhecer-me. Sou, para muitos, apenas uma voz. Mas eles confiam nesta Voz. Sabem que quando erro, e também o faço, nunca é por busca de vantagem pessoal. E conserto o meu erro.
Vou então tropeçando, caindo e levantando, e encontrando, pelo caminho, por incrível que pareça, gente que pensa como eu.
O jornal Gazeta do Povo desta segunda-feira trouxe um relatório sobre as atividades parlamentares dos nossos deputados que representam o Paraná na Câmara dos Deputados. Segundo conclusão do jornal, temos uma “bancada pouco produtiva”.
Por mais que quantidade não seja sinônimo de qualidade, vamos aos números de alguns deputados que conseguiram votos em Nova Londrina:
Quem apresentou propostas de lei, alteração em lei ou na Constituição Federal: Rubens Bueno (PPS) = 34 Ratinho Junior (PSC) = 6 Cida Borghetti (PP) = 5 Assis do Couto (PT) = 3 Dr. Rosinha (PT) = 3 André Vargas (PT) = 1 Abelardo Lupion (DEM) = 0 Alex Canziani (PTB) = 0 Hermes Frangão Parcianelo (PMDB) = 0 Luiz Carlos Setim (DEM) = 0 Zeca Dirceu (PT) = 0
Pois é caro leitor, enquanto tem gente que propõe leis por um Brasil melhor, outros... E o seu deputado, como está trabalhando?
Prefeito de Nova Londrina abre B.O. contra a imprensa:
Mais uma vez, o prefeito municipal de Nova Londrina, filiado ao DEMOcratas, processa a imprensa local. Já aconteceu com este Blog (aqui, aqui e aqui) e agora, pela segunda vez, acontece com o site Destak Nova Londrina e aqui. Só nos resta, mais uma vez, lamentar o fato! Abaixo, texto publicado originalmente no site processado.
Os Quatro Cavaleiros:
Zedequias era rei de Judá e não queria nunca encarar a verdade, para isso acontecer,mantinha em seu redor uma troupede falsos profetas bem pagos com o tesouro do reino, que só lhe contavam o que ele gostava de ouvir. Falavam de glórias,alardeavam vitórias, contabilizavam acertos, somavam guaiacas cheias, gargalhavam à larga percorrendo a cidade em sua carroças reluzentes, enquanto a ruína do reino batia às portas da cidadela.
Nunca quis o governante ouvir a voz de Jeremias que lhe avisava da derrota iminente, dava-lhe bons conselhos de sobrevivência na catástrofe advinda e o admoestava sobre seus maus hábitos. Pelo contrário, o perseguia, queimava seus escritos, prendia-o e permitia que seus acólitos o humilhassem em público.
A ruína, quando finalmente sobreveio, custou ao rei toda sua família, seu reino, e seus próprios olhos, pois foi cegolevado ao cativeiro, este orgulhoso que nunca quis ver, nem ouvir e nem ler, a verdade.
A passagem bíblica que uso como intróito a este texto vem bem à calhar nestes tormentosos momentos.
O Prof. Roberto do PT, o articulista político do Diário do Noroeste, Sr. Saul Boggoni; o Willian Faria, do Destaknovalondrina, e, por fim, eu mesmo;caímos na alçada da Justiça, nas barras dos tribunais, pois estamos sendo agora processados em conjunto por sua excelência, o Prefeito de Nova Londrina.
Ao que parece, sua Excelência não gosta da forma como analiso a política municipal, e usa um dos meus últimos textos, o Panorâmicas I, como argumento em sua queixa de que denigro a imagem da administração.
Ao Willian sobraram as navalhadas que usa em sua coluna.
O Sr. Boggoni creio que entra por reproduzir em sua coluna diária no Diário do Noroeste, algumas conclusões a que chegamos e algumas informações que disponibilizamos sobre Nova Londrina. O que, diga-se de passagem, só nos enche de orgulho pela deferência de um mestre de seu calibre.
Quanto ao Prof. Roberto, cai como colaborador do Destaknovalondrina e também, é claro, pelo que escreve ali e alhures.
Este quádruplo processo, tentando atingir agora a imprensa regional também, me parece mais um daqueles conselhos da troupe de cegos que cerca o trono de sua majestade. Aos gritos de – caça! -, - cala! -, - deleta! -, tentam de toda maneira disfarçar a poeira dos cavalos do inimigo já às portas, envolvendo o príncipe num manto mal urdido de bajulações e cobranças, como se o culpado pela queda da cidade fosse o portador da notícia, e não a incompetência do exercitou a surdez do próprio governante.
A mesma Bíblia, em Provérbios, adverte os príncipes contra os maus conselheiros! Eles levam a cidade à ruína e o reino ao esquecimento. Quando não, e o caso em epígrafe o demonstra, o próprio rei ao cativeiro!
Este viés legiferante, causídico, processual, inquisidor e intimidador parece ser a tônica deste governo, que aparenta não ter mais nada a fazer no seu tempo útil e do seu dinheiro do que abrir processos em cascata contra tudo e contra todos. E pior, causando até um efeito multiplicador ao seu derredor, pois qualquer um acha-se também no direito de processar pessoas e veículos de comunicação como se vivêssemos numa ditadura stalinista. O que, graças à Deus não acontece, porque senão seríamos todos exilados para a desembocadura do Tigre ou definharíamos nos átrios do Paço à espera de clemência.
Ao que parece, a falta de notícias, a impossibilidade de fazê-las ou a carência de meios midiáticos críveis, ou ao menos audíveis, leva a que se deseje ser de alguma maneira, lembrado e comentado nos veículos locais e regionais de informação. No velho pensamento de – falem bem ou falem mal, mas falem de mim! -.
É quase de se estranhar, se não se - ‘conhecesse os bois com que se lida’ -, que num momento até particularmente bom da administração, em meio de mandato, com algumas coisas para mostrar à população, o Prefeito entre em guerra aberta contra os meios de comunicação locais e contra as pessoas que nele labutam. Estando havendo inclusive um processo de abrandamento nas relações, senão com a cúpula, ao menos com partes do segundo escalão, parceiros na informação e na divulgação de seus trabalhos.
Este quádruplo atentado ao famoso quatrilho tem todo o sabor de derrota anunciada. Outro dos famosos – tiros no pé – de que somos conhecedores de vários. Alguns, hilários até...
Uma pena tudo isso.
por Ricardo ‘Ronda’ Drummond de Macedo, pseudo jornalista, pseudo radialista, pseudo intelectual, e verdadeiro apaixonado pelo que faz.
Uma vez uma aluna minha na universidade falou: “Eu acho um absurdo uma pessoa fazer isso” [operação de mudança de sexo]. E eu disse: “Olha, você não nasceu com o cabelo liso e está com o cabelo alisado e pintado de vermelho. Você recorre a artifícios para ficar mais bonita, então dê o direito ao outro de fazer a mesma coisa”. Uma mulher que põe silicone no peito e no bumbum, que usa botox, não tem moral para criticar uma pessoa que constrói uma identidade feminina por base de artifícios, da intervenção no corpo.
Jean Willis – Deputado Federal pelo PSOL/RJ em entrevista à Revista Caros Amigos.
Sábado, por indicação de um amigo, assisti ao filme “Bobby” que trata do assassinato, em 1968 do senador Robert Kennedy, defensor da igualdade entre brancos e negros na segregada sociedade estadunidense da época. Ao final do filme, uma fala de Bobby Kennedy me deixou os olhos cheios de lágrima. Transcrevo abaixo para a reflexão de todos nós. Vale a pena!
"Não é um dia para a política. Guardei esta oportunidade, foi meu único compromisso do dia, para falar-lhes brevemente sobre a ameaça irracional da violência nos EUA que mancha a nossa terra e nossas vidas.
Isso não diz respeito a nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos a quem outros seres humanos amaram e de quem precisam. Ninguém, não importa onde viva ou o que faça, pode saber quem será o próximo a sofrer com o derramamento de sangue sem sentido. No entanto, continua sem parar neste nosso país. Por quê? O que se conseguiu com violência até agora? O que ela gerou?
Cada vez que uma vida americana é tirada sem necessidade por outro americano, seja em nome da lei, ou desafiando a lei, por um homem ou um grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência, ou como resposta à violência, cada vez que rasgamos o tecido de nossas vidas, que outro homem com dor e sofrimento, teceu para si próprio e para os filhos, cada vez que fazemos isso, então toda a nação de degrada.
Porém, toleramos o crescente índice de violência que ignora tanto a humanidade que temos em comum quanto o desejo de sermos civilizados. Muitas vezes, defendemos a arrogância, a desordem e aqueles que excedem a força. Muitas vezes, justificamos aqueles que estão dispostos a construir as próprias vidas às custas dos sonhos esmagados de outros seres humanos.
Mas não resta dúvida de que a violência gera violência, a repressão gera represálias e só a purificação de toda a nossa sociedade pode remover essa doença de nossas almas.
Porque se ensinar um homem a odiar e temer o próximo, se ensinar que ele é um homem inferior pela sua cor ou suas crenças ou pela ideologia política que ele segue, se ensinar que quem é diferente ameaça a sua liberdade, o seu trabalho, a sua casa ou a sua família, então estará aprendendo a tratar os demais não como cidadãos, mas como inimigos. Não à colaborar reciprocamente, mas sim a derrotar. A ser subjugado e dominado.
Aprendemos, por último, a ver nossos irmãos como estranhos. Estranhos com quem dividimos a cidade, mas não a comunidade. Pessoas com quem dividimos o espaço, mas sem esforço em comum. É impossível acreditar. Aprendemos a compartilhar apenas um medo em comum, apenas o desejo em comum de nos afastarmos uns aos outros. O impulso em comum de reagir às diferenças com a força.
Nossas vidas neste planeta são muito curtas. A missão a ser realizada é grandiosa demais para permitir que este espírito siga prosperando nesta nossa terra.
È claro que a solução não é um programa de governo, nem uma votação, mas talvez possamos lembrar nem que seja por um segundo, que os que vivem conosco são nossos irmãos que compartilham conosco a mesma vida passageira, que eles procuram, como nós, nada mais do que a oportunidade de viver suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização que puderem.
Sem dúvida, este vínculo de destino comum, com certeza este vínculo de metas em comum, pode começar a nos ensinar alguma coisa. Seguramente podemos aprender pelo menos a olhar à nossa volta e realmente ver o próximo. Aí poderemos nos esforçar um pouco mais para curar as feridas entre nós, nos transformando de todo coração em irmãos e compatriotas outra vez."
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
Diante dos fatos ocorridos recentemente na política de Nova Londrina, republico aqui um texto postado em 12-09-2010, quando os ânimos também estavam exaltados. Como parece que à época nossos representantes não o leram, abaixo mais uma oportunidade para refletir.
Sobre passado, parlamento e civilidade:
Diante dos recentes acontecimentos...
Para que serve o passado? Simplificando, serve para não repetirmos no presente os mesmos erros e com isso podermos construir um futuro melhor. É preciso relembrar o passado, mas não devemos ficar remoendo sempre a mesma coisa e colocando no passado, a culpa dos nossos problemas presentes. Mais, não devemos repetir no presente, o que achávamos errado no passado e dar como justificativa para nossos atos, que no passado acontecia a mesma coisa e ninguém falava nada.
Para que serve o parlamento? Do latim “parlare” que significa “falar”. Historicamente o parlamento foi criado para que o povo, através de seus representantes eleitos pudesse ter um lugar para falar e ser ouvido pelo governante. É no parlamento que se discutem os assuntos de interesse geral da população. Para aqueles que acompanham a TV Senado, podem perceber que, apesar do tempo regimental para os pronunciamentos, o presidente sempre concede o tempo necessário para que um parlamentar complete o seu raciocínio, nem que isso demore. Já vi reuniões acabarem na madrugada, afinal, é necessário debater e são bem pagos para isso. Também, mesmo entre os adversários, são concedidos “apartes” às falas, afinal, sabem os nossos senadores que o parlamento é o lugar do DEBATE e da troca de idéias e argumentos.
As pessoas que fazem parte do parlamento são escolhidas pelo povo, portanto, gostemos ou não de todos eles, merecem o nosso respeito. Por trás de cada parlamentar, existem cidadãos que votam nele. Desrespeitar um parlamentar é também desrespeitar os eleitores que o escolheram.
O parlamento faz parte do PODER LEGISLATIVO. Os três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si. Não pode o membro de um poder, em hipótese alguma, faltar com o respeito ao membro de outro poder. Quando isso acontece, o sujeito está na verdade desrespeitando todo o poder constituído, a república e a democracia. Por exemplo, quando um membro do Executivo desrespeita um membro do Legislativo, está atacando todo o Poder Legislativo e vice-versa.
Para que serve a civilidade? Do latim, “civile” que designava o habitante da cidade. A civilidade é uma espécie de “código de conduta” para que todas as pessoas possam conviver minimamente em harmonia. Apesar das diferenças de opinião, cor, sexo, partido, religião, time de futebol, etc, é a civilidade que garante o respeito mútuo e a integridade da sociedade.
Quando os cidadãos perdem a civilidade, ou seja, perdem o respeito entre si, estamos a um passo do caos social e da guerra. Quem não sabe ouvir ou conviver com as diferenças, opiniões e críticas, também não sabe viver em sociedade. Para aqueles que não aceitam isso, damos o nome de fascistas (não nos esqueçamos de Hitler e Mussolini). Lembrem-se, sem a civilidade, a vida em sociedade não existe e voltamos ao tempo das cavernas.
Por: Cássio Augusto Guilherme – Professor e mestrando em História pela UEM.
Uma pesquisa empreendida numa universidade paulista revelou que os estudantes de Letras e Pedagogia, quando terminam seus cursos, não dispõem de um acervo pessoal com as obras fundamentais de suas áreas de estudo. Não bastasse a precariedade dos cursos, ou decerto por isso mesmo, os estudantes se formam (se é que se formam) praticamente sem saber os principais conceitos da área e, pior, desprovidos de qualquer recurso bibliográfico aos quais possam consultar em momentos de dúvida.
Os estudantes de Letras, por exemplo, não têm em casa uma única gramática tradicional e, quando têm, é alguma edição antiga, dos anos 1960, de quando os pais estudaram os poucos mais que estudaram, já que a retumbante maioria desses estudantes, vêm de famílias com baixa escolaridade e até com escolaridade nenhuma. Não se importam em comprar o telefone celular mais sofisticado, mas quando se trata de comprar livros, fazem sempre um pequeno escândalo que são muito caros (e são mesmo!). O que for possível xerocar, mesmo sendo obra disponível no mercado, é xerocado (um verbo que soa tão feio e que remete mesmo à obscenidade do que significa). O que for possível copiar e colar da internet é copiado e colado e entregue como trabalho final de disciplina. E aceito alegremente por muitos professores.
É verdade que 70% dos estudantes de Letras só estão na universidade para conseguir um diploma superior e tentar outra coisa depois (em Brasília, paraíso do funcionalismo público, o sonho dourado é sempre passar num concurso). Não admira, sendo a educação brasileira o que é: uma tragédia ecológica pior do que as queimadas da Amazônia. O mais trágico é que se forma com tudo isso um círculo vicioso e viciado: estudantes vindos de uma escola pública péssima entram em cursos universitários péssimos e recebem uma formação que é mais uma deformação que qualquer outra coisa. Saem diplomados, não conseguem lugar no mercado de trabalho, porque não têm formação suficiente, e vão tentar a sorte no magistério, último reduto de quem não consegue coisa melhor na vida. E lá vão essas pessoas ensinar (o quê?) aos alunos da rede pública, que já é uma rede mais do que rasgada e furada, por onde os peixes escapam, felizes da vida.
Enquanto nada for feito para dignificar a profissão docente, e enquanto os cursos de Pedagogia e Letras não forem implodidos para em seu lugar surgirem verdadeiras escolas de formação docente, vamos continuar sendo uma das dez maiores economias do mundo e o 85º país em qualidade educacional.
Por Marcos Bagno – lingüista – Revista Caros Amigos de Abril de 2011.
É publica a minha revolta quanto aos pedágios. Sou radicalmente contra e por vários motivos. Ano passado me referi sobre isso no Blog.
Na sua edição de domingo, o jornal Gazeta do Povo traz alguns números interessantes sobre os pedágios paranaenses. Vamos a eles:
_ Preço do pedágio triplicou em 12 anos; _ A tarifa média no Paraná é de R$ 14,35, enquanto que no Rio Grande do Sul é de R$ 8,75, em São Paulo é de R$ 8,15 e nas rodovias federais é de R$ 6,53; _ Desde a implantação a tarifa aumentou 185%, enquanto que a inflação no mesmo período foi de 118%; _ A arrecadação das concessionárias aumentou em 238% enquanto os investimentos em melhorias aumentaram 138%; _ Em 2010, o lucro das concessionárias foi de 1,2 bilhões de reais.
O que você, caro leitor, pensa a respeito?
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
As recentes atitudes por parte de alguns maringaenses, que imbuídos de atitudes patrimonialistas, para não dizer outra coisa, continuam gerando polêmica. Concordo com o princípio de que o meu direito termina quando começa o de outra pessoa, mas também, o direito de outra pessoa só começa quando termina o meu.
Abaixo, outro texto que circula no Facebook, mas que infelizmente não consigo identificar o seu autor para lhe dar os parabéns.
Universitário, transfira seu título para Maringá - ASSUMA!
Quinta, 1 de setembro às 18:00 at TRE - Maringá, Brazil.
MANIFESTO UNIVERSITÁRIO
Pessoal, todos têm acompanhado a perseguição que o Prefeito de Maringá tem promovido com os universitários em geral, principalmente os oriundos de outras cidades, numa nítida atitude xenofóbica, como se nós, que muito colaboramos para o crescimento da cidade de Maringá, e muitas vezes adotamos essa maravilhosa cidade para viver no nosso futuro profissional, estivéssemos ocupando o espaço que pertencesse a algum maringaense nato, como se, por sermos originários de outras cidades, fossemos estrangeiros desmerecedores da atenção desta maravilhosa cidade, como se fossemos menos cidadãos que os outros.
Há cerca de 3 ou 4 anos atrás o Prefeito, em uma entrevista a imprensa, descreveu que “todos os universitários da UEM” eram “drogados”, depois a cada manifestação do senhor Prefeito o mesmo continuou a adjetivar os universitários como baderneiros, desocupados e até mesmo marginais. Ninguém fez nada!
Há algum tempo atrás o mesmo incentivou e aprovou uma lei absolutamente Inconstitucional que vedava o universitário da UEM, e somente na UEM, de consumir qualquer bebida que tivesse o menor teor alcoólico, durante o período que iria da sexta feira que antecede o vestibular até seu último dia, prevendo que, espante-se, o fiscal do Município poderia simplesmente confiscar o copo da mão do universitário e descartar no chão. Ninguém fez nada!
Depois, esforçou-se para aprovar uma lei que vedasse a venda de bebidas alcoólicas a menos de 200 metros das Universidades, mas vejam, isentou o poderoso Shopping Avenida Center da aplicação dessa lei, e, pasmem, essa lei foi dirigida SOMENTE aos estabelecimentos localizados próximos às Universidades, ou seja, não se aplicou às escolas de ensino primário, fundamental e médio, que é onde deveria se evitar, de fato, a venda de bebidas alcoólicas, numa clara demonstração de que pretendia se atingir somente os universitários. Ninguém fez nada!
Nos últimos meses tem promovido e incentivado a Polícia Militar, com a ajuda da Guarda Municipal, que tem a única função institucional de vigiar os prédios municipais, a promover arrastões às quintas feiras, na Rua Paranaguá, independente de haver som, barulho ou qualquer desordem, de forma truculenta, para não dizer violenta, empurrando, agredindo, aplicando choque elétrico e utilizando o cacetete, para quem estivesse na rua, como se fosse um toque de recolher, remontando à ditadura militar. Ninguém fez nada!
No último mês ocorreu uma onda de furtos, roubos e assaltos a vários universitários e repúblicas de Maringá, apenas num agravamento do cenário que se repete ano após ano, a Polícia não prendeu ninguém, e, seguindo a linha do Prefeito, em entrevista o Oficial da PM afirmou que a culpa dos crimes é dos Universitários porque promovem festas e acabam não ficando em suas casas, e são baderneiros intelectuais. Ninguém fez nada!
A Zona 7 é uma das regiões mais populosas de Maringá, o segundo maior bairro da cidade em números absolutos de habitantes e o primeiro em densidade demográfica. No entanto, a Prefeitura não tem instalado um único posto de saúde na zona 7, e se não fosse o serviço ambulatorial simples, oferecido pela UEM, todos os habitantes da região estariam sem nenhuma assistência do sistema de saúde público. Limpeza das vias pública, roçada de terrenos vazios, recapeamento asfáltico, reposição de lâmpadas de postes ou mesmo poda de árvores é lenda na Zona 7. Funcionários da Prefeitura na zona 7? Só duas vezes por ano: que são os fiscais durantes os vestibulares. Ninguém fez nada!
Na última semana, vimos que o único bar universitário que ainda resistia as pressões políticas e às arbitrariedades do poder público, único ponto de encontro e diversão dos estudantes universitários da zona 7, fechar suas portas, encerrar suas atividades, por arbitrariedade e ilegalidade da Prefeitura Municipal. Ninguém fez nada!
Ao final do mês de abril o Sr. Prefeito Silvio Barros decidiu que nenhuma festa universitária em chácara seria liberada, mesmo aquelas que sempre preencheram os requisitos para obter os Alvarás. Isto aconteceu em resposta ao pedido de esclarecimentos por parte do Conseg de Maringá, que buscava informações a cerca de uma rave realizada no Parque dos Cerealistas. Deparou-se com uma situação inusitada: a rave, que obteve parte dos Aalvarás da prefeitura, teve a sua disposição máquinas da prefeitura para terraplanar o terreno. Sim, pasmem, uma rave em local absolutamente inapropriado teve o apoio da prefeitura para a sua realização. Tratava-se de evento realizado por um “parceiro” do mais importante secretário municipal. Ou seja, se for amigo de pessoas ligadas ao Prefeito, até rave sem preparo algum de produção pode acontecer.
Neste Sábado, uma festa universitária, promovida por dois centros acadêmicos da UEM, como um dos únicos meios de juntar fundos para realizar suas atividades, em parceria com uma agência de eventos legalmente estabelecida, que preenchia todas as exigências de outros órgãos de segurança e fiscalização, e que seria realizada no mesmo local onde antes já foram liberados eventos, não aconteceu, porque a Prefeitura Municipal sem qualquer amparo legal, decidiu que simplesmente não mais irá liberar eventos universitários, ao arrepio da lei e do princípio da legalidade, impessoalidade e da livre iniciativa. NINGUÉM VAI FAZER NADA?
Até quando vamos ser enxotados e tratados como animais por um Prefeito que tem várias condenações judiciais, inclusive por improbidade administrativa, e que, a rigor, sequer pode ser candidato, porque se enquadra no conceito de “Ficha Suja”?
Qual a moral tem um ímprobo para adjetivar negativamente qualquer classe de pessoas, principalmente aquelas que representam mais de 10% da população local, e que movimentam mais de 20% da Economia da cidade?
Estamos cansados de falar e não ser ouvido, e quando falamos tapam os ouvidos e nos chamam de baderneiros generalizadamente, só por sermos estudantes, sem separar o joio do trigo. É como se chamássemos todos os políticos de corruptos só por serem políticos.
Chega gente, é hora de darmos nosso grito, é hora de sermos ouvidos, e se estão se valendo da Política para nos prejudicar e para nos oprimir, vamos usar da mesma arma para nos libertar, vamos soltar nossa voz. ESTUDANTES VINDOS DE OUTRAS CIDADES, TRANSFIRAM SEU TÍTULO DE ELEITOR PARA MARINGÁ E VAMOS VOTAR AQUI NAS ELEIÇÕES DE 2012!
PS: O “Ninguém fez nada!” comum ao longo do texto me fez pensar um pouco aqui. Se estivéssemos nos anos 1980 quando a juventude universitária ouvia coisas como Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Engenheiros, Capital Inicial, Biquini Cavadão, Paralamas do Sucesso, Raul Seixas, etc, ao invés de coisas como “ó o pente, ó o pente, ó o pente”, “O meu pai ta muito bravo, diz que o curso não acaba” ou “nóis é beberão, nóis é cachaceiro, nóis tem conta no bar, no açougue e no puteiro”, seria diferente? A quem interessa a alienação política? Vale a reflexão!
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.
Tá difícil para os estudantes de Maringá encontrarem diversão na cidade que um dia se orgulhou de ser universitária. Repressão policial, bar tradicional que por pressão fecha as portas e agora, Prefeitura que não libera Alvará para festas em chácaras. As “autoridades” não estão dando a devida atenção para os jovens da cidade. Uma lástima.
Abaixo, texto que circula no Facebook, mas que eu não consegui identificar o seu autor.
OS PROTAGONISTAS DE MARINGÁ SÃO TRATADOS COMO VILÕES!
Recebi isso via email e resolvi repassar pelo facebook, já que por aqui o efeito é avalanche!
"Bom dia estudante da UEM! Estamos sabendo que o Kanarinhus Bar fechou as portas, e segundo a notícia do jornal devido a clara briga dos estudantes com a polícia e as autoridades.
O que isso tem a ver com esse e-mail? Não estou aqui parar falar se o Kanarinhus deveria ter ou não fechado. O que acredito que PRECISAMOS refletir é o seguinte: PARA TODOS OS OUTROS MARINGAENSES É MUITO FÁCIL FALAR QUE MARINGÁ TEM A MELHOR UNIVERSIDADE DO PARANÁ! AGORA, FAZER ISSO ACONTECER QUE É O DIFÍCIL. SE OS ESTUDANTES DA UEM, ESSES MESMO QUE MORAM NA ZONA 07 E FAZEM "BAGUNÇA" NO KANARINHUS, SE ESSES NÃO SUASSEM A CAMISA TODOS OS DIAS, SE ESSES NÃO ESTUDASSEM MUITO, PODERIA EXISTIR AUTORIDADE QUE FOSSE, VERBA QUE FOSSE, QUE ESSA NUNCA SERIA A MELHOR UNIVERSIDADE DO PARANÁ.
Aí vem a questão, como estão sendo tratados esses estudantes?
Não encontrei a quantidade exata de alunos do campus de Maringá, mas o total entre alunos e funcionários são 20 mil pessoas. Acredito que se metade forem alunos, somam 10 mil. Mesmo subtraindo os alunos que vem e voltam todos os dias de outras cidades e os que moram em outras regioões de Maringá, o número de estudantes da UEM que moram na Zona 07 ainda é imenso!
Esse número enorme de estudantes (que moram na Zona 07) logo de cara encontraram encontram dificuldade por querer morar perto da faculdade. Quem está lendo esse e-mail que nunca passou pela situação ou tem um amigo que, após passar num vestibular que é dos mais concorridos do país, tentou alugar um apartamento AO LADO da UEM, e ouviu a frase "nós não alugamos apartamento pra estudante" ou então "esse condomínio não aceita estudantes". A "guerra" contra toda a sociedade já começa no primeiro dia, apenas por querer o óbvio. Morar perto do lugar onde se estuda.
Tudo bem, após conseguir um local pra morar, vem o problema da segurança. Muitos e muitos casos de assaltos a casas e a estudantes no nosso bairro. Agora o conselho da polícia, segundo o jornal da cidade é "Ele recomenda que, como muitos estudantes saem das aulas em horário avançado, tomem ações de precaução. Entre elas, o tenente lista não andar sozinho pelas ruas, evitar as vias sem iluminação e não ostentar joias ou tênis considerados "de marca"."
Por onde andar se a maioria das ruas da Zona 07 não é bem iluminada? Como voltar da aula (sendo que a maioria dos estudantes não tem carro) sem ser a pé e por vias não iluminadas?
Aí vem o X da questão, cadê o maior patrulhamento da polícia nos dias normais? Nos dias em que estamos voltando da aula e somos assaltados? Por que ela só aparece nas quinta-feiras, no nosso dia de lazer? Nos nossos dias de trabalho e estudo ela não está aqui para nos defender dos assaltantes. Mas na quinta-feira, para defender os outros moradores do nosso barulho ela vem. E vem com dez viaturas duma vez só. Cadê a prefeitura que não ilumina as nossas vias e não multa quem tem terreno baldio com mato para assaltante se esconder?
E sobre o nosso lazer, que incomoda tanto as outras pessoas, somos um número enorme de estudantes, na maioria jovem, que precisamos de lazer! Conseguir nos impedir de tomar nossa cervejinha, comer espetinho, assistir futebol e encontrar nossos amigos perto da nossa casa, nunca vão conseguir impedir. Mas já que o problema é nos concentramos em um só bar, em um só dia, porque a prefeitura não oferece outras opções de lazer próxima as nossas casas? Porque a prefeitura não presenteia esses estudantes que fazem da UEM a melhor do Paraná com shows, teatros, atrações esportivas, etc?
Pois é, essa mesma Zona 07, que deveria ser o cartão postal de Maringá, já que é aqui que a cidade recebe estudantes e familiares de estudantes que vem do Brasil inteiro, que é tão mal cuidada. Falta respeito e consciência das autoridades da cidade para com os estudantes, que pagam a mesma quantidade de impostos que todos os outros moradores da cidade e ainda são os grandes responsáveis por levar essa fama tão boa da UEM e de Maringá para todo o país.
O site Destak Nova Londrina está à tempos recebendo o devido destaque na cidade e região. O mesmo espaço que este Blog já ocupou um dia, como espaço democrático para a livre manifestação da população novalondrinense, tão carente de informação, hoje tem sido ocupado pelo Destak.
Infelizmente, assim como este Blog sofreu censura (veja aqui, aqui e aqui), me parece que também o Destak está tendo que diminuir o seu ímpeto jornalístico, investigativo e de comentários da população.
Não sou fã do site. Muito pelo contrário. Penso que o mesmo é apelativo em muitos momentos, propagandístico político em outros e que o anonimato nos comentários gera repercussões negativas. No entanto, como diria o filósofo Voltaire “Não concordo com uma só palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. Infelizmente, nem todos pensam assim!
Assim como neste Blog, agora é necessário fazer um login no site para comentar. Espero que a população dê a cara para bater e assine em baixo aquilo que pensa e diz. Nossa Constituição Federal garante a liberdade de expressão, mas veda o anonimato. Então, falar o que se pensa não é crime, desde que não ofendamos a honra de outrem.
Pelo Movimento Fala Nova Londrina.
Abaixo, texto de Ricardo Ronda, publicado no site Destak Nova Londrina, sobre o assunto. Leia e tire as suas próprias conclusões:
QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME
Se algum dia você pediu um 'favorzinho' à um Guarda Rodoviário, se numa blitz do Ministério você pediu arrego. Se buscou formas de ganhar licitações com algum 'jeitinho', se usou do nome da 'família' para conseguir uma mesa em algum restaurante. Se resolveu erros profissionais com cestas básicas e esmolas, você não tem mais moral para impor nada.
O filtro é fino? Pois é.
E deixa quase todos nós presos nele, então, quem somos para pedir que outros tenham a moral ilibada em cem por cento que nós mesmos não temos?O assunto veio à calhar por causa da última investida do Osmar Milani em cima da liberdade de imprensa na Nova Londrina.
O Destak Nova Londrina se tornou o espaço mais democrático que nossa cidade já teve. Todos, e eu digo todos mesmo, tinham e tem o seu espaço garantido, gratuito, amplo e irrestrito.
Arlindo toma pau e não reclama, Roberto toma pau e não reclama, Marcelo toma pau e não reclama, Sonsim toma pau e não reclama, Vico toma pau e não reclama. Ronda toma pau e não reclama. Miguel toma pau e não reclama. Até o Dornellis toma pau e não reclama!
Pois bastou o Dr Osmar Milani mandar um email insultuoso à pessoa do Willian e com os que ele anda, ver-se publicado, como todos o são, para intentar censuras à livre manifestação do pensamento pelo Destak Nova Londrina.
Ora, o espaço é livre. Nunca na história desta cidade tantos apanharam tanto sem fazer nada de errado contra o veículo, matando o mensageiro, em vez de cuidar da mensagem.
É público e notório que todos são insultados alí. Virou isso. Mas havia também a concordância explícita em todos que o importante era o espaço de manifestação, e quem não gostava não abria o site. O que importava, e importa, é que todos podiam manifestar-se da forma que quisessem, anonimamente ou não, elogiávelmente ou não.
No universo político, é melhor ser mal falado que inexistente. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim!
Infelizmente, o Dr Osmar Milani, que não tem participação expressiva em nenhum movimento político atuante em nossa cidade, que afora a Pontal, não tem nenhum veículo onde expresse suas idéias, se é que as tem; por causa de comentários sobre o seu email resolveu pressionar o Destak Nova Londrina a que fechasse sua caixa de recados.
Oxigênio da discussão, termômetro da temperatura política, descarrego biliar de muitos, os recados do Destak Nova Londrina eram uma lufada de liberdade nesta Nova Londrina tão carente de crítica, dentre outras carências. Pelos comentários, avaliava-se perifericamente o 'quem é quem' municipal, destilava-se mágoas, rancores e reclamações que nem sempre se tinha a coragem de fazer de público, num trabalho até de profilaxia mental, aliviando tensões pela caneta, e não pelos punhos ou pelas armas.
Pois bastaram três comentários desairosos sobre a figura do Dr Osmar Milani para que ele se enchesse de pruridos morais epressionando, fechasse esta torneira do povo, sempre aberta à todos os sedentos e sempre abundante.
Como já tinha fechado os ouvidos da população de três municípios à Palavra Santa do Padre Manzotti. Como já tinha trancado nosso comércio e indústria à propagação de seus produtos e serviços pelas rádios comunitárias da região.Ao dar livre expressão às suas críticas no malfadado email, jamais passou pela cabeça de ninguém que tal ação ficaria impune. Homem que se diz tão inteligente, deveria ter calculado a repercussão negativa que teriam seus comentários e se preparado, democraticamente à, ou rebatê-las no mesmo espaço ou simplesmente ignorá-las, não abrindo o site para vê-las. Fácil não é?Em vez disso, armou uma reunião com a promotoria, o Destak e ele mesmo, instrumentalizando até o Promotor Público, que na melhor das intenções, e desconhecedor da problemática a ele levada em sua casa, achou que alguma forma de compromisso era possível, daí, até o creio, ao permitir o uso de sua sala para isso.
Mas infelizmente não é. Contra a escuridão só a luz funciona. Contra os demagogos de plantão só a verdade nua e crua pode mais. Contra os fascistas de ocasião, só um Nuremberg pode acomodar.
À cada espaço que se fecha, mesmo numa cloaca como a caixa de recados, mais pessoas ficam de fora da discussão, menos vigilância se impõe sobre tudo e todos, figuras públicas ou que almejam sê-lo.
Falta cerca de um ano para iniciarmos oficialmente a campanha para as eleições municipais. No entanto, os pretensos candidatos já estão querendo aparecer “na mídia” e lançando as suas candidaturas para ver se “colam”!
Nos sites, fotos, textos, comentários anônimos, e etc, fazem a propaganda com o objetivo de “sentir” a reação e ver se a campanha “decola”. Algumas dessas aparições, de tão “forçadas” chegam a ser ridículas. Às vezes fico com a impressão que teremos mais candidatos do que eleitores.
Nos bastidores, pesquisas de opinião pública são feitas e divulgadas entre os pares. Os números são interessantes, pena que a lei não permite as suas divulgações. No final de semana passado, dois quadros: No primeiro, empate técnico entre dois candidatos, enquanto os demais ficaram longe. No segundo, a vitória quase certa de um deles. O mais interessante é a pesquisa sobre a rejeição: 70% contra 5%. E agora, José? Foram entrevistadas cerca de 400 pessoas em todos os bairros da cidade.
Sabedores desses números, nossos poderosos tentam articular campanhas difamatórias ou atentatórias; tentam espalhar boatos de alianças, chapas e acordos politiqueiros; tentam afinar o discurso entre os pares para ver se “cola”. O jogo é de “peixe grande”!
Este jogo anterior ao registro das candidaturas ainda vai durar por mais um ano. Até lá, muita coisa pode e vai acontecer. Mas no frigir dos ovos, quem decide mesmo é o eleitor e sua consciência, ou falta dela, na frente da urna. É aguardar para ver.
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
Deu no jornal Gazeta do Povo desta semana, que a cidade de Fazenda Rio Grande, localizada na região metropolitana de Curitiba, receberá a instalação de uma fábrica de pneus da companhia japonesa Sumitomo Rubber Industries.
O investimento inicial é de R$ 565 milhões de reais, mas que devem chegar aos R$ 1 bilhão de reais até o ano de 2010. Em empregos, serão inicialmente 1.200 postos, mas que chegarão aos 3.000. A produção diária será de 15 mil pneus por dia.
Na mesma matéria do jornal, há uma entrevista com o representante dos pneus Maxxis no Brasil, com sede em Taiwan, que diz ter interesse em instalar uma fábrica no Paraná. Está aí uma excelente oportunidade política para os prefeitos dos pequenos municípios do nosso Estado.
Talvez não saibam, mas no Estado há o programa Paraná Competitivo, que visa oferecer incentivos fiscais para que empresas instalem-se no Paraná. Segundo o Secretário Ricardo Barros, cerca de sessenta empresas estariam “na mira” do programa. Aí prefeitos, vamos nos movimentar?
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.
Fico indignado com a quantidade de “papagaios de telejornal” que vejo no dia-a-dia. Sabe aquelas pessoas que ouvem “meia-verdades” ou “meia-notícias” e saem por aí reproduzindo-as como se fossem a verdade absoluta? É deles que estou falando.
Na discussão recente sobre o livro didático, sempre vemos os discursos “elitizantes” de pessoas que supostamente defendem a norma culta, mas que não vivem o que defendem. Hipocrisia pura!
Abaixo, parte de uma matéria na Gazeta do Povo de hoje sobre o tema. Leiam e reflitam!
“Imagine um aluno, filho de pais que não dominam a norma culta, que chega à escola e o professor diz que é errado quem fala “os livro”, “nós vai”, “dez pão”, “dois real” e, afirma ainda, que isso é língua de gente burra. “Isso só complica mais a educação. É preciso levar em conta a fala que chega na escola e ensinar o padrão culto sem dizer que fulano fala tudo errado. Ninguém está negando que se deve ensinar a língua culta, até porque é a língua do Estado. Mas há maneiras de fazer isso e os livros didáticos de hoje não podem ser, por isso mesmo, iguais aos do passado”, explica o professor aposentado de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ataliba de Castilho, autor da Nova Gramática do Português Brasileiro.
O linguista Gilberto de Castro, que ministra a disciplina de Metodologia de Ensino da Língua Portuguesa, lembra ainda que ninguém aprende uma língua pelo simples fato de que há um conjunto de regras que definem o que é correto. “Claro que o professor vai ensinar o que é norma culta, mas não pode ter a ousadia de dizer que a língua daquele cidadão [que está fora do padrão] não existe”, diz.
Para especialistas que leram o capítulo do livro que trata da variedade popular, o que houve foi uma confusão. “O capítulo começa mostrando a concordância da norma culta e diz que na norma popular isso é diferente e, ainda, que a pessoa que não domina a norma pode sofrer preconceito. No fim, mostra como é a frase na norma culta”, afirma Faraco. Castilho lembra que o livro, ao demonstrar que existe a variação popular, de forma alguma fez isso para ensinar os alunos a falar daquele jeito. “É para expor aos estudantes as diferenças regionais, socioculturais. O professor ensina a partir de uma língua que os alunos já falam, por isso precisa fazer com que eles reflitam sobre esta língua.”
A doutora em linguística pela USP Maria José Foltran lembra ainda que o tema variedade linguística não é novo, existe há pelo menos um século. “O mais importante é as pessoas perceberem adequação na escolha das formas linguísticas. Ninguém fala como escreve e, se for escrita formal, precisa saber como usá-la. Em nenhum momento foi dito que vale tudo.” Para o linguista da Unicamp Sirio Possenti, a polêmica se resume ao simples fato de que muitos comentaram o livro sem ao menos terem lido. “E o pior, se leram, não entenderam.”
A I Caminhada da Diversidade – Maringá a favor da igualdade acontece neste domingo (22) a partir das 15 horas na praça do Paço Municipal. “O objetivo é chamar a atenção não só da comunidade para os homossexuais e a conduta homoafetiva, além de pedir a equiparação jurídica entre os direitos civis dos casais homossexuais e dos casais heterossexuais e a criminalização da homofobia”, diz um dos organizadores do evento, Robson Gibim, da Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre! (Anel).
Para participar, basta ir até a praça no domingo. Pais, mães, familiares de homossexuais, professores, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores de forma geral são convidados a participar do ato.
A caminhada sairá às 15 horas do Paço Municipal, seguindo pela Avenida Getúlio Vargas, até chegar à Praça Raposo Tavares, onde haverá apresentações de teatro, dança, música, shows de transformistas e de travestis, além de performances de Djs, e relatos de mães, pais, homossexuais, travestis, gays e lésbicas.
Particularmente, apóio a realização de qualquer ato público que vise chamar a atenção da sociedade e das autoridades para qualquer problema. A questão do preconceito contra Homossexuais é visível em nossa sociedade. Infelizmente, muita gente ainda está desinformada sobre a questão, principalmente quanto à garantia de direitos civis. Com certeza, tal ato pioneiro em Maringá gerará reações exacerbadas das camadas conservadoras da cidade.
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
Tarde desta quarta-feira, recebi a ligação de um amigo de Nova Londrina. Após as conversas de praxe, me perguntou se eu já estava sabendo “da última” da cidade. A casa do radialista Ricardo Ronda havia sofrido um atentado na noite anterior.
Conheci o Ricardo nos meus tempos de militância petista. Em uma madrugada fria enquanto esperávamos o ônibus que nos levaria para um encontro estadual em Londrina, passamos horas discutindo religião. Depois, encontros esporádicos até que fui fazer o curso de História na Fafipa. Quando entrei no curso, Ricardo já estava no terceiro ano. Conversas diárias sobre os mais variados assuntos. Sua inteligência e ironia me admiravam. Ainda passamos dois anos indo para Paranavaí todo sábado em uma pós-graduação em História. Horas e mais horas de boas conversas.
Ano passado, junto com outros amigos historiadores locais, nos encontrávamos esporadicamente para bater-papo, divagar, ver e trocar filmes, ver e trocar músicas e darmos boas risadas. Infelizmente, desde que me mudei para Maringá diminuí o contato com este sujeito único. Desde tempos, seus textos também são publicados neste Blog!
Claro que não concordo com muitas de suas posições, opiniões e principalmente ligações políticas, mas como disse, o respeito demais.
Abaixo, texto publicado no site Destak Nova Londrina, por meu amigo Ricardo Ronda sobre o atentado ocorrido em sua casa na última terça-feira. BLOGUEIROS DE TODO O BRASIL, UNI-VOS.
Longa jornada noite adentro:
São duas horas da madrugada de quarta feira, 18 de maio de 2011. As mãos ainda tremem um pouco no bater das teclas, o décimo cigarro fumega no cinzeiro e o vento frio desta noite faz farfalhar as folhas das árvores que rodeiam minha casa.
À coisa de três horas, pelas onze e pouco da ainda terça feira fui acordado ao som de disparos. Muitos disparos. Tiros em minha casa. Um pente completo de pistola automática (encontramos seis cartuchos) foi disparado nas paredes e janelas de meu barraco de madeira em Marilena. Furaram vidros, portão de metal, paredes, portas de armário... Despertaram minha esposa, minha enteada e minha neta de um ano de idade, que dormiam à meio metro da linha por onde as balas passaram furando tudo. (Grifo Nosso) Toda rajada foi apontada para a parede onde fica a cabeceira da minha cama, onde as três, devido à noite fria, se aconchegavam para o sono do descanso, amontoadas que nem cachorro novo.
Quem me conhece, e sabe onde eu moro, pode imaginar o que foram aqueles trinta ou quarenta segundos em que o vidro moído da janela voava em cima da cama onde elas dormiam e as lascas de madeira velha se rachando faziam barulho na calçada em frente à minha porta. O pipocar dos disparos seguidos do arrastar dos pneus do carro de cor clara que conduzia os agressores, pois foram dois, é o barulho com que minha neta acordou, minha esposa orou e minha enteada se apavorou.
Não posso nem conceber uma pessoa, conhecida, pois desconhecidos não fazem isso, que tenha a capacidade de cometer uma barbaridade dessas, podendo matar uma criança de um ano de idade por que o Ricardo Ronda falou, ou fez algo, que o desagradou. A insensibilidade de tal criatura, que poderia ter matado três pessoas completamente inocentes até de minha atividade jornalística, é algo quase inconcebível nesta pacata região. Ou assim se pensava.
Crimes passionais, dores atrozes em chifres, dívidas impagáveis. Estes são os casos mais comuns de violência, quase sempre num rompante, no calor da emoção. Mas a premeditação de pegar um carro, convidar alguém para cúmplice, dirigir o veículo até a última rua de Marilena e cobrir minha casa de balas...
O Boletim de Ocorrência, lavrado pela Polícia de Marilena, fala em tentativa de homicídio... E alvejaram uma casa de uma Conselheira Tutelar. O Promotor saberá disso, podem ter certeza. E será uma longa conversa.
Se é motivação política não sei, se é inveja também não. Problemas pessoais não os tenho com ninguém. À ninguém ofendo em sua honra, não adentro a casa de ninguém com conversas indevidas. Não desvirginizo filhas alheias, não tomo o que a outro pertence. Não cobiço e nem tento a mulher de ninguém. Não aponto em outros, erros tais, que merecessem tal punição em minha pessoa e dos que me são queridos e que a estes nada devem. O que conseguiram foi me privar da presença da minha netinha e minha esposa da filha e da neta. O que conseguiram foi me tirar aquela paz que só uma criança consegue impor, ainda mais nesta tenra idade; em torno dos que a cuidam e a amam enquanto engatinha atrás do gato ou puxa o cabo do meu mouse para chamar minha atenção.
O que conseguiram foi me deixar com raiva. Surda, muda e implacável. E ao pai da criança também. Estes viajantes noturnos, tais quais feras, destilam o terror por onde passam. E deixam atrás de si o rastro do mesmo ódio que sentem por tudo o que não entendem ou não concordam.
Ninguém mais fácil de matar do que eu. Ando pelas ruas de cabeça erguida, peito aberto, ao som do rock and roll em meus headfones, quase sem escutar os que porventura me chamam para alguma coisa. Amigos quase me atropelam, de brincadeira; eu creio, tirando finos para ver se eu pulo. O que não faço nunca, para não dar o gostinho.
É um atentado à liberdade de expressão? Eu o creio. É uma tentativa de me fazer calar? É mais que óbvio. É um recado para parar com meu programa na Rádio Rainha FM? Mas é claro! É o medo da minha ida definitiva para Nova Londrina a fim de adentrar de vez na política local? Também. (Grifo nosso)
Aprisionar-me em casa não vão conseguir. Calar-me, outros já tentaram e se deram mal. Sair da Rainha FM só com ordem da direção, e esta ainda não mandou. Quanto a mudar definitivamente para a Nova Londrina acho que deram um tiro no próprio pé. Pois agora, com isso tudo, e também depois da pesquisa de opinião do último sábado, é que penso ainda mais sobre esta possibilidade.
Minha única arma é minha caneta, e esta, já derrubou mais gente que muitas balas através da História. Não passarão!
A mídia brasileira tem feito mais uma tempestade em copo d’água sobre os nossos livros didáticos. Algum tempo atrás havia desferido seu rancor elitista contra um livro de História Crítica, pelo simples fato de ser crítico. Agora, dizem ser um absurdo que um livro didático de português ensine para os alunos que há diferença entre a língua falada e a escrita. Na minha opinião, trata-se de puro elitismo. Leiam abaixo o texto do lingüista Marcos Bagno. É excelente!
Como diz uma letra de música do O Teatro Mágico: “Mas quando alguém te disser ta errado ou errada/ Que não vai S na cebola e não vai S em feliz/ Que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X/ Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz.”
Polêmica ou ignorância?
Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua. Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).
Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas, senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.
Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas "classes populares" poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas "classes populares", esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar e o de seus aprendizes não é feio, nem errado, nem tosco; é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudo-especialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.
Defender uma não significa combater a outra
Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantado para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações, no mínimo patéticas. A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.
Darwin nunca disse, em lugar algum de seus escritos, que "o homem vem do macaco". Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso, que precisava de um lema distorcido, como "o homem vem do macaco", para empreender sua campanha obscurantista que permanece em voga até hoje (inclusive, no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).
Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.
Defensores da "língua certa"
Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer "isso é para mim tomar?" porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma "isso é para eu tomar?" porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas, por ainda servir de arame farpado entre os que falam "certo" e os que falam "errado", é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la.
Também. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme; que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros), quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).
O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta "língua certa", no exato momento em que a defendem, empregarem regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois no sábado (14/5), assistindo ao Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: "Como é que fica então as concordâncias?" Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: "E as concordâncias, como é que ficam então?
Por: Marcos Bagno, linguista – dia 17-05 no site Observatório da Imprensa
Inicio nesta segunda-feira a missão de escrever diariamente esta coluna. Confesso que revezo sentimentos de alegria e tristeza. Alegria por estar começando um novo desafio. Tristeza por surgir essa oportunidade num momento em que o meu blog (http://esmaelmorais.com.br/) encontra-se censurado pela Justiça, a pedido do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), há exatos 38 dias. Tecnicamente, aos olhos do judiciário paranaense, são sete meses de escuridão.
A censura ao meu blog teve início nas eleições de 2010, quando o então candidato ao governo do Paraná alegou ficar “abalado emocionalmente” com as minhas postagens. Mais de 500 posts foram removidos da página pessoal por solicitação de Richa, mas, mesmo assim, ele não se contentou até retirar-me do ar em quatro oportunidades.
Para fugir à censura nesses sete meses de perseguição hospedei meu blog em um servidor nos Estados Unidos, mas os advogados de Richa ameaçaram a empresa e me derrubaram naquelas plagas. Depois, em março, retornei a hospedá-lo numa empresa de São Paulo e, por meio de uma liminar na Justiça do Paraná, novamente me censuraram. Desde então, estou impedido de me expressar, de trabalhar.
O que diziam as postagens que “abalaram emocionalmente” o governador do PSDB? Ora, denúncias de caixa 2 na eleição de 2008 – quando ele disputou a reeleição na prefeitura de Curitiba – tudo também repercutido nos demais órgãos de imprensa do Paraná e do Brasil.
Faço aqui um parêntese. Nunca ofendi ninguém pessoalmente. Não é o meu estilo. O “crime” que cometi foi opinar sobre pessoas públicas que ocupam funções públicas. Relatar o mau uso do erário e mostrar o que a velha mídia não mostra devido relações políticas, econômicas e familiares entre si. O meu blog sempre discutiu – e vai continuar discutindo – políticas públicas e cidadania.
Folgo em repetir uma observação do colega blogueiro Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada. Segundo ele, tenta-se estabelecer no país uma linha jurídica única para calar os blogueiros e instituir uma jurisprudência contra liberdade na blogosfera.
Tem razão Paulo Henrique Amorim. A “judicialização da censura” tem como objetivo intimidar a blogosfera pelo bolso.
Como a maioria dos blogueiros não tem dinheiro para pagar as pesadas multas imposta pelo judiciário, o caminho que resta é censurar, calar, estuprar a Constituição, atentar contra a liberdade de expressão na internet.
O meu advogado, Guilherme Gonçalves, tem afirmado que não faz sentido de existir a censura em pleno Estado de Direito Democrático porque não se trata de uma página anônima. Mesmos se houvesse ofensas poder-se-ia requerer direito de resposta e outros tipos de reparação, mas jamais tolher a liberdade de expressão.
Também recorro ao advogado e professor universitário René Ariel Dotti, que em artigo esclarece a questão dos princípios em conflito:
“... o conflito entre a liberdade de informação e os direitos da personalidade, entre eles os relativos à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem, será resolvido em favor do interesse público visado pela informação.
“A liberdade de informação se efetiva através do exercício de três direitos correlatos: a) o direito à informação; b) o direito de se informar; c) o direito a ser informado.”
Dito isto, volto ao cerne da questão. Fiz um relato específico da criminosa perseguição que meu blog sofre com a “judicialização da censura” para reforçar a ideia de que existe em curso no país uma tentativa de calar a blogosfera. Creio que se não houver uma reação em rede regressaremos à era das trevas, onde será proibida a livre manifestação de pensamento e o exercício do contraditório diante da ofensiva de endinheirados e políticos mal-intencionados.
Defendo que a luta contra a censura na blogosfera deva ocupar o centro das discussões no 2º Encontro Nacional de Blogueiros, que ocorrerá de 17 a 19 de junho, em Brasília, sob pena de a escuridão tomar conta da internet como um todo.
Em 11 de março de 1981, morri Robert Nesta Marley, o rei da música Reggae. Bob Marley é considerado um dos maiores artistas da música mundial de todos os tempos. Seu ritmo e suas letras influenciaram e continuam influenciando milhares de pessoas no mundo todo.
Bob diz que o Reggae quando bate a gente nunca sente dor, pois é uma música para sentir a sua vibração positiva. As letras falam de paz, amor, união, desigualdades sociais e raciais. É música para a alma e para o cérebro.
Abaixo, vídeo e letra de um dos seus clássicos: War
Guerra Até que a filosofia que sustenta uma raça Superior e outra inferior, Seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada Havera guerra, eu digo guerra.
Até que não existam cidadãos de 1º E 2º classe de qualquer nação Até que a cor da pele de um homem Seja menos significante do que a cor dos seus olhos Havera guerra
Até que todos os direitos basicos sejam igualmente Garantidos para todos, sem discriminação de raça, Guerra
Ate esse dia O sonho de paz duradoura, da cidadania mundial e As regras da moralidade internacional, Permanecerão como ilusões fugares Para serem perseguidas, mas nunca alcançadas Agora havera guerra, guerra.
Até que os regimes ignóbeis e infelizes, Que aprisionam nossos irmãos em Angola, em Mozambique, Africa do sul em condições subumanas, Sejam derrubados e inteiramente destruído haverá Guerra, eu disse guerra.
Guerra no leste, guerra no oeste, Guerra no norte, guerra no sul, Guerra, guerra, rumores de guerra.
Até esse dia, o continente africano Não conhecera a paz, nós africanos lutaremos Se necessário e sabemos que vamos vencer, Porque estamos confiantes na vitória
Do bem sobre o mal. Do bem sobre o mal...
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
Às vezes descobrimos meio sem querer, coisas geniais. Tempos atrás estava rodando os canais e encontrei em um desses públicos da vida, um curta-metragem chamado Aldeia. Excelente produção nacional que satiriza o processo de catequização indígena feita peloso Jesuítas na América Colonial.
No curta, um padre europeu tenta ensinar para um comunidade indígena, os 10 mandamentos, mas percebe que aquele povo não precisa de mandamentos para viver bem, felizes e em comunhão com Deus.
No livro O Papalagui, o olhar de um indígena sobre a sociedade do branco, o chefe da tribo diz que: “O Papalagui recebeu a luz antes de nós, mas ele só tem a luz na mão, ele próprio vive na treva, tem o coração longe de Deus. O Papalagui nos trouxe a palavra divina, mas ele próprio não compreende a palavra nem o ensinamento de Deus. Nem aqueles que têm o encargo de falar de Deus têm Deus no coração.”
Veja o vídeo abaixo. São apenas 10 minutos!
Por: Cássio Auguto - professor e mestrando em História.
Maringá e sua elite provinciana gabam-se por terem uma “cidade planejada”, com muitos bosques, árvores, qualidade de vida e etc. Só que essa mesma elite provinciana costuma fechar os olhos para os seus problemas sociais.
Todos os dias, na minha caminhada até a UEM, pelas ruas da zona 07, além das calçadas mal-conservadas e lixo pelas mesmas, uma cena que se repete diariamente tem me chamado a atenção e me feito refletir. Sempre vejo um idoso revirando as latas de lixo. Diante da repetição, passei a reparar em seus rostos e não trata-se da mesma pessoa, ou seja, há muitos nessa situação.
Hoje mesmo, quando passei, pude reparar que o idoso em questão pegava um pedaço de pão do lixo. Fiquei com receio de confirmar se este pão iria para o estômago e não mais olhei.
Fico pensando como a vida levou estes idosos, e há mulheres entre eles, para chegarem a essa situação. Provavelmente são pessoas que passaram a vida no trabalho pesado, diário, na roça ou construção civil, mas que hoje a nossa sociedade não lhes dá mais valor. Deprimente.
O que mais me revolta é que, diante de cenas urbanas como esta, a maioria das pessoas sequer se sentem incomodadas ou param para refletir. Estão mais preocupadas com o casamento do príncipe Willian, o resultado do futebol ou a cervejada do final de semana.
Já ouviram falar do “O Mito da Caverna” de Platão? Então, ainda estamos vivendo de sombras, e não queremos encarar a luz da realidade. Nos fechamos em nosso mundinho de faz de conta. O genial Maurício de Souza, em um gibi do Piteco, fez a crítica ao mito moderno. Por falar nisso, há um livro fantástico que se chama O Papalagui. Trata-se da visão de um indígena sobre a vida na Europa. Em certa altura ele diz literalmente que: “Entregar-se a vida de mentira tornou-se uma verdadeira paixão para o Papalagui. Tão grande, às vezes, que o faz esquecer de sua vida de verdade. Muitos, quando saem do lugar onde a vida é de mentira, já não podem distingui-la da vida de verdade e enlouquecem.” Vale a reflexão.
Por fim, o grande Manuel Bandeira nos permite a mesma reflexão em seu poema “O Bicho”:
Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.
Precisamos sair do mundo e “faz de conta” e resgatar o sentido de solidariedade da vida em comunidade. O capitalismo tem nos forçado cada dia mais à uma “Ética da individualidade”. Precisamos de uma “Ética da responsabilidade”. Pense nisso.
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
A notícia da semana, é claro, o anúncio por parte do governo dos EUA da morte de Osama Bin Laden. Mas, algumas coisas merecem a nossa reflexão.
O árabe Osama Bin Laden e seu grupo, foram treinados e financiados pela CIA quando da guerra entre Afeganistão e URSS no final dos anos 1970. Aliás, a família Bin Laden mantém grandes negócios nos EUA, inclusive com forte ligações com a família Bush (vejam o doc Fahrenheit 911 de Michael Moore).
Impressionando como muitas pessoas, em vários cantos do mundo, comemoram o anúncio de sua morte. Cadê aquele princípio de “não matar”, ou então de propiciar aos acusados o “devido processo legal”?
Interessante como o exército dos EUA, entra no Paquistão na calada da noite, invade uma residência, mata várias pessoas, vai embora e ninguém contesta essa invasão! Qual a razão dos EUA terem jogado o corpo de Osama no mar? Estranho isso, não sabia que era uma tradição islâmica, como os EUA anunciaram. Não coincidência, as ditaduras latinas financiadas e apoiadas pela CIA também jogavam os corpos dos “inimigos” no mar.
Talvez jogaram no mar para não ter vestígios do corpo, ou seja, caso o tivessem enterrado, algum poderia ir lá conferir se é ele mesmo ou não. Além disso, fizeram DNA para comprovar que era o Osama. Quem fez? Com base em qual material genético?
Penso que, se eu estivesse no lugar dos EUA, ao matar Osama iria usar a sua imagem como um grande troféu, para comprovar ao mundo inteiro que havia “vencido”. Não entendo o motivo de terem jogado o corpo no mar. Claro que Osama vale muito mais morto do que vivo. Mortos não falam, já os vivos, em um tribunal qualquer, podem abrir a boca e falar umas verdades.
No Twitter, muita gente importante tem contestado a informação da morte de Osama. Intelectuais do mundo inteiro. Na faculdade que dou aulas ontem, muitos alunos duvidavam da veracidade da informação, mas, na grande mídia brasileira, não vi nenhum comentário a respeito dos questionamentos levantados.
Ah, a imagem que a Globo mostrou, “comprovando” a morte de Osama é uma montagem que já circula na internet a mais de um ano.
Há quem diga que Osama já estaria morto a muito tempo. Sinceramente, não sei, mas só acredito vendo. Diante de todos os questionamentos aqui levantados, não fica difícil acreditar nas “teorias da conspiração” e nos argumentos de Michael Moore.
Coincidência ou não, o anúncio da morte acontece justamente quando a popularidade do presidente Obama está em frangalhos e a eleição presidencial de aproxima.
Por fim, matar Bin Laden não significa acabar com as reivindicações dos povos do Oriente Médio. A questão lá é muito mais complexa. Leiam “Oriente Médio Desmistificado” de Fábio Bacila.
Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.
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